27 janeiro 2017

Manual da Autoestima: segundo desafio

Falar sobre nós mesmos não é uma tarefa tão simples assim. Quem me acompanhou com o primeiro desafio do projeto sabe poucas e boas coisas sobre mim, principalmente no que diz respeito a minha aparência. Às vezes é complicado se olhar no espelho e enxergar algo além daquilo que não nos faz feliz. Há momentos, admito, em que paro somente para analisar as imperfeições e deixo que o amor próprio caia no chão. No entanto, sei do fundinho do coração que isso não me define. Essas imperfeições não me tornam nada tão ruim assim. Então, diante dessas conclusões, surge a segunda parte do projeto. Ver por dentro das rachaduras é um tanto vago, mas sempre vai existir pontos-chave que nos fazem ter orgulho do que somos. O desafio, desta vez, é listar cinco coisas que eu mais admiro em mi mesma, ou seja, meus cinco pontos-chave.

Meus olhos sem definição

Eu nunca gostei muito da cor dos meus olhos. Eles não são verdes, mas também não chegam a ser castanhos. É uma mistura louca que se transforma o tempo inteiro. Mas eu também nunca tinha parado para prestar atenção nessas mudanças aleatórias, até que me dei conta. Eles me representam por completo e isso não poderia ser diferente. Não os admiro somente pela cor, mas pela possibilidade de ver um lado mais bonito da vida sem grandes expectativas. Felizmente aprendi a enxergar o mundo de forma mais leve, um pouco mais colorido, com pessoas interessantes.

Minha sinceridade

Há quem diga que sou uma grosseirona em perfeito estado. Estou tão acostumada a ouvir isso que não me magoa mais quando vem de quem não me conhece, mas confesso que me machuca quando escuto de quem convive comigo por anos. Eu nunca fui uma pessoa ignorante que fala as coisas para ferir os outros. Tenho todo cuidado do mundo nesse tipo de coisa. Mas eu sou sincera. Eu não sei dizer sim quando minha vontade é de gritar um não. Não sei aceitar aquilo que vai contra os meus ideais ou o meu estado de espírito. As pessoas não olham isso como algo positivo, elas simplesmente fecham a cara. Mas, apesar disso, admiro minhas verdades.

Minha mente inquieta

Ficar parada por cinco minutos é um tempo agradável, mas minha imaginação é tão feroz que qualquer segundo além disso me deixa inquieta ao extremo. Desde pequena ouço as pessoas me dizendo que não é possível fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas só eu sei o quanto estão erradas. Minha mente é de uma alucinação imensa. Eu não sei ver televisão sem pegar um papel para rabiscar, um livro para analisar ou uma decoração nova para testar. Faço duas, três, quatro coisas ao mesmo tempo. Cada parte do meu corpo se concentra em uma tarefa e ainda assim não deixo passar nada. Meu sentimento é de gratidão. Isso me poupa de pensar besteiras.

Minhas pintinhas

Quando era pequena, tinha aversão as pintinhas que cercam meu corpo. Acabei crescendo com esse sentimento e o alimentando cada vez que aparecia uma nova. No entanto, há alguns anos atrás, uma menina com seus dois ou três anos ficou me olhando com cuidado e disse que as pintinhas do meu braço pareciam constelações. De lá para cá, passei a amar meus sinais, por mais bobo que isso pareça. 

Minha positividade

Por último, meu sentimento mais amorzinho. Eu cresci em meio a pessoas que fazem de tudo para criticar e deixar o outro no fundo do poço. Cresci com brigas, impossibilitada de dar minha própria opinião, até mesmo quando tinha uma. Eu fui calada por diversas vezes e isso só me fez ser ainda mais fechada. Mas hoje não. Parei para pensar sobre o assunto algum tempo atrás e me dei conta de que sempre vai existir alguém para me colocar no chão, então comecei a ter uma atitude contrária. Dizem que tudo que desejamos aos outros acaba voltando para nós, não é? A partir daí, passei a ignorar o que não me cabe, a prestar atenção no que é útil e tentar olhar o lado bom das coisas, mesmo que esteja tudo de cabeça para baixo. A vida é uma bagunça, mas aprendi que não vale a pena focar nisso. Há outras coisas por aí. Coisas incríveis.

