08 fevereiro 2016

Sim, eu sou uma DUFF

Dia desses parei para ver um filme extremamente clichê. Um filme colegial desses bem comuns no repertório da Disney que você coincidentemente não consegue deixar de assistir. Eu não esperava nada dele, pensei comigo mesma que seria só para passar o tempo e aproveitar algumas horas livres, só que não foi bem por esse caminho que andei. Peguei uma via de mão dupla para a sinceridade e me deixei ser guiada pelo roteiro. Levei alguns tapas na cara durante a viagem e alguns socos bem dados para ver se aprendia alguma coisa. Fui humilhada por palavras grosseiras e muita hipocrisia. Me jogaram um balde de água fria e, sinceramente, foi incrível. Sem sarcasmo, sem ironia ou pegadinhas. A sensação de se enxergar completamente em um personagem e se orgulhar disso é indescritível.
O filme se chama D.U.F.F e é basicamente uma comédia adolescente, mas se engana quem pensa que os descolados estão no papel principal. Ele retrata aqueles famigerados grupos seletivos e hierárquicos que encontramos no colegial das panelinhas de populares, atletas e nerds, só que, em busca de um meio termo, foram incluídos os DUFF's, designação dada para pessoas amigas, feias, fofas e úteis que ajudam os amigos mais bonitos a encontrarem um bom par romântico. Um pouco fútil, talvez, só que eu não vim escrever sobre o filme ou fazer uma crítica cinematográfica sobre ele, vim escrever sobre uma progressão leve que enxerguei depois de anos ouvindo que os populares são o centro do universo. Poderia ser algo monótono e sem graça que estamos cansados de ver em comerciais e histórias desse gênero, mas, veja bem, estamos falando de um progresso.

Eu passei a minha adolescência inteira sonhando em poder fazer parte de um grupo bacana, que vira cabeças e que tem o nome na lista de qualquer coisa imaginável, mas eu não tinha um corpo escultural, minhas espinhas só resolveram ir embora quando já estava me formando, minhas notas eram altas, não conseguia passar mais de uma hora estudando, três ou quatro pessoas me conheciam pelo nome, não existia o tão sonhado teste para fazer parte das animadoras de torcida, meu gosto para festas era nulo e minhas roupas quase nunca estavam conforme a moda. Eu não me encaixava em nada. Não poderia ser uma nerd, não tinha habilidades em ser uma patricinha e jamais entraria num grupo de atletas. Era uma simples pessoa comum, e pessoas comuns não são muito bem aceitas.
Hoje em dia, vejo que não mudou muita coisa, mas vez ou outra enxergo alguém como eu. Alguém que se sente um tanto perdido nessa batalha pela fama e que prefere ficar bem longe para não levar a culpa de nada. É hipocrisia pensar que um dia isso vai acabar, sei que não, mas pela primeira vez desde então, eu consegui ver um sinalzinho de esperança. Os rótulos estão aí e são usados em todos os momentos, portanto, que eu seja uma DUFF. Não quero ter medo de falar alguma coisa engraçada. Não quero estar sempre na moda, aliás, você já reparou nas passarelas? Não quero usar nada daquilo. Não quero viver na academia para ficar com um corpo de Barbie, até elas já estão se encaixando em outros padrões. Quero ser feia se for preciso, amiga quando necessário, fofa por naturalidade e útil quando me pedirem uma mão.

Mesmo que nada disso faça sentido aos que estão lendo, lhes peço uma única coisa: vejam esse filme pelo menos uma vez. Parem um pouco para pensar no que irão ver. É bobo, os diálogos são muitas vezes sem sentido algum e diversas cenas você consegue imaginar antes mesmo de acontecer, mas reparem nos personagens. Onde vocês se encaixam? Que papel estariam interpretando? Cá entre nós, eu prefiro ser taxada como uma amiga, feia, fofa e útil do que ser uma completa megera. Quero ter cenas divertidas para contar aos meus netos. Quero ter um vídeo pagando o maior mico para rir disso depois. Quero ter o coração partido e levar um fora para poder colar na testa alguma lição. Eu sou uma DUFF igualzinha a Bianca, e tenho muito orgulho disso. Mas, e você? Tem orgulho do que é?

