13 fevereiro 2017

A Sorte do Agora, de Matthew Quick

A primeira ver que li um livro do Matthew foi há alguns anos atrás. A escrita dele era leve e sincera, quase como se o personagem fosse uma pessoa qualquer que estava do meu lado, vivendo sua vida da melhor forma possível. Isso me fez ficar curiosa sobre algumas de suas obras, como O Lado Bom da Vida, que me ensinou melhor do que nunca sobre gentileza e esperança. Mas então eu me deparei com este livro. Ele me cativou em um primeiro momento e a história tinha tudo para ser incrível, mas senti como se estivesse lendo um livro infantil, com pensamentos extremamente puros até para um homem de 39 anos que morou a vida inteira com a mãe. É como se o autor não tivesse se conectado com o personagem, elaborando uma vida aleatória para ele. Foi decepcionante.
Bartholomew é um homem simples que deixou de lado a sua própria vida para cuidar da mãe em estado terminal. Um câncer no cérebro, parecido com os tentáculos de um polvo, tomaram a vitalidade da mulher. Ela era apaixonada por Richard Gere. Seus últimos dias foram regados a presença constante do astro lhe fazendo mimos, já que sua mente estava fraca demais para distinguir o próprio filho de um ator reconhecido. Bartholomew não se importava com a ideia de ser esquecido, afinal, sua mãe estava feliz. Quando ela morreu, ele encontrou uma carta secreta em meio as calcinhas da mãe e resolveu dar o primeiro passo para sair do luto: escrever para o astro de Hollywood. 

Título: A Sorte do Agora
Autor: Matthew Quick
Páginas: 224 páginas
Editora: Intrínseca

Bartholomew Neil passou todos os seus quase 40 anos morando com a mãe. Depois que ela fica doente e morre, ele não faz ideia de como viver sozinho. Wendy, sua conselheira de luto, diz que ele precisa abandonar o ninho e fazer amigos. Mas como um homem que ficou a vida toda ao lado da mãe pode aprender a voar sozinho? Bartholomew então descobre uma carta de Richard Gere na gaveta de calcinhas da mãe e acredita ter encontrado uma pista de por quê, afinal, em seus últimos dias, ela o chamava de Richard... Só pode haver alguma conexão cósmica. Convencido de que Richard Gere vai ajudá-lo, o homem começa uma nova vida escrevendo uma série de cartas altamente íntimas para o ator. De Jung a Dalai Lama, de filosofia a fé, de abdução alienígena a telepatia com gatos, tudo é explorado na escrita que não só expõe a alma de Bartholomew, mas, acima de tudo, revela sua tentativa dolorosamente sincera de se integrar à sociedade.
Sem ideia de como viver sua nova vida, o homem encontra nas cartas que escreve uma forma de ter contato com alguém além de Wendy e o padre Mcnamee, afinal, seu pai fora assassinado por ser muito religioso e de uma fé inabalável. Wendy é uma garota incrível e de uma energia sem igual, mas o homenzinho que vive no estômago de Bartholomew não é muito fã das palavras de apoio da conselheira. O padre, por outro lado, acaba enlouquecendo, ou, pelo menos, é o que as outras pessoas falam. Ele larga a igreja e vai morar com Bartholomew dizendo ter uma missão. Mcnamee espera que Deus fale com os dois e que algo extraordinário aconteça, mas ele não está mais conseguindo ouvir o Senhor e passa boa parte dos dias rezando. 
Para fugir da realidade, o homem solitário costuma ir à biblioteca e analisar as pessoas, principalmente a meninatecária, como gosta de chamar a mulher que trabalha no local. Ela é sempre reservada e cuida dos livros como se fossem joias preciosas. Bartholomew sonha com o dia em que vai ter coragem de chamá-la para sair e pede ajuda a sua conselheira de luto, o que a anima, já que ela quer que o rapaz trace objetivos. Mas há uma condição: ele precisa frequentar o grupo de apoio. O homenzinho no estômago de Bartholomew não gosta nada da ideia, mas a proposta acaba sendo aceita. Lá, ele conhece Max, um sujeito estranho e bastante revoltado com a vida que é apaixonado por gatos e que acredita no poder alienígena.

Mas a vida não é um conto de fadas. Acontecimentos pesados fazem com que o padre e Bartholomew se envolvam no relacionamento de Wendy e planejem uma viagem inesperada. O homem passa a acreditar em forças cósmicas e alienígenas. Todas as suas certezas são colocadas em dúvida e aquilo da qual tanto tem fé se esvai. Ele vai seguindo a vida com a ajuda de Dalai Lama e filosofias da qual Richard Gere o apresentou, mas são seus novos amigos que o fazem enxergar a realidade.
A escrita é bastante leve e ingênua, trazendo questões sobre amizade, fé, amor, gentileza e perdão. A história vai fundo nos sentimentos mais sinceros e faz o leitor refletir a todo instante. A diagramação, apesar de todos os pontos ruins, está impecável. A capa é linda, não há erros de revisão, as folhas são amareladas e mais grossinhas. Quanto a leitura, eu entendo que a falta de contato com o mundo e com a sociedade façam de Bartholomew um homem sem muitos aprendizados e com a mente incompatível para alguém da sua idade, mas me senti completamente fora de contexto. O livro me pareceu pouco trabalhado e os personagens soam aleatórios, como se não fizessem parte. A ideia do autor é genial e eu daria tudo para ver um novo enredo para esta história. 

