09 novembro 2017

Grumpy Cat: Um Livro Azedo

Quando fechei parceria com a Belas Letras, fiquei imaginando todos os livros bacanas que compartilharia aqui no blog. E não é que a editora tem se mostrado surpreendente? Sempre que chega um pacotinho azul cheio de cuidados aqui em casa, tenho a certeza de que vou esquecer do mundo por alguns dias. Grumpy Cat foi um dos primeiros livros que solicitei, mas acabou atrasando a entrega e resolvi priorizar outras resenhas, só que agora que ele chegou, não consigo mais me conter. Com um toque de bom-humor incrível e muito bem pensado, nosso felino que quebrou a internet algum tempo atrás também me fez amá-lo com todo o seu azedume.
Se você, leitor, for o tipo de pessoa de risada fácil, pois saiba que esse livro vai ocasionar reações adversas. Na primeira passada de olho pelas páginas logo senti que a obra me ganharia em instantes, e foi exatamente isso que aconteceu. Sem mais nem menos, lá estava eu, plena, dando gargalhada de piadas singelas. É claro que, em alguns momentos, o toque do humor se torna mais pesado, com aquele quê de piada forçada ou desnecessária, afinal, estamos lidando com um livro típico do gênero, mas isso não me incomodou e acredito que também não atrapalhe a obra como um todo.

Título: Grumpy Cat: Um Livro Azedo
Páginas: 96 páginas
Editora: Belas Letras
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Já vivi sete vidas... Esta é a pior de todas.
Grumpy Cat é o gato mais mal-humorado que você já viu. Neste livro, o fenômeno mundial da internet vai mostrar que ser azedo não é um talento que vem de berço; qualquer um, com muito treino e determinação, pode desenvolver. Aqui, podemos conhecer a breve história do Grumpy Cat (incluindo todos os sonhos que ele já arruinou), descubrir bons motivos para odiar cachorros (e pessoas) e praticar o mau humor em jogos criados especialmente para você se sentir frustrado. Com todas essas dicas, o Grumpy Cat finalmente espera que você o deixe em paz. E, por favor, não se divirta ao ler este livro. Porque se divertir é horrível!
Para quem espera histórias e mais histórias, melhor esquecer a ideia, pois o livro é interativo e se encaixa em uma espécie de álbum com anotações. Ao longo das páginas, temos fotografias intercaladas a pequenas citações, além de atividades para fazer o mau-humor reinar. Eu, particularmente, não tenho palavras para descrever com exatidão meus sentimentos pelo livro. Ao mesmo tempo em que odiava os conselhos do gato, também me identificava claramente com eles. Não sei se deveria me preocupar com isso, mas, por enquanto, vou fingir que está tudo sob controle.
Certamente que a ideia de não se divertir com a obra foi por água abaixo, afinal, é só ler a introdução para se ter uma ideia do nível de azedume. A editora Belas Letras fez um trabalho impecável na diagramação e construção do livro, principalmente por ser em capa dura e as folhas não serem aquelas comuns que, depois de um tempo, começam a amarelar. As atividades montadas também foram bem pensadas, sendo que até as pessoas mais centradas conseguem se irritar com a solução (ou não solução).
Para aqueles que querem sair um pouco da rotina e se divertirem com um livro bacana, esta com toda certeza é uma indicação e tanto. Eu, que sou apaixonada por um bom romance e passo um pouco longe dos outros gêneros literários, me fascinei pelo livro. Quando terminei a leitura (se é que posso chamar assim), queria que todo mundo ao redor lesse também. Não tenho nem ideia de quantas vezes já o indiquei pessoalmente, mas posso dizer que não teve um só indivíduo que não tenha gostado ou simpatizado com a obra. Aliás, é muito difícil resistir a técnica de se tornar azedo. Acho que finalmente dominei essa habilidade.

07 novembro 2017

Recomece sempre que precisar

Quando era pequena, descobri nos livros infantis que a gente precisa fazer de tudo pelos nossos sonhos. Sempre levei isso como um mantra, o qual repetia incansavelmente enquanto crescia. Se a vida cooperava, lá estava eu, com um sorriso de ponta a ponta; caso contrário, me via em um beco sem saída. Talvez em meio a pensamentos, ou, quem sabe, no meio do caminho. A verdade é que ninguém nos fala que não há problema em algo dar errado. Ora! A vida têm momentos únicos que nem sempre condizem com nossas expectativas, mas isso não significa que estamos fazendo tudo o que deveríamos não fazer. Significa apenas que não deu certo. Não tinha que dar. Tá tudo bem abrir mão de vez em quando, mas não da gente. Não do que somos.
Nunca fui o tipo de pessoa que deixa estar. Eu gosto do desafio, mas tem coisas que simplesmente não funcionam comigo. Indivíduos que não batem com o meu santo, atitudes que não fazem jus ao que acredito, horas que mais parecem dias não pelo fato de passarem devagar ou pela falta do que fazer, mas, sim, porque a companhia não flui, a conversa não se desenvolve, as risadas não são naturais. Só que a gente precisa ter a certeza de que aquilo está certo, de que faz algum sentido. 

E quando não funciona, a gente finge que tá tudo bem.

Não é assim? Porque temos medo do incerto. Temos pavor de sair da zona de conforto e tentar novamente. Entrar em campos inexplorados. É por isso que tem tanta gente no emprego errado, no lugar errado, com a pessoa errada, em conversas ainda mais insanas. Eu, inclusive, faço parte desse grupo, mas juro que tô tentando mudar. Não pelos outros ou pelo que poderiam considerar, mas por mim mesma.