22 comentários:

  1. oi, oi.

    clap, clap, clap. sambou agora com esse texto, Kelly! Parabéns pela coragem em expor isso.

    eu assisti à esse filme no fim do ano passado e adorei. como tu disse, ele é cheio de clichês, mas, na verdade, a vida é feita de clichês. não podemos esperar demais tbm dos filmes.

    eu adorei "Duff" justamente pq tbm me identifiquei com a Bianca: eu nunca fui popular, nunca fui o mais bonito, mas, sempre fui inteligente, estudiosos e isso basta. não trocaria nada disso pra tentar levar uma vida diferente só pra agradar aos outros. uma hora a gente iria perceber que estava andando no caminho errado, né?


    que sejamos felizes da nossa forma. do nosso jeito.

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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    1. É verdade, moço, a vida é repleta de clichês e a gente precisa começar a entender isso. Somos todos clichês na nossa forma de falar e pensar e isso é a coisa mais natural do mundo. Acho que todo mundo é um pouco DUFF, só que alguns não gostam de admitir isso, sentem vergonha ou preferem ser quem não são para mostrar aos outros que são melhores, então lhe parabenizo também por ser sincero comigo e consigo mesmo ♥ Por um mundo com mais pessoas de verdade.

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  2. Olá, tudo bem?
    Nossa que texto sensacional, de verdade, parabéns!
    Bom, falando um pouco mais dele em si em vários momentos eu me identifiquei, acho que ao contrário da maioria pessoas a parte crítica disso de "querer fazer parte do grupinho que é evidência" foi no fundamental 2 sabe? da 5º até a 8ª série, e foi um momento bem tenso, por mais que eu quisesse estar inserida em "todas as listas" eu não gostava daquelas pessoas e elas não tinham nada a ver comigo mas, por anos, eu ficava pensando em como seria estar no meio delas, quando o ensino médio chegou TUDO MUDOU MESMO, eu acabei me fazendo vários questionamentos e essa "vontade" foi um deles, percebi que nada mais era do que um capricho, um ego querendo se inflar mais do que o saudável e, felizmente, consegui deixar isso de lado e observar os leões se matando para conseguir um minuto de atenção ao lado de outras pessoas (<3) que como eu também não queriam se matar por uma coisa tão fugaz.
    PS: Perdoa o comentário gigante, mas é que quando me identifico com uma coisa ninguém me segura.

    ✩ Voando Sem Peter ✩

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    1. Muitíssimo obrigada, moça ♥ Que bom que se identificou e que curtiu. Acredito que seja exatamente assim mesmo como descreveu, afinal, queremos estar incluídos, fazer parte de algo mais importante, mais interessante, só que no fim das contas, isso não vale de nada se você está sendo igual a todo mundo. É muito bom perceber que você conseguiu lidar com a situação, apesar de ser um capricho, muitas vezes é algo que nos afeta e nos machuca, então lhe parabenizo pela coragem ♥ Quando conseguimos quebrar essa regra dentro da gente, muita coisa se transforma, e a sensação é ótima.
      Sobre o comentário, fico mais do que feliz quando alguém gosta e se empolga. É sempre bem vinda por aqui ♥

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  3. Nunca tinha ouvido falar no filme, mas esse post me deixou com mais vontade de ver ele do que uma resenha comum deixaria! Amei o jeito que tu falou dele, ainda mais porque eu me identifiquei MUITO com tudo o que tu escreveu aí.
    Acho que quando estamos no colégio passamos um bom tempo tentando nos encaixar em algum lugar, em algum grupo. Em certo momento começamos a perceber que somos diferentes, e é exatamente isso o que nos torna especiais. Pelo que li aqui eu também sou uma DUFF, e não tenho vergonha alguma disso. Com o tempo a gente aprende que não tem nada de mais em ser quem somos verdadeiramente. Essa é, na verdade, uma das coisas mais bonitas do mundo.
    Parabéns pelo texto <3

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    1. Somos duas que nos identificamos com a personagem então. No colegial somos tachados por não nos encaixarmos em absolutamente nada, assim como julgados, criticados e excluídos pelo mesmo motivo, mas depois aprendemos e nos damos conta de que isso é uma grande bobeira. E concordo plenamente contigo Mari, ser quem é, é uma das coisas mais bonitas que existe. Muito obrigada ♥

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  4. Assisti ao filme e gostei bastante, é bem interessante ter uma personagem principal como esta, não sendo a popular. Também me identifiquei demais com a personagem, principalmente pela personalidade dela :))
    Beijo!