Assim como em O Lado Bom da Vida, a obra também me trouxe um punhado de aprendizados que provavelmente levarei comigo para o resto da vida, mas não o lerei novamente. Tive tanta dificuldade em terminar a leitura que até me sinto mal por interpretar a história dessa forma. Sei que muitas pessoas são apaixonadas pela obra e pelo autor, não tiro seus motivos, mas eu realmente não me senti conectada. O grande problema, aqui, não é o livro ser ruim. Ao meu ver, o autor imaginou uma história sensacional, mas não soube como colocá-la no papel. 

28 comentários:

  1. Não sei se foi a sinopse, a capa ou a resenha, mas mesmo com os pontos negativos que você enumerou ainda me deu vontade de ler. Isso porque eu associei com um filme meio thriller, meio non-sense, em que o protagonista tem esse apego com a mãe e ela morre quando ele completa 50 anos. Só que ele pira bem mais que o personagem desse livro: ele desenterra corpos do cemitério para servir de base para reconstruir a pele do corpo de sua mãe, e ele passa a guardar dentro da própria casa uma versão com restos mortais da mãe e vários corpos mutilados de pessoas aleatórias. Ok, é muito, muito nada a ver com o livro e bastante creepy, mas esse apego foi o que me lembrou em ambos os protagonistas. Ainda fiquei com uma vontade de ler. Talvez me convença.


    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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    1. É um livro interessante, sabe? Acho que cada leitor vai ter um resultado diferente de leitura, então acaba sendo interessante você ler e tirar as suas próprias conclusões. Eu, particularmente, não me senti atraída pela história, mas quem sabe você goste, não é? Agora, sobre a história que acabou de me contar, eu tô tentando aceitá-la numa boa, mas está meio complicado rs. Que coisa bizarra. É literalmente um creepy bem bizarro, mas parece ser interessante.

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  2. Capa linda!
    Eu li O Lado Bom da Vida
    Não me lembro se gostei, mas foi uma leitura super rápida.
    Só queria ler pelas lições que você disse :)
    Quem sabe um dia rs

    xoxo

    http://rascunhosehistorias.blogspot.com.br/

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    1. O Lado Bom da Vida é um amorzinho, eu senti falta de algumas coisas na história, mas achei muito boa ♥ Tomara que consiga ler este e que goste. As lições são boas.

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  3. Oi, Kelly.
    Eu li esse livro já faz um tempo, mas ele tem meu coração todinho. A história é tão simples e de uma ingenuidade que tudo que senti vontade era de pegar o Bartholomew pela mãos e dizer que tudo vai dar certo.
    Feliz que tenha gostado também.
    Beijo

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    1. Eu não consegui sentir isso, Cami. Parece que o personagem não foi trabalhado como deveria e que suas ingenuidades não condizem. Até gostei sim, mas apenas da ideia da história.

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  4. Não conhecia o livro, me apaixonei... Resenha maravilhosa.

    Beijo da Kah
    Blog Mundo da Kah

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  5. Ainda não li nenhum livro dele, pela falta de oportunidade mesmo, porque depois de ver o filme de O Lado Bom da Vida, morro de vontade de conhecer a escrita do autor.
    Mesmo com os pontos negativos que você enumerou, estou com vontade de ler. E a capa é muiiiito linda.

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    1. O livro desse filme é muito bom mesmo, senti a narrativa um pouco arrasta de vez em quando, mas vale muito a pena conhecer a história escrita ♥ Quanto a Sorte do Agora, já que lhe interessou, espero que goste. A capa é lindíssima.

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  6. Conheço o autor apenas de resenhas que li de O lado bom da vida e um outro livro que não lembro qual é agora. Acredito que pelo o que as pessoas comentam dos outros livros, ele deve escrever bem. Porém, entendo o seu ponto de vista sobre A sorte do agora. Eu gostei bastante da história e talvez eu dê uma chance para ela, mas acho que se eu for ler alguma coisa do autor será O lado bom da vida, pois você me despertou curiosidade demais para ler esse, ao falar dos aprendizados. Caso eu goste, penso se leio ou não A sorte do agora. Parabéns pela resenha, gosto quando as pessoas são sinceras. Continue assim e sucesso!

