25 julho 2017

Victoria e o Patife, de Meg Cabot

Quando termino a leitura de um livro mais clichê, desses que a gente sabe exatamente onde vai parar, é que me dou conta do quanto gosto do comum para acalentar o cérebro. Apesar de amar histórias com reviravoltas surpreendentes e contextos inusitados, às vezes me pego querendo ler algo mais singelo, mais sutil e sem tantos detalhes, mas tão bom quanto. Eu nunca havia lido um livro da Meg Cabot, mas conhecia por completo todas as suas obras, assim como também reconhecia de longe sua escrita mais jovial e, ao mesmo tempo, remando para o lado do amadurecimento. Estranho, não? No entanto, agora posso dizer que pude me perder nas palavras da autora. Quando solicitei Victoria e o Patife, não imaginava que fosse criar uma afeição tão grande pela história, mas ela se aconchegou na minha lista de favoritos.
Estamos no ano de 1810. Victoria perdeu os pais muito cedo e foi criada pelos tios na Índia, um lugar nada propício para uma dama como ela, mas Vic aprendeu a tomar as rédeas da própria vida e até ensinou os bons modos para os homens da família. Se não fosse por ela, eles seriam tão indisciplinados quanto um animal selvagem. No entanto, com os famigerados 16 anos batendo na porta, os tios da moça sabem ela precisa procurar um marido que seja digno de seu posto. Victoria, então, parte para Londres, onde deverá morar com a família Gardiner até encontrar um homem à sua altura.

Título: Victoria e o Patife
Autor: Meg Cabot
Páginas: 256 páginas
Editora: Galera Record
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Criada pelos tios na Índia, Victoria é enviada a Londres aos 16 anos para conseguir um marido. Mas é na longa viagem até a Inglaterra que a jovem encontra o amor, na figura de Hugo Rothschild, o nono Conde de Malfrey. Tudo estaria ótimo se não fosse a insuportável interferência do capitão do navio, Jacob Carstairs. Por que ele não pode confiar na escolha de Victoria? Por que ele não a deixa em paz? Estaria Hugo escondendo algo?
Apesar de Victoria parecer uma dama indefesa, ela sempre foi à frente do seu tempo, lidando com situações inusitadas que uma lady jamais pensaria em vivenciar. Mas seu coração ainda é imaturo, o que a faz cair de amores logo no primeiro contato com o nono Conde de Malfrey, um jovem bem-intencionado e com os aspectos mais lindos que Victoria já viu. Literalmente no meio do caminho e do mar aberto, ele a pede em casamento, mas os dois resolvem guardar segredo até que Hugo retorne de uma viagem que precisará fazer nos próximos dias. E assim seria feito, se Jacob não tivesse visto o momento íntimo do casal e começasse a atormentar a moça por sua escolha precoce.

Ao desembarcar na Inglaterra, Victoria é recebida de braços abertos pelos novos tios, mas logo percebe os olhares apaixonados de sua prima Rebeca para o capitão Carstairs. A dama, então, começa a colocar em prática um plano para interferir no coração da prima e fazê-la se esquecer desse amor, mas o que ela não esperava era que Jacob desse com a língua nos dentes durante o jantar, anunciando para a família sua escolha amorosa. Assim, entre ajudar a prima a se livrar de um futuro que poderá ser infeliz e tentar entender o motivo de Jacob ser contra seu noivado, Victoria se vê perdida entre sentimentos, fazendo loucuras que, mais tarde, nem ela mesmo será capaz de entender.
Victoria e o Patife é de uma premissa extremamente simples. Eu li algumas resenhas em que os leitores criticam a previsibilidade da história, afirmando que é um ponto negativo, caracterizando-a como própria para o público infantojuvenil, mas eu discordo até certo ponto, uma vez que qualquer leitor que preze pela sua sanidade mental precisa ler livros mais soltos de vez em quando. É claro que eu já critiquei alguns livros aqui no blog justamente por conta disso, mas desta vez não enxerguei como algo ruim, apenas como um descanso, uma vez que a história é muito bem construída.

A narrativa é feita em terceira pessoa e a escrita fluída da autora é perceptível em todos os momentos. Por mais que a história se passe em uma época distante, o humor também foi muito bem trabalhado e os personagens ganharam características únicas que conquistam o leitor. Além disso, um ponto super positivo é a representatividade do poder feminino na sociedade. Victoria é uma personagem forte e independente que encontra mil e uma soluções para os problemas visíveis. Por ela não ter sido criada com os mesmos costumes das damas da Inglaterra, seus novos tios e até os rapazes se sentem intimidados e horrorizados com algumas atitudes da moça, mas ela acaba se adequando à todas as situações sem perder a pose.
A diagramação do livro é simples, porém delicada, e a capa, mesmo sendo singela, ficou muito bonita. Por ser uma obra com poucas páginas, posso afirmar que a leitura é rápida e gostosa de acompanhar, já que os acontecimentos se desenrolam de forma contínua. No entanto, um ponto que me incomodou um pouco foi a resolução da história, que se deu muito lentamente. É como se autora quisesse estender um fato que já está marcado desde o início (alô previsibilidade!), incluindo novos problemas que poderiam ser facilmente excluídos do contexto. 

De qualquer forma, aos que querem começar uma nova leitura sem tantos fatos enrolados e com uma trama simples de ser interpretada, indico o livro de olhos fechados. A história me conquistou logo no começo e os personagens acabaram ganhando um pedacinho do meu coração. Aliás, o fato de a obra ser indicada para todas as idades é um ponto extra. Vale a pena conhecer Lady Victoria.

6 comentários:

  1. Não é exatamente o tipo de leitura que costumo fazer, porém gosto de obras com o tema " romance de época" e justamente por ser uma leitura leve, e cativante ao mesmo tempo, provavelmente o lerei em breve. E por sinal, que capa linda! Com certeza já rende uns pontos na hora de comprar o livro.

    Beijos

    letologia.blogspot.com.br

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    1. Romances de época é um dos meus temas preferidos ♥ Acho que é sempre possível criar novas histórias, novos cenários. Eu adorei a leitura do livro e adorei conhecer melhor a escrita da autora, acho que vale a pena dar uma chance.

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  2. Menina que blog mais amor! Estava navegando na internet em busca de livros da Meg que eu já não tenha lido (cada vez mais díficil) e te encontrei. Amei seu post viu? Já vou comprar o livro no Kindle!

    Beijos

    www.gisielepimel.com.br

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    1. Ah, que lindeza ♥ Fico tão feliz com essas coisas. Que bom que conheceu o livro e tomara que goste dele.

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  3. Só pela personagem ter o mesmo nome que o meu já me deu vontade de ler hahahaha Que capa mais linda, estou apaixonada! Conheci Meg Cabot através de Paula Pimenta, mas ainda não parei para ler nenhum livro dela. Um clichêzinho as vezes é bom, como você disse para acalentar o cérebro, gostei muito e tô pensando em comprar assim que eu terminar de ler uns livros novos que tenho aqui.
    Skyscrapers

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    1. É um livro bem gostosinho de ler, sabe? Por mais que tenha sido criticado pela falta de conteúdo extra, é uma história comum, com personagens montados ♥ Acaba valendo a pena relaxar a cabeça com livros assim mais leves. Tomara que consiga ler em breve.

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