11 julho 2017

O Jogo do Amor e da Morte

Nesses duas últimas semanas, o Senhor Correios passou aqui em casa e deixou inúmeros pacotes de livros das editoras parceiras. No começo, eu não sabia se ficava feliz ou se chorava, afinal, temos um prazo para publicar as resenhas, mas acabei acatando o sentimento de felicidade. Um dos livros recebidos foi O Jogo do Amor e da Morte, que me cativou pela capa e pela sinopse, mas me deixou com aquela sensação de "é só isso?" no final. Admito que fico chateada quando isso acontece, uma vez que sou o tipo de pessoa que cria expectativas imensas naquilo que parece me agradar, no entanto, como estou aprendendo a me conter um pouco, a frustração não foi tão grande. Aliás, a história não é ruim, apenas poderia ter sido melhor trabalhada.
Flora tem dezessete anos, é apaixonada por jazz e aviação, mora com a avó e divide as despesas do Dominó com o tio. Sua ideia inicial era ficar escondida na cozinha da casa noturna sem dar pistas de sua existência, mas o tio achou que o lugar dela era no palco, cantando e encantando os clientes do lugar. Henry, por outro lado, é um garoto comum que perdeu os pais cedo demais. Ele foi acolhido pelo melhor amigo de seu pai e divide o tempo entre jogos de beisebol e a música, afinal, precisa ter certeza de que vai ganhar uma bolsa para a universidade, mas não pode deixar seu amor pelas partituras de lado. Ethan, seu melhor amigo, não gosta de vê-lo dividido, mas a vida nem sempre é como esperamos que seja.

Título: O Jogo do Amor e da Morte
Autor: Martha Brockenbrough
Páginas: 304 páginas
Editora: Verus
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Há séculos o Amor e a Morte escolhem seus jogadores. Eles estabelecem as regras, jogam os dados e ficam por perto, prontos para influenciar em busca da supremacia. No entanto, a Morte sempre ganhou. Agora, o Amor quer mudar o rumo do jogo. Os jogadores foram escolhidos. Flora Saudade é uma garota afro-americana que, de dia, sonha em se tornar aviadora e, à noite, canta nos esfumaçados clubes de jazz de Seattle. Henry Bishop nasceu a alguns quarteirões e milhares de mundos de distância: um garoto branco com o futuro garantido, uma rica família adotiva em meio à Grande Depressão, uma bolsa de estudos para a faculdade e todas as oportunidades do mundo. Os dados foram lançados. Mas, quando seres humanos fazem suas próprias jogadas, ninguém pode prever o que acontecerá em seguida.
Flora e Henry não se conhecem, ou, pelo menos, acreditam que não, mas o Amor e a Morte os escolheram como jogadores em 1920, na maternidade, quando ambos nasceram. Agora, mais maduros e prontos para jogarem com as suas próprias vidas, eles se encontram para que o jogo finalmente comece.
Henry e Ethan são convocados para irem até a pista de aviação escrever uma matéria para o jornal sobre o avião mais rápido do planeta, mas é lá que Henry encontra Flora, a aviadora responsável pela fama da aeronave. Ethan sabe que o pai não vai aceitar uma matéria sobre uma jovem aviadora negra, mas faz seu trabalho com destreza e descobre sobre a casa noturna. Henry, então, acaba convencendo o amigo de ir até o local e descobre outra habilidade da mulher: a voz incrível. Assim, ele passa a ir sempre ao Dominó para assistir a apresentação da moça e, quem sabe, tentar uma aproximação.

