26 setembro 2017

Esqueça o Amanhã, de Pintip Dunn

Faz mais ou menos uma semana que finalizei a leitura de Esqueça o Amanhã, mas ainda não havia conseguido me recompor por completo para ter uma opinião sensata. Quando vi o título na listagem de livros da editora, pensei no quanto gostaria de conhecer a história e me perder em mais uma distopia. No entanto, depois que o livro chegou por aqui e encontrei algumas resenhas sobre ele, minha vontade de pegá-lo para ler passou para a mínima possível. Mas li, e me decepcionei tanto quanto poderia. A história tem tudo para ser sensacional, para se tornar inesquecível na mente do leitor, só que o caminho foi totalmente contrário.
Callie está para completar 17 anos e logo irá receber sua memória do futuro, ou seja, aquela visão padronizada e linda que a guiará pelo resto da vida. Ela gostaria que fosse algo relacionado a gastronomia, afinal, sua paixão por temperos e novas receitas é indescritível, mas também torce para que seja algo positivo, mesmo que não tenha nada a ver com a cozinha. Atualmente, ela mora com a mãe e com a irmã pequena, que, por sinal, já tem uma base de como é o futuro, pois consegue prever um curto período de tempo, como as folhas que irão cair de uma árvore. Aliás, é justamente em um momento como esse que Callie volta a se encontrar com Logan.

Título: Esqueça o Amanhã
Autor: Pintip Dunn
Páginas: 34 páginas
Editora: Galera Record

❤ Livro cedido em parceria com a editora
Em uma sociedade onde jovens recebem uma visão de seu futuro quando completam 17 anos, todos têm uma carreira a qual dedicar seus esforços. Um campeão de natação, um renomado cientista, um chef de sucesso. No caso de Callie, uma assassina. Em sua visão, a garota se vê matando a própria irmã. Antes que ela possa entender o que aconteceu, Callie é presa – e a única pessoa capaz de ajudá-la é Logan, uma paixonite de infância com quem não fala há cinco anos. Agora, ela precisa descobrir uma forma de proteger sua irmã da pior das ameaças: ela mesma.
O problema das memórias futuras, como dizia Callie, é que elas já estão prontas. A pessoa a recebe e larga tudo para conquistar aquilo que o destino lhe reserva, sem nem perder tempo com outras opções. No entanto, justamente o que ela menos espera lhe aparece. Como um pesadelo intenso e inegável, Callie se vê matando a própria irmã, uma vez que o governo não aceita que pessoas "paranormais" vivam em sociedade livremente. É por isso, também, que a garota vai presa, pois, mesmo ainda não tendo cometido o crime, certamente o fará em breve, já que todas as visões são concretizadas.

Depois de alguns dias em meio a comidas ruins, paredes frias e um buraco na parede que a faz ter contato com outra jovem, Callie é surpreendida por Logan. Ele consegue tirá-la do lugar e a leva para um acampamento secreto, onde ficam seguros aqueles que possuem algum dom. Mas o amor de Callie por Logan se torna cada vez mais forte, assim como sua preocupação com a irmã. Ela precisa arranjar um jeito de fazer tudo dar certo, negando sua própria existência do futuro.
Esqueça o Amanhã tem uma premissa muito bacana, dessas que realmente prende o leitor e o faz querer saber mais sobre os personagens, mais sobre o contexto em que está inserida. No entanto, eu não sei ao certo o que aconteceu com a autora, mas ela me fez odiar o livro. Não só a personagem principal é extremamente sem graça como os próprios acontecimentos parecem arrastados, sendo expostos de forma lenta e cansativa. Além disso, o foco, que deveria ser o sistema baseado nas memórias futuras, fica por conta do romance entre Callie e Logan, o que, de longe, não chega nem a ser um romance real, de tirar o fôlego ou arrancar suspiros.

Eu terminei a leitura dentro de uma semana, ou seja, quase o triplo do que estou acostumada, mas isso não ocorreu por conta da quantidade de páginas, mas, sim, pelos capítulos mal divididos e pela narrativa extensa e desnecessária em determinados momentos. Inclusive, admito que pulei diversas páginas que não agregaram em nada no conteúdo, muito pelo contrário, só fizeram volume. Mas vale ressaltar que a escrita da autora, em si, é muito boa, com uma linguagem mais singela e de fácil entendimento. Acho que ela só não soube conciliar as duas coisas.

Os personagens secundários, apesar de serem secundários, me prenderam na leitura, mas pouco foram citados, deixando muitas informações subentendidas ou, até mesmo, esquecidas. Aliás, o pai de Callie é um personagem a parte que poderia ter sido infinitamente mais trabalhado, mas não foi. Na verdade, seu desaparecimento mal foi explicado. Assim como foi feito no final, em que os acontecimentos se deram de forma aleatória e sem nexo. Me senti perdida, chocada. Não sei o que sentir ou como expressar o sentimento de "é só isso?".
Quanto a diagramação, eu adorei a capa, mas sabe quando você não consegue ligar uma coisa a outra? O que tem a ver um par de asas com a história? Eu não faço ideia. Terminei a leitura sem entender essa ligação, mas confesso que fiquei curiosa, pois, por algum motivo, acredito que tenha algo a ver com os próximos livros, já que este é apenas o primeiro de uma trilogia que não possui data certa para ser complementada.

Sendo bem sincera, tirando a parte de uma distopia diferenciada, o livro não me trouxe nada positivo ou de conhecimento extra. Foi uma leitura para passar o tempo, e só. Eu adoraria ver uma releitura da história, em que a autora traz pontos interessantes sobre o sistema de memórias e sobre os demais personagens. Espero que, ao menos nos próximos livros, Pintip Dunn supere as expectativas.

2 comentários:

  1. que pena que ele não agradou, a capa é muito linda e a narrativa até que pareceu interessante, mas a literatura tem dessas né, e mais um dos motivos de não comprar um livro pela capa!

    Blog Entre Ver e Viver

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A capa é linda e a ideia da história é incrível ♥ Uma pena que a escrita tenha sido tão decepcionante, viu?

      Excluir

Design e conteúdo por Kelly Mathies | Tecnologia do Blogger | Com amor ❤