22 comentários:

  1. Nunca me identifiquei tanto com um post. Também cismava com a cor dos meus olhos, não são verdes nem azuis, mas com o tempo fui criando um amor pelos meu mel e hoje é a parte que mais gosto em mim. Parabéns pela matéria <3

    http://giselleovits.blogspot.com.br/

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    1. Com o passar do tempo a gente começa a perceber que aquilo que nos incomoda pode ser um ponto crucial de quem somos, por isso nos damos conta de que é lindo ser assim ♥ Fico bem felizinha sabendo que conseguiu se entender com seus olhos de mel rs.

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  2. Que lindo. Aprender a nos amar, a nos aceitar como somos é algo maravilhoso. Eu tinha aversão a minha pela extremamente branca, com sardas e tudo, que me impossibilita até hoje de tomar até o mais fraco do Sol, mas hoje eu aprendi a gostar e cuidar de mim como sou.
    Beijos

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Compartilho da sua frustração da pele extremamente branca, mas sabe que hoje é uma das coisas que mais gosto em mim? ♥ É bom saber que também aprendeu a amar sua pele clarinha.

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  3. Somos muito parecidas na parte da sinceridade. As pessoas me julgam ser grossa ou até mesmo fria, dizem que não tenho coração. Só que elas não percebem que, as vezes, querem demais de mim, quando não posso dar. Em alguns casos, penso primeiro em mim, sim. Sem contar que sou muito séria, embora eu ria o tempo todo, lido com muita seriedade a vida. Por isso sou muito sincera.
    Sobre ser inquieta, partilhamos disso também. Aliás, sabia que uma revista de exames comprovou que as mulheres conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo e os homens não? Acho que essa inquietude vem disso também, o fato de não focarmos numa só coisa, mas sim, em várias ao mesmo tempo.
    Sério que tu não gostava das tuas pintinhas? Eu também tenho várias e sempre amei. Por falar em constelações, tenho 3 pintinhas no rosto e nas costas, ambas no mesmo formato, o das estrelas 3 Marias. Acho que sempre gostei das minhas por isso, as pessoas sempre falavam delas.
    Sobre a positividade eu te invejo (da melhor forma, a inveja branca ok? rs), pois eu ainda sou metade sabe? As vezes, muito positiva, outras muito negativa. Acho que por isso eu me considero uma lua, cheia de fases.

    Amei teu texto e adoro quando escreve sobre esse tipo de coisa. Não é a toa que está no meu blogroll. Muitas pessoas precisam ler isso, para aprender a se amar, até mesmo os defeitos. (OBS: escrevi um texto nos comentários, foi irresistível).

    Beijos,
    Blog Gaby DahmerFanpage

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    1. Amo comentários em forma de texto, melhor coisa rs ♥ A sinceridade realmente é um ponto complicado, né? A gente vive em um mundo repleto de máscaras e falsidades, ou seja, quando alguém fala o que realmente precisamos ouvir, acabamos com um pé atrás e milhares de julgamentos. Nem sempre temos disposição e vontade de fazer o que os outros querem ou gostam, também precisamos pensar em nós mesmos.
      Admito que sabia sim desse estudo e super concordo com ele. É impossível pegar duas coisas e não conseguir fazê-las. Com a prática e a vontade cada vez maior de colocar tudo em ordem a tendência é se aperfeiçoar cada vez mais rs. Adoro isso.
      Eu detestava minhas pintinhas, mas hoje é só amor envolvido. Acho lindo ficar reparando nos outros, inclusive aueaueh. Essa parte delas formarem desenhos é surreal, né? Parece um aviso de algo que importa para nós. Eu tenho uma meia lua ao redor do cotovelo, começa com sinais maiores e termina com um pequeno. Acho fofo ♥
      É muito bom ser uma lua, isso faz sua vida não ser tão monótona e ter alguns dramas envolvidos rs. Não há nada de errado em ter alguns pensamentos melancólicos de vez em quando, faz parte do que vivemos. Não se sinta mal por isso. Enfim, muito obrigada pelas palavras e por ter compartilhado seus pontos, eu adoro ler esse tipo de coisa também. Tô bem felizinha com teu comentário ♥