Flora tem consciência da presença de Henry em suas noites de estrela e faz de tudo para disfarçar a curiosidade, mas é inevitável. Quando o rapaz aparece procurando por ela, ambos não conseguem fugir da ligação forte que os atraem, o que os faz se aproximarem em meio à música e ao calor do momento. Mas há uma voz na cabeça de Flora lhe dizendo o quanto é errado que um rapaz branco e de classe alta se envolva com uma moça como ela: negra e de classe baixa. Henry não liga para estereótipos, no entanto, a sociedade cruel de 1937 não pensa dessa forma.
Henry está nas mãos do Amor, que o incentiva a sempre ter esperança de dias melhores. Flora, por outro lado, está nas mãos da Morte, que lhe tira tudo que é mais valioso. Enquanto isso, o Amor e a Morte estão do lado de seus respectivos jogadores, prontos para interferir no que for necessário. Mas será que só isso será o suficiente?

O Jogo do Amor e da Morte é um livro sensível e bastante diferente do que estou acostumada a ler quando se trata de romances. Ele traz uma visão muito clara das teorias que se passam em nossas cabeças sobre o destino. Eu, por exemplo, sempre pensei na questão de sermos meros jogadores de algo grandioso, mas jamais havia imaginado colocar dois sentimentos tão distintos como responsáveis por tudo. Enquanto a leitura fluía, minha cabeça voava longe, interpretando e deduzindo cada detalhe da narrativa, e, é claro, pensando como seria se algo parecido realmente fosse real. É estranho imaginar que poderíamos estar sendo controlados pelo Amor e pela Morte, não? Certamente seria um achado indescritível.

A narrativa é dividida entre os personagens e os capítulos são curtinhos, o que ajuda muito na hora da leitura, mas senti que a história em si não foi bem trabalhada. O final foi simplesmente a coisa mais decepcionante do mundo, pois detonou todo o drama construído desde o começo, criando um clichê excessivo sem nexo. Além disso, a decisão da autora de materializar o Amor e a Morte acabou estragando a magia do contexto. Ela poderia ter colocado os dois de outra forma, talvez com mais simplicidade, que é justamente o que representam. Mas, apesar dos pontos negativos, confesso que fiquei bem feliz por ver uma história que se passa em tempos antigos contextualizando sobre a homossexualidade, mesmo que de maneira singela e por entrelinhas.
Quanto à diagramação, só posso dizer que a capa está um espetáculo de linda e as cores opostas se sobressaem com naturalidade, representando a história em si. Eu não gostei muito da fonte escolhida para os títulos, mas acabei deixando isso passar em branco, já que é só uma questão de gosto mesmo. O espaçamento entre as palavras e as linhas é confortável aos olhos e as folhas amareladas são minha grande paixão. Juro que não tenho nada muito negativo para dizer, uma vez que a editora mandou super bem nesse quesito.

No mais, é um livro gostoso de ler e vale a pena conhecer os personagens. Ele me decepcionou, sim, mas a história é boa e traz citações que fazem o leitor parar e pensar sobre a vida, sobre suas escolhas. Sinto que fiquei um pouco diferente depois da leitura, já que toca justamente em um assunto tão íntimo. Aliás, aqueles que querem ou precisam entender um pouco melhor sobre o amor, saibam que este livro é ótimo para isso. A gente nunca está preparado para perder alguém. Somos capazes de fazer de tudo por uma única pessoa, não é?

20 comentários:

  1. Oie! Que bom que no final você não achou o livro de todo ruim, se eu recebesse visitinha do Correio com livros de graça acho que só conseguiria ficar feliz, ahahha, mas é muita pressão mesmo.
    Enfim, eu estava lembrando da grande decepção que tive com "Quem é você Alasca", é uma pena que depois eu não mudei de ideia, fiquei tão triste.
    Beijos :*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu fiquei mega feliz, mas depois comecei a pensar no tempo corrido e na quantidade de resenhas que precisaria fazer rs. Acabei meio desanimada, mas ainda assim é gratificante ♥ Quem é você Alasca é um dos meus livros preferidos. Acho que só gosta quem realmente enxerga as entrelinhas da história, sabe? Vale a pena tentar ler novamente.

