18 abril 2018

Eu sou mar aberto

Gostaria de dizer por aí que meu coração é trancado a sete chaves, mas a verdade é que ele não é. E aí, no calor do momento, as pessoas me perguntam meus segredos, questionam meus sentimentos e querem entender o que se passa pela minha cabeça. Eu sou transparente. Sou mar aberto que chega sem previsão e afoga os que não estão preparados. E se quer saber, eu odeio essa metáfora, mas ela é real. Nunca aprendi a ficar na beirinha e me precaver de qualquer problema, eu vou mesmo é para o fundo e mergulho de cabeça, sem pensar na possibilidade de algo dar errado.
Não me interessa se uma situação levou um dia ou um ano para se desenrolar, o sentimento de intensidade sempre vai ser o mesmo. Acho que por isso nunca fui de brincar com os sentimentos alheios também. Aquele clichê que a gente leva como conselho na adolescência do "pega, mas não se apega" nunca me serviu, de fato. E não digo isso só para os romances, digo, também, para qualquer que seja o caso. Amizades que se quebraram, atitudes que não deveria ter sido tomadas, pessoas que foram embora. Tudo me baqueia na mesma proporção que me faz crescer, amadurecer.

Eu sou mar aberto.

Quando alguém me conhece, percebe um muro de incompatibilidades, e, então, desiste. Para se ter uma ideia, grande parte dos desconhecidos que passaram por mim não tiveram a mínima coragem de ir para o fundo. Eles ficaram na areia, esperando uma ondinha para ver até onde iria. Foi só isso. Mal molharam os pés.

Outros, no entanto, já se afogaram. Não esperavam as reviravoltas. E acredito que seja esse o problema, sabe? É que não tem um equilíbrio nessa história. Talvez eu goste tanto do 8 ou 80 que minha vida se tornou um espelho disso. Ou vai, ou fica.

Por um lado, deveria ser grata. Por outro, fico pensando no quanto isso me afeta. Há dias, por exemplo, que finjo não existir. Saio de casa no automático e volto no mesmo ritmo. Não olho nos olhos de ninguém, assim como a maioria das pessoas já faz por costume. Deixo estar, entende?

Por vezes, penso que só gostaria de conhecer alguém que tivesse essa mesma profundeza, e que não recuasse no primeiro sinal de tempestade.

16 abril 2018

Playlist da semana: saudade

Até hoje não encontrei um único hobby que me acalmasse e me entendesse tão bem quanto ouvir música. Eu tenho total fascínio por melodias, ritmos, vozes diferentes. Às vezes, até, nem me importo tanto com a qualidade da letra ou em que ano fez parte das paradas de sucesso. Tem dias que a gente só quer ouvir alguma coisa bacana, pensar na vida e tentar fazer uma ligação daquilo que vivemos com o que o cantor repete no refrão. Não é isso? Tenho a impressão de que, assim como na semana passada, a semana que começa hoje também me reserva algumas surpresas, então tenho me preparado musicalmente para lidar com as adversidades.
Outro dia, quando pedi indicação de uma música para um colega, ele logo me falou em Nickelback e Bon Jovi. Procurei algumas canções que conhecia e montei uma playlist inteira só com eles. Nisso, me dei conta de que tenho tido muita saudade, de muita coisa e de muitas pessoas. Então, como naquelas situações em que a gente está na pior e escuta músicas que nos fazem pensar ainda mais nas coisas ruins, montei outra playlist com músicas que me lembravam pessoas, casos ou sensações. Ela me acompanhou durante a semana passada, e provavelmente vai me acompanhar durante esta semana também, por isso, resolvi trazê-la para cá e torcer para que gostem tanto das faixas quanto me peguei gostando.

É engraçado como uma batida qualquer ou um refrão mais animado pode remeter a tantos sentimentos, não é? Mas admito que gosto disso, de colocar o dedo na ferida e cutucar até finalmente sentir que parou de doer. Assim as coisas se ajeitam, o coração se aquieta e a gente fica mais leve, mais de bem com a vida.

13 abril 2018

Quero relações coloridas, moço

Já faz um tempo que ouvi de você um "olha, nós somos muitos diferentes, não vai funcionar para mim". Isso me baqueou. Doeu, sabe? Doeu porque eu aprendi que o amor não tem disso. Aprendi que relacionamento nenhum tem disso. Essas frases curtas e clichês nunca deveriam ser usadas como motivo para que duas pessoas se desgostem tão rápido. Doeu porque, no fundo, eu sei da verdade. Você sabe. Todo mundo sabe. A gente consegue perceber exatamente onde duas pessoas se perdem, mas ninguém tem, de fato, coragem para falar em voz alta. 
Também já acreditei que relacionamentos só funcionam quando há troca de experiências iguais e que qualquer outra vibe que não seja a minha não bate. Mas, agora, revendo meus laços anteriores, pude perceber que não existe isso. A verdade é que a gente tem preguiça de ceder. Temos o costume de optar sempre pelo lado mais fácil, e aí esquecemos que perdemos oportunidades incríveis por comodismo. Fala sério, é bem mais simples lidar com pessoas que compartilham dos nossos gostos, não é? 

Só que nesse jogo de interesses todo mundo perde.

A gente perde a chance de se deixar conhecer outros mundos, outras visões, outros humores. A gente perde a chance de aprender outros valores e outros amores. E eu sei que o mundo continua girando apesar disso, e que talvez eu seja um turbilhão de sentimentos exagerados, mas quer saber de uma coisa, moço? Eu nunca gostei de ser preto no branco, porque cada pessoa que passa por mim deixa um pouco de si e leva um pouco do que sou também. E aí, no fim, a gente vira um remendo gigante de pedacinhos alheios. E, cara, isso é tão bom!

A gente tem essa coisa meio sem paciência. Não nos damos ao luxo de conhecer as pessoas ao ponto de realmente entendermos o que sentimos. Veja por nós: o que você sabe de mim? Porque, sinceramente, eu não sei nada sobre você. Não o conheço. Não sei como gosta do seu café ou com quantas colheres de açúcar adoça a vida. 

Tudo que restou foi um vazio, sabe? Aquele sentimento estranho de quando você se permite conhecer o outro, mas percebe que tudo andou rápido demais e ambos se perderam. E não venha me dizer que não foi isso, porque sabemos que foi. A gente sempre sabe, só não tem coragem de falar em voz alta. E aí arranja desculpas e frases feitas para dar razão a uma coisa sem explicação.

Se me permite te dar um conselho — e se não for tarde demais para isso —, saiba que a vida não funciona assim, meu bem. No fundo, tá todo mundo querendo encontrar um pouco de cor no outro.
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