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  4. Primeiro queria dizer que esse projeto é muito amor (e imagino como deva ser difícil). Segundo, mais amor ainda é a tua listinha ♥ meus olhos são como os teus, indefinidos. Demorei também para gostar deles, hoje acho incrível esse misticismo. E sou a rainha das pintinhas. Ainda não sei o tanto que amodeio.

    Beijo imenso ♥

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    1. É um pouco complicado, mas vale a pena ♥ É muito bom saber que gosta do misticismo da cor dos teus olhos, eu acho lindo e aprendi a gostar também. É diferente. E tente amar suas pintinhas mais do que odiar rs, quem sabe equilibra.

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  5. Hey! Como estamos? Eu gostei mt do seu relato e, como vc, eu me olhava no espelho por tanto tempo procurando defeitos que esquecia aonde estava o amor próprio. Não gostava de tanta coisa em mim, pq os coleguinhas da escola zoavam, pq eu achava que estavam fora dos "padrões de beleza"... mas ainda bem que a gente cresce e começa a se olhar com outros olhos... sempre falo que se eu tivesse essa cabeça de hj há alguns anos atrás, com certeza mibha vida teria tomado outro rumo... rs mas a gente não pode voltar no tempo, ainda bem que nunca é tarde pra gente começar a se amar... eu estou amando esse projeto, ainda mais pq fazia tempo que eu não parava pra pensar em coisas que me fazem me sentir mais bonita e tal... e esse projeto serviu pra lembrar que cada um é bonito exatamente pq é diferente do outro... :)
    Bjks!
    www.mundinhodahanna.blogspot.com

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    1. A gente amadurece. Acho que é bom não termos a mesma cabeça na época em que as coisas estão difíceis, sabe? Se você tivesse o mesmo pensamento, talvez não aprendesse o que era necessário e continuaria sem entender os motivos de ser quem é. Acho que tudo na vida tem seus motivos, e isso não é diferente. Eu também tô gostando muito de participar, de ver as participantes se descobrindo e se amando. É muito bonito e cativante ♥ Tente se lembrar sempre do quanto é incrível.

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  6. Nossa, se eu disser que eu acho lindo olhos com cores indefinidas, você acredita? Minha avó tinha uma mistura de castanho com verde e eu adorava. Eu também sou muito sincera, mas realmente muita gente não gosta disso. Eu queria conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo também, mas sempre que eu tento, acabo me perdendo toda haha. Considere isso como um dom, querida. E eu achei tão fofo o que a menininha disse sobre as suas pintinhas que fiquei emocionada.

    Beijo ♥
    http://subscrevendome.blogspot.com

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    1. Acredito, pois aprendi a gostar também rs ♥ Hoje vivo buscando nas pessoas cores diferentes e fico encantada sempre que vejo algo novo. Sobre não conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo, só pode te dizer para insistir. Com jeitinho e algum tempo de prática você vai conseguir se ver livre de uma só coisa.

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  7. Se amar nos detalhes é demais, eu mesmo quando era mais nova na época de escola tinha paranoias comigo mesmo, fica vendo detalhes do meu rosto e corpo me sentia feia, mas conforme a gente cresce isso ficou de lado a aprendi a me amar nos mesmo detalhes que me sentia feia.

    diksdareh.blogspot.com.br

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    1. Eu também era assim, acho que todo mundo tem sua fase de não saber como se aceitar, mas isso é, em sua maioria, culpa do que escutamos e dos julgamentos da qual não nos cabem, infelizmente. Mas é ótimo que aprendeu a se amar ♥

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  8. "A vida é uma bagunça, mas aprendi que não vale a pena focar nisso. Há outras coisas por aí. Coisas incríveis." - melhor trecho.

