20 julho 2017

Minha Vida Fora dos Trilhos

Em clima de última semana de férias, vasculhei minha estante com todos os livros que preciso ler até outubro e separei os mais importantes. Alguns são romance, outros são suspense e ainda há aqueles que se encaixam em inúmeros outros gêneros. O primeiro a ser lido, por exemplo, foi Minha Vida Fora dos Trilhos, um recebido lindo da DarkSide que fez meu coração se portar com mais cuidado no fim da leitura. Ele foi escrito pela mesma autora de Em Algum Lugar nas Estrelas, livro da qual até fiz resenha aqui no blog. Apesar de abordar um contexto diferente, Clare Vanderpool trabalhou mais uma vez a perda de forma intensa e sensacional, misturando momentos presentes com lembranças detalhistas do passado, trazendo à tona o poder de uma boa história.
Abilene é uma garota curiosa e aprendeu desde cedo como é cuidar de si mesma. Seu pai, Gideon, trabalha em uma estrada de ferro em Iowa, por isso, quase sempre está ocupado, mas a menina adora suas historias sobre os tempos passados. No entanto, foi quando ela machucou os joelhos e ficou de cama por alguns dias que ele percebeu o quanto estava distante da filha e resolveu mandá-la para Manifest, uma pacata cidade do Kansas da qual viveu boa parte da infância. Abilene, então, pegou suas poucas coisas, juntamente com alguns recortes de jornais velhos e uma bússola antiga do pai, e partiu para longe em um trem, para morar por um tempo com um antigo amigo de Gideon.

Título: Minha Vida Fora dos Trilhos
Autor: Clare Vanderpool
Páginas: 320 páginas
Editora: DarkSide Books
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Abilene Tucker tem apenas 12 anos, mas é corajosa e impetuosa o suficiente para encontrar aventuras na pequena cidade de Manifest, no Kansas, um fim de mundo para onde seu pai a enviou de trem para passar o verão sob a tutela de um velho conhecido enquanto ele trabalha em uma ferrovia. O que parecia ser o período mais solitário e entediante de sua vida, ganha um novo e surpreendente rumo quando Abilene encontra uma velha caixa de charutos com cartas antigas e pequenas lembranças de outros tempos. Aos olhos curiosos da menina, a caixa se torna uma verdadeira arca do tesouro, em que segredos enterrados conectam dois momentos da cidade.
Tudo que Abilene sabia sobre Manifest estava descrito nas colunas de Hattie Mae e nas histórias que Gideon gostava de lhe contar. Por isso, quando chegou ao local e conheceu Shady, o pastor que cuidaria dela na temporada de verão, assim como uma casa um tanto quanto sombria com letreiros que formavam a palavras PERDIÇÃO, a menina se viu perdida entre os pensamentos que alimentava toda vez que ouvia uma nova história. Então, quando descobriu uma antiga casa da árvore e uma caixa de charutos escondida, Abilene começou a entender melhor os fatos e os habitantes da região.

A caixa de charutos continha um mapa, uma rolha, um anzol, uma chave bonita, um dólar de prata e uma bonequinha de madeira do tamanho de um dedal, juntamente com inúmeras cartas que marcaram a trajetória de Ned e Jinx, dois amigos que foram separados pela guerra e que mantinham contato por meio de cartões postais. Em uma dessas cartas, Abilene ficou sabendo sobre O Cascavel e não contou tempo para começar a investigar sobre quem poderia ser. Para resolver o mistério, a menina contou com o auxílio de Ruthanne e Lettie, duas garotas da escola que deveriam ajudar a forasteira a escrever uma história para a Irmã Redempta.
Assim, as três começaram a procurar pistas que poderiam levá-las a um poço de respostas, mas tudo que Abilene encontrou foi problema. Em sua tamanha curiosidade, ela quebra um artigo valioso da Srta. Sadie, a vidente que mora na casa escura e sem vida com o portão da perdição, e perde sua bússola de ouro. Para quitar a dívida e receber de volta seu objeto precioso, a menina aceita trabalhar para a mulher. Mas é assim que Abilene fica sabendo sobre a vida de Jinx.

Uma vez que a Srta. Sadie sabe sobre tudo e sobre todos, a garota resolve explorar as lembranças e as histórias da vidente, passando a achar um sentido para os tesouros que encontrou na caixa de charutos, assim como outras surpresas que foram se formando com o passar dos dias de trabalho. Além disso, Abilene também começa a entender sobre o passado do pai em Manifest e as terríveis doenças que tiraram a cor da vida de alguns habitantes do lugar. Afinal, túmulos escondidos em lugares distantes e pessoas de olhares vazios precisam ter uma explicação plausível, ou, ao menos, um pouco sensata.

Minha Vida fora dos Trilhos é de uma narrativa simples e detalhista, exatamente como Clare gosta de nos apresentar. A escrita da autora é leve e foca em todos os pensamentos da personagem principal, trazendo à tona a sensação de descobrir o mundo pela primeira vez. Os capítulos são curtos e separados pelos lugares que Abilene visita, pelas histórias que a Srta. Sadie conta e pelos recortes dos jornais que a menina carrega ou encontra na redação com Hattie Mae. Confesso que a leitura de alguns capítulos acabaram se arrastando para mim, já que as histórias contadas são intensas, mas percebo que isso só fez o livro se tornar ainda mais rico em conteúdo.
Os personagens da obra foram criados com perfeição e todos carregam suas características únicas, mas admito que senti falta de mais detalhes sobre o pai de Abilene, mesmo que ele seja citado a todo momento. Acho que a autora poderia ter explorado um pouco mais a partida da menina, pois a história começa com ela já no trem, indo para Manifest, o que faz o leitor ficar um tanto quanto perdido, buscando alternativas para compreender o que acontece com Gideon ou com sua escolha de mandá-la para longe. No entanto, mesmo com essa falha, pude me identificar diversas vezes com os pensamentos ou sentimentos da menina.

Diferentemente de alguns livros lidos atualmente, Minha Vida Fora dos Trilhos me fez uma pessoa um pouquinho mais completa. Pude sentir as angústias de uma menina forçada a morar longe de quem ama, rodeada por pessoas estranhas. A história não é feita pelos acontecimentos, mas, sim, pelos personagens, o que a torna tão real e tão distante ao mesmo tempo. A autora, no final da obra, ainda cita cada ponto fictício e cada ponto verdadeiro que serviu de inspiração para a construção dos caminhos percorridos pelo passado descrito. Acho que todo mundo deveria e poderia ler o livro com grandes expectativas, pois ele as superará com certeza.

4 comentários:

  1. Parece bem interessante, adorei o mapinha, detalhes que fazem a gente se apaixonar pelo livro né

    beijooos
    Le Duo

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    1. Os detalhes sempre fazem os olhos brilharem ♥

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  2. Ainda não conhecia o livro. A DarkSide é uma editora muito fofa, muito preocupada com os detalhes, achei a capa e as páginas lindas.
    Fiquei curiosa sobre os segredos que a caixa de charutos guarda, espero poder ler este livro!

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    1. A Caveirinha manda muito bem nas publicação e sempre se supera no quesito cuidado com os leitores ♥ Acho isso lindo. Espero que consiga ler o livrinho em breve.

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