    Sorriso Espontâneo

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    1. É verdade, é difícil encontrar uma personagem nesse tipo, sendo ela mesma e tentando entender como lidar com as coisas. É um filme muito bom ♥

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  5. Primeira vez que me deparo com o titulo deste filme. E quero muito assistir para entender melhor do que voce está falando.
    Bom, pelo seu texto, já sei que também me identifico bastante com a personagem principal, a Bianca?! Pois, bem. Não vejo problema algum em ser amiga, fofa (apesar de não ser muito, rs.), feia e o que mais as pessoas tacharem. O que importa é viver sem precisar ser outra pessoa para agradar um grupinho na escola, universidade ou na vida. Sou o que sou e pronto.
    Enfim, sou uma DUFF e não me envergonho disso.
    Beijos e, só para constar, adoro a forma como você escreve. Já disse e repito, é inspirador!! *-*

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    1. Assista sim, tenho certeza de que vai gostar muito. Na verdade, no filme não há uma personagem principal, e isso é só uma das coisas que me cativaram. A Bianca faz parte da história assim como todos os outros, só que do seu próprio jeito sem jeito. Acredito que você deva ser aquilo que primeiramente te agrada, para depois tentar agradar aos outros. É muito bom saber que se orgulha de quem é e do que está se tornando. Isso é maravilhoso ♥

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  6. Esse filme é excelente. Quando eu decidi assisti-lo, pensei que ia ser só mais um filme sobre colegial, mas tomei um tapa na cara durante ele e perceber que muitas vezes, eu acabo sendo uma DUFF. Mesmo não estando nas descrições de uma, sempre tive amigas que eram mais bonitas que eu e meio inacessíveis aos caras e eu sempre tentei dar atenção pra todo mundo. Teve uma epoca - logo quando eu tava na 7ª série e minha auto-estima tava lá no subterrâneo - que um cara se aproximou de mim e começou a ser meu amigo e eu comecei a gostar dele pq ele super dava atenção pra mim e até dava pra acreditar que ele gostava de mim também, mas assim que pegamos uma amizade mais forte ele disse que queria ficar com uma amiga minha que era super popular na escola e queria que eu ajudasse. Ao decorrer da minha adolescência, eu me deparei com outras ocasiões assim e minha auto-estima cada vez ficava mais no chão, pq parecia que todo cara que se aproximava de mim queria ficar com alguma amiga minha. Colocam tanto na nossa cabeça que só somos bonitas se os homens cairem mateando em cima da gente, que acabamos por nos rebaixar quando isso não acontece.
    Esse filme é maravilhoso e todo mundo devia assistir (Sendo uma Duff ou não).

    Beijo beijo ♥

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    1. Pensamos igual e levamos o mesmo tapa na cara, só que a sensação é muito boa. Acredito que todo mundo já passou por alguma situação assim, principalmente quando ainda não estamos seguros de nós mesmos, como você mesmo disse. Queremos e precisamos que as outras pessoas nos enxerguem e nos coloquem no meio das coisas, mesmo que seja de um grupinho qualquer. Queremos fazer parte de algo para sermos importantes, só que depois percebemos que isso não vale nada. Com o tempo vamos aprendendo o que realmente merece nossa atenção e nosso cuidado. Fico muito feliz em saber que se identificou com o filme e que aprendeu a lidar com momentos como esses, afinal, significa que está amadurecendo e confiando mais em si mesmo ♥ Assino embaixo sobre todos verem o filme, acho que ele serviria para muitas pessoas em muitos casos.

