11 abril 2018

Saudade é um bicho de sete cabeças

Sabe que nunca gostei da ausência? Talvez seja pela minha impaciência ou pelo coração que sempre cabe mais um, mas a verdade é que não aprendi a lidar com essa coisa de esquecer os outros. Eu sempre lembro do que me marcou. Lembro de dias complicados que me fizeram querer sumir, assim como lembro de dias bons, os quais me mostraram o quanto a vida pode ser saborosa se degustada com gosto. E esse lance de memórias permanece mesmo quando as pessoas insistem em ir embora. Hoje, me permito deixar ir, mesmo querendo que o outro fique. Só que aquele vazio me acompanha.
Dias atrás, revendo algumas fotos antigas, encontrei uma com meu ex. É claro que, na época, a gente não fazia ideia do que aconteceria mais tarde, mas percebo que meu sentimento de carinho e admiração por ele ainda permanece mesmo depois de anos. Pode ser que ele nem lembre da minha existência, mas toda vez que vejo uma foto nas redes sociais ou fico sabendo dos amigos sobre uma conquista, meu coração sorri. Não porque gostaria do romance novamente, mas porque sei o quanto aquilo era importante.

Com a amizade cabe mais ou menos o mesmo sentimento. Tenho foto com pessoas que marcaram anos da minha infância, mas que, hoje, quando nos encontramos na rua, só trocamos um olhar singelo e um sorriso amarelo. No fundo, a gente sempre sente que poderia ter sido diferente. E por isso continuo torcendo de longe.

O problema é que sempre fui muito de sentir. 

Eu sinto demais.

O tempo todo.

E isso me faz perder as rédeas da vida de vez em quando, porque, por mais que eu viva escrevendo sobre aprendermos a nos permitir, morro de medo de fazer isso; e, quando o faço, tenho a sensação de que me permiti para a pessoa errada. Aí só me resta a saudade. Esse sentimento complicado que faz a gente passar madrugadas em claro pensando no que poderia ter dito. No que poderia ter feito.

Mas quer saber de um segredo? Aprendi que quando as pessoas realmente se importam, não existe tempo ruim ou incompatibilidades. Existe, na verdade, uma troca bonita de sentimentos e valores. Então eu me permito deixar ir. Mesmo que doa. Mesmo que tenham palavras engasgadas na garganta. E sabe o porquê? Porque quem quer fica, e quem não quer deixa apenas a saudade. E tá tudo bem também.

Saudade dói, mas nos faz mais vivos, mais humanos.

4 comentários:

  1. Oi
    Emocionada com o seu texto, simplesmente uau!
    Eu sou de sentir muito também e ás vezes não tenho com quem dizer o que estou sentindo no momento, o que me faz transbordar sensações ruins. Parece que estou cheia demais!
    Ultimamente estou tendo que lidar com a saudade, mas por um erro meu, um erro que eu poderia ter evitado mas que fui orgulhosa demais pra deixar passar.
    Infelizmente as coisas não irão mudar, mas lá no fundo eu faço preces para que eu e ele possamos nos acertar só mais uma vez.
    Beijos!
    http://www.suddenlythings.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabe de uma coisa? Nunca é tarde para você deixar o orgulho de lado e falar o que sente. Se a distância te incomoda e o erro foi seu, dê a cara à tapa e admita isso. quem sabe é a única coisa que falta ♥ Fico bem feliz por saber que gostou e se identificou com o texto.

      Excluir

Design e conteúdo por Kelly Mathies | Tecnologia do Blogger | Com amor ❤