    Com amor,
    Rascunhos de Tom

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    1. Ele é autor muito bom, no sentido de escrita ele manda super bem, mas já percebi isso em O Lado Bom da Vida também, em que ele se perde nos pensamentos e cria momentos sem nexo, totalmente non-sense que faz o leitor se perder e deixar de gostar do livro. Mas O Lado Bom da Vida é incrível, diferentemente deste. Tenho certeza de que você vai tirar um punhado de coisas sensacionais da história. Espero que tire um tempinho para ler ♥

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  7. Não conhecia esse livro ainda, mas me pareceu bem interessante pela história do Bartholomew que se dedicou a cuidar da mãe. Muito lindo <3

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    1. Essa parte é muito bonita, né? Que bom que se interessou pela história, espero que consiga ler em breve ♥

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  8. Acho que já disse isso no outro post, mas se não disse, digo aqui: Sua resenha é muito boa! Você expõe muito sobre a história sem qualquer spoiler que faça perder a graça da leitura! Eu amo o lado bom da vida, mas confesso que pelo o que li o livro parece ser bem difícil de terminar a leitura mesmo, como você disse. Mas, ao mesmo tempo, é muito bom que traga tantos aprendizados, né?

    Beijos,

    www.rodoviadezenove.com.br

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    1. Nha, fico bem feliz por ler isso ♥ O Lado Bom da Vida é um livro sensacional, ele carrega muita coisa. É uma pena que este não siga o mesmo ritmo, mas sempre há quem goste, não é? Vale a pena tentar.

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  9. Oii Kelly, tudo bem? Na hora que vi teu post eu já lembrei que amo o autor, mas acabou acontecendo a mesma coisa com você, não me prendi. Eu gosto da forma de escrita e do tema, mas não entendo o que faltou pra eu me agarrar no livro e não soltar mais. Sem contar que eu não leio nenhum livro duas vezes, exceto Dom Casmurro (Machado de Assis) HAHAHAHA. Beeeijo

    http://www.verdadeescrita.com/tem-todo-esse-caos/

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    1. Eu também não costumo ler livros mais de uma vez, é bem raro quando isso acontece, então meio que aqueles que não foram aprovados já eram aiheiuaeh. É uma pena, infelizmente, mas não custa nada conhecer a história, né? É muito bom que goste do autor ♥

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  10. Adorei a capa do livro, achei linda. E a história me pareceu muito Boa, uma pena o contexto não se encontrar pra você, é muito ruim quando isso acontece né? Já assisti o filme O Lado Bom da Vida e gostei muito. Beijos

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    1. A capa é mesmo um encanto, acho que é uma das mais bonitas que tenho na estante, é realmente uma pena que o conteúdo não seja da mesma altura rs. Mas tudo bem, faz parte e valeu a pena conhecer a história ♥ O Lado Bom da Vida é incrível.

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  11. Quando a gente não sente a conexão, não adianta, né? Várias vezes eu quis muito gostar de um livro porque muitas pessoas que eu conhecia tinham amado e eu queria sentir aquilo também, mas não rolava. Sinto até uma agonia quando isso acontece porque estou perdendo meu tempo com uma leitura que não estou gostando, mas ao mesmo tempo a agonia é ainda maior se eu abandono o livro antes de finalizá-lo...

    Gostei muito da resenha, foi muito sincera e bem feita! Beijo <3

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    1. Infelizmente é muito ruim mesmo. A Sorte do Agora é um grande exemplo rs. Vejo muita gente falando dele, elogiando aos montes, mas me perdi tanto na narrativa, senti que faltou tanto conteúdo, que é meio difícil gostar também só para ir na onda rs. Eu também tenho essa agonia de não finalizar uma leitura, parece que ficou um pedaço de mim no meio do caminho aiuheihau. Enfim, fico feliz que tenha gostado ♥

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  12. Só tu consegue fazer uma resenha com opiniões negativas e ainda me deixar com vontade de ler o livro haha
    Acho que apesar de tudo vale a pena ler, tem cara de ser um livro com uma lição interessante e convenhamos que essa capa convence qualquer um a comprar kkk AMEI sua resenha e mais ainda as fotos ♡

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    1. Ah, isso é muito bom, né? aiueaeiuh ♥ Super concordo que a capa acaba convencendo a compra, isso é bem verdade. Por mais que o conteúdo não tenha me agradado, vai que te encanta, né?

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  13. É muiito ruim quando os personagens não é tão bem desenvolvido, adorei sua resenha, seu jeito de falar sobre o livro e principalmente sua sinceridade

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    1. Não são bem os personagens, nesse caso, é a história em si que foi mal contada rs.

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  14. Olá! Menina, confesso que a gente, quando lê resenhas de livros, sempre espera que seja algum livro que não vá chamar tanta atenção assim... Você fez uma ótima resenha e realmente fiquei super curiosa pra ler, achei o enredo tão diferente e bonito, vou procurar esse livro!!!!

    bjs
    Inajara
    www.vintageandgeek.com.br

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    1. Poxa, mesmo com todos os pontos negativos, fico feliz que tenha se interessado pela história, espero que goste de ler ♥

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