    Eu me considero sincera com as pessoas que conheço e que estão constantemente no meu círculo de convívio. Saiu disso e eu me torno aquela que acredito ser a agradável. Às vezes é meio massante segurar uma máscara só por medo dos julgamentos, mas não consegui mudar isso ainda.
    Por muito eu fui egoísta e não pensava em muita coisa que não fosse além de mim mesma. Foi algo que depois de algumas mudanças - de residência mesmo -, alguns cutucões que a própria vida tratou de me dar e eu consegui mudar muito a visão de mundo e como olho para o próximo. Acho que a escrita me fez esse favor também. Observar o mundo ao redor. Ver que tem a humanidade inteira à sua volta convivendo com você e que meu umbigo não tem mais importância que o outro.

    Esse post tá incrível. Autoestima muda a gente.
    Beijos do Conto Paulistano

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    1. Eu sempre fui muito de olhar para o outro, mas há momentos em que a gente precisa fazer aquilo que nos faz bem, não o que os outros esperam que façamos, acho que por isso sou tão chata com minha sinceridade. Eu super concordo contigo quando diz que a escrita te ajudou a enxergar o mundo e as pessoas que estão ao seu redor. De fato, também aprendi isso e sou muito grata por continuar escrevendo. Me possibilita olhar com outros olhos ♥ Muito obrigada, moça.

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  9. Super me identifiquei com você no quesito sinceridade, as pessoas estão tão acostumadas a ouvirem o que querem e não a real, que o fato de alguém ser sincero e/ou direto já é sinônimo para grosseria. Faz pouco tempo que comecei a aceitar de verdade esse meu lado, pq a pessoa tem que gostar de mim por aquilo que eu sou e não por aquilo que ela acha que eu deva ser.

    Fico feliz que você tenha encontrado coisas boas em si mesma, isso é muito bom <3

    www.verifiqueapagina.com.br

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    1. Exatamente. Estamos acostumados a ouvir exatamente o que nos cai bem, só que esquecemos de verificar se isso está de acordo com o que realmente é verdade ou não. Somos conduzidos ao romantismo. Sinceridade é tudo hoje em dia, sinto muita falta disso nas pessoas. Aliás, é muito bom que tenha aprendido a aceitar isso em você ♥

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  10. Boa tarde.

    É um texto com o qual me identifiquei muito e todos aqueles que olham para dentro de sí mesmos também se identificarão. A mensagem principal dele, conforme meu ponto de vista, é de que a sincera aceitação de quem somos molda a nossa capacidade de vivermos em paz e harmonia conosco, com o outro e com o mundo. Autoestima é a chave correta para nosso sucesso como seres humanos em todos os sentidos.

    Você escreve muitíssimo bem, és leitora de clássicos e livros filosóficos?

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    1. O amor próprio não nasce do dia para noite, é preciso ter cuidado e ir semeando aos pouquinhos. Olhar para dentro de si mesmo é necessário e acaba sendo uma prática muito boa ♥ Fico bem feliz em saber que curtiu e se identificou. Quanto a leitura de clássicos e filosofia, admito que não sou muito fã das obras filosóficas, apesar de adorar refletir sobre elas, mas gosto bastante de alguns clássicos, como Jane Austen ♥ Muito obrigada.

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  11. A proposta desse projeto realmente é incrível,né? Me identifiquei tanto! Minha mente inquieta talvez seja um dos meus karmas,não sei, mas isso nem sempre me faz bem. E sobre a positividade, eu sou muito de lua haha hora sou positiva hora sou negativa.
    Amei o post!
    Beijao!

    http://tempestarei.blogspot.com.br

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    1. É sim, poder se enxergar é melhor do que viver encontrando defeitos por aí. Mente inquieta não é bem um karma, é muito bom estar sempre com a cabeça trabalhando, evita muita decepção, com toda certeza. Fico feliz que tenha curtido o post ♥

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