      Excluir
  2. Que resenha linda! Que capa maravilhosa! E essas fotos? Que delícia que deve ser receber milhares de livros de editoras parceiras! Meu sonho conseguir ao menos uma parceria... Você escreve lindamente!
    Beijos
    Check-in Virtual

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também não tinha conseguido ano passado, mas este ano me empolguei e me inscrevi para várias ♥ Uma hora eles te chamam, tenho certeza.

      Excluir
  3. Nossa, definitivamente não é meu tipo de livro. Quando se trata de sensibilidade eu gosto muito de Mitch Albom e Alessandro Baricco. Mas a resenha tá bem escrita. =D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu não conheço nenhum dos dois autores, mas dando uma pesquisa percebi que também não faz muito meu tipo rs. Uma pena.

      Excluir
  4. Oi, Kelly.
    Puxa estava toda empolgada com sua resenha, mas ganhei um balde de água fria ao saber que o final a autora viajou na maionese é tão ruim quando isso acontece né.
    Beijo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É bem ruim quando a gente se empolga com o enredo e, no fim das contas, tudo dá errado rs. Mas se gostou da história, talvez venha a curtir o livro. Vale a tentativa ♥

      Excluir
  5. Que bom que no final resolveu manter o sentimento de felicidade por receber muitos livros hahahah
    A história do livro em si parece ser bem interessante. Não é o tipo de gênero que me atrai, mas o fato de ser contada em tempos antigos ganha ponto, pois amo histórias antigas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também gosto de história de época, principalmente quando envolve muito romance e certa desconstrução do mesmo, sabe? É muito bom saber que curtiu o enredo, tomara que consiga ler o livro ♥

      Excluir
  6. Gostei da capa do livro, e parece mesmo uma história envolvente. Curti super sua resenha, bem escrita e sincera. Parabéns ♡

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, que bom que gostou da resenha, fico bem felizinha sabendo disso ♥ A capa é linda, né?

      Excluir
  7. Oi linda! Gostei da sua resenha e sinceridade ao falar do livro.
    Eu achei a capa uma gracinha ❤

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A capa do livro é um amor ♥ Que bom que curtiu a resenha.

      Excluir
  8. Adorei saber um pouco mais sobre a história de Flora e de sua avó. Amo histórias assim. Estou com muita vontade de ler 😍😍

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espero que possa ler em breve. É uma história bacana, apenas mal elaborada, mas, ainda assim, bacana ♥

      Excluir
  9. Oi Kelly, tudo bem? A capa do livro é realmente diferente e chama bastante a atenção. Conforme fui lendo o post fui ficando tão curiosa pra saber o que aconteceria com Henry e Flora. Mas quando você disse que deixou a desejar senti uma pontinha de tristeza. O enredo realmente promete uma história incrível. Assim como você eu também crio muita expectativa quando vou ler um livro. E quando não atende me pergunto se era somente aquilo haha Acredito que falta criatividade para alguns autores no final do livro. Gostei muito da resenha. Beijos, Érika =^.^=

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É muito bom saber que ficou curiosa quanto a história e que se interessou pelo enredo, uma pena que as nossas expectativas não tenha batido aieuiaueh. Gostaria mesmo que o final tivesse sido diferente e que houvesse aquele quê a mais, sabe? ♥ Bom, espero que ao menos você curta a leitura.

      Excluir
  10. Eu achei a capa super bonita e apesar de você ter falado que o final foi decepcionante, eu acho que mesmo assim compraria. Não acredito em destino e nem que sejamos controlados por uma força maior, acredito que nossa vida seja resultado das atitudes que tomamos, mas gosto de ler coisas sobre essa temática. Amei sua resenha, completa e sincera! Um beijo,
    Skyscrapers

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que a pegada da história é justamente essa discórdia que temos com o destino, sabe? Ela mostra o quanto as nossas atitudes podem ser fundamentais para que conquistemos algo grandioso ♥ Fico bem feliz que tenha gostado da resenha e do livro, espero que o leia.

      Excluir

Design e conteúdo por Kelly Mathies | Tecnologia do Blogger | Com amor ❤