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  7. Eu realmente nunca assisti ou tinha ouvido falar do filme até agora, mas pelo tema já me interessei e parei para pensar. Que texto Kelly, que reflexão!
    Quando somos adolescentes (não que com 19 ou 20 não sejamos mais) achamos que para sermos aceitas precisamos nos encaixar em algum lugar, ser normal não é normal e isso também nos incomoda. Assim como você eu não tinha notas altas o suficiente para ser taxada de nerd, não usava roupinhas da moda ou me vestia extremamente bem para ser a patricinha da turma e de atleta não tenho nada já que fugia da bola sempre que ela vinha na minha direção... mas mesmo assim eu cresci e fui feliz num mundo todo rotulado. Hoje afirmo que não tenho vergonha do que fui, naquela época podia pensar diferente, podia pensar que para me sentir bem eu teria que me encaixar em algum lugar, mas hoje vejo que o que fui fez de mim o que sou e não posso me orgulhar mais de ter sido um anormal pessoa comum. ♥

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    1. Agora que ouviu falar, pare algumas horinhas para vê-lo, de verdade, vai entender muita coisa importante. Acho que é exatamente como comentou, nós temos uma certa necessidade de fazer parte de algo, mesmo que isso seja motivo para sacrificarmos nossa própria essência. Queremos desesperadamente que alguém nos note ou que possamos ser populares de um dia para o outro. O bom é que a gente aprende muito também, e entendemos que isso não é nada demais. É maravilhoso saber que se sente segura hoje em dia e que cresceu feliz apesar de tudo isso. Ter orgulho de quem é, é uma coisa linda, sem falar que a linha de pensamento é exatamente essa, tudo que você passou tornou quem você é hoje. Parabéns pela coragem ♥

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  8. Ai, vou super assistir esse filme! Pode ser clichê e tudo mais, mas eu gosto!
    Eu te entendo completamente porque sempre fui e sempre quis ser uma pessoa fora dos holofotes. As pessoas não sabiam quem eu era e eu não me apresentava. Já perdi as contas de quantas atividades em grupo/dupla fiz sozinha na vida, mesmo depois quando já tinha amigos na escola (porque teve a época em que não tinha ninguém)... E sabe quando você está em um grupo de quatro e a calçada só cabe três? A que ficava pra trás era eu. Magicamente quando tinham cinco a calçada cabia quatro, mas quando éramos três só cabia dois...
    Mas, sei lá, acho que assim como você eu prefiro ser eu do que alguém que é seguido por um batalhão. O legal da vida não é andar à frente, como essas pessoas, ou atrás (como eu já fiz), e sim lado a lado. É como eu tento andar hoje!!!!

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    1. Te entendo perfeitamente bem, também sempre fui essa pessoa nos meus grupos de amigos, hoje em dia escolho à dedo quem posso confiar e quem não posso. É muito libertador quando você percebe que não há problema algum em ser assim. Penso da mesma forma, não quero ficar andando atrás ou lá na frente, quero ficar ao lado porque não sou melhor nem pior do que ninguém. A gente entende com o tempo que as prioridades mudam e nosso jeito também. Espero que goste do filme e que se identifique tanto quanto me identifiquei ♥

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  9. Eu já tinha assistido esse filme e assisti de novo com a minha amiga agora no Carnaval, foi engraçado porque ela achava que era a DUFF enquanto eu me achava a DUFF e todo mundo é um pouquinho DUFF, né? Sei lá, é muito relativo, principalmente quando você está em diversos circulos de amizades. Amei seu post, como sempre <3

    irianneveloso.blogspot.com

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    1. Sim, acredito muito nisso também, todo mundo é um pouquinho DUFF, alguns sentem orgulho disso, outros sentem vergonha. Que bom que gostou, moça ♥

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  10. Que texto mais amor. Eu vejo esse filme sempre ali na página inicial do Netflix, mas ainda não tinha despertado a vontade de vê-lo até agora s2
    Bom é não se encaixar, não se rotular e que sejamos todas DUFFS e o que mais quisermos *-*
    Mil beijos s2

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    1. Veja, eu também sempre tinha essa sensação até que me rendi e me surpreendi de uma forma muito boa. Concordo contigo, moça, o bom é ser você mesmo, independente de que jeito for ♥

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  11. Oi, eu me orgulho do que eu sou, sou meio inclassificável nos grupos que tu falou, mas me considero a +ou- popular que curte cuktura pop e geek e tem amigo diferentes.
    Obrigado pelo texto, muito lindo!
    P.s eu já tinha visto o filme, mt bom

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    1. Ah, ser diferente tem suas vantagens ♥ Que bom que gostou, o filme realmente é muito bom.

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