Se eu não gosto de onde trabalho, se sei que posso ir além, por que não tento? Por que ainda tô aqui parada, lidando com pessoas com as quais não simpatizo? Talvez eu tenha inúmeras respostas para essas perguntas, mas esse é o nosso problema: sempre arranjamos uma desculpa. Se formos analisar, passamos mais tempo com pessoas, situações e lugares dos quais não gostamos pelo simples fato de que é mais fácil assim. Não dá trabalho. Não gera revolta. O pensamento é universal: não precisamos encarar o novo para encontrar tudo aquilo que já temos, ainda que o que temos não seja necessariamente algo de que temos afeto. 

Só que não há nada de errado em desistirmos de coisas que não nos agregam. Se o relacionamento tá ruim, é porque tá ruim. Poxa! É porque não tem que dar certo. É porque vocês não se entendem como deveriam se entender. É porque, no fundo, é só amizade. Porém insistimos e levamos a coisa em banho maria. Ainda que descontentes, é o que temos. Mas será que o que temos é suficiente para o que, de fato, sonhamos?

Se a resposta para essa pergunta for "não", é melhor tentar novamente, meu bem. Fecha os olhos, conta até dez e pontua mentalmente todos os momentos únicos da vida. Talvez os sonhos precisem de algumas mudanças, assim como inúmeros outros surgirão com o tempo, mas a gente nunca sabe o que vai acontecer no outro dia. Eu não sei você, mas quando meu último dia bom chegar, a única certeza de que quero ter é que fiz tudo que pude para ser feliz. E se for preciso desistir de algumas coisas ao longo do percurso, tudo bem. A vida tem dessas. Espero perder o medo de recomeçar.

02 novembro 2017

Quando a Noite Cai, de Carina Rissi

Eu queria falar sobre este livro mais adiante, depois de escrever sobre os que li anteriormente, mas sabe quando você não consegue esperar muito para dividir com alguém a história? Eu não conhecia a escrita da Carina Rissi, mas já havia visto comentários super positivos, então, quando a editora me mostrou o título, não pensei antes de solicitar. É claro que uma obra de 400 páginas acaba levando tempo até ser finalizada, o que me fez ficar com receio e culpa por ter feito o pedido, mas isso passou depois que percebi que a leitura seria mais rápida do que o imaginado. Não é um livro perfeito, ele possui muitas falhas, detalhes que poderiam ser melhorados, mas a história em si é de tirar o fôlego. E se alguém estiver se perguntando: sim, é um romance extremamente clichê, mas tão gostosinho de ler.
Briana mora com a mãe e a irmã mais nova na pensão que a família herdou da avó. Seu pai morreu em um acidente alguns anos atrás, portanto, sendo a filha mais velha, ela precisou abrir mão de seus sonhos para ajudar com as contas de casa. A única hóspede da pensão é uma senhorinha divertida e muito bem disposta chamada Lola, que espera ansiosamente pelo dia em que a mídia vai lhe encontrar depois de anos longe dos holofotes. Bri não tem nada a ver com o jeito de Dona Lola. Desastrada como é, bem capaz de as pessoas se certificarem de que estão longe o suficiente para que nada dê errado. Em seu último emprego, por exemplo, Briana foi demitida por, depois de inúmeros erros consequentes, quebrar um lustre de dois mil reais. Agora, desempregada e com medo de a mãe largar a pensão, ela precisa encontrar a sorte.

Título: Quando a Noite Cai
Autor: Carina Rissi
Páginas: 476 páginas
Editora: Verus Editora
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Sempre que ela está por perto, algo vai mal, especialmente no trabalho. Por isso é tão difícil manter um emprego. E a garota realmente precisa de grana, já que a pensão da família não anda nada bem. Mas esse não é o único motivo pelo qual Briana anda perdendo o sono. Quando a noite cai, ela é transportada para terras distantes: um mundo com espadas, castelos e um guerreiro irlandês que teima em lhe roubar os sonhos e o coração. Depois de ser demitida — pela terceira vez no mês! —, Briana reúne coragem e sai em busca de um novo trabalho. É quando Gael O’Connor cruza seu caminho. O irlandês de olhar misterioso e poucas palavras lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só tem um probleminha: seu novo chefe é exatamente igual ao guerreiro dos seus sonhos.
Ao sair de uma entrevista de emprego, Briana é atingida por um carro assim que coloca os pés na rua. Poderia ser um dia comum, como qualquer outro, ainda mais por seu histórico de desastres, mas o rapaz por trás do volante é Gael O’Connor, um homem charmoso que veio direto dos sonhos de Bri. É claro que ela não pode falar isso em voz alta, afinal, o cara acharia que ela literalmente perdeu a cabeça, mas seus pensamentos a fazem delirar enquanto Gael a leva para o hospital. Depois de garantir que a moça está bem e que ela terá de lidar com um pé machucado por alguns dias, Gael a convida para tomar um café para compensar o acidente. 

Além dos traços irlandeses, os trejeitos bruscos e uma beleza que encanta, Briana acaba descobrindo que Gael também é o dono da empresa em que fez a entrevista e leva a oportunidade de entrar para o time, sendo contratada como assistente direta do rapaz. Seu único medo é a má sorte, mas, no tempo em que estava acompanhada, Bri percebeu não só seu coração batendo mais forte, mas uma esperança de que o universo finalmente estava lhe enxergando.

O problema de tudo isso é que Gael não se parece comum. Seu descaso com a tecnologia, o jeito fechado e a mudança repentina de humor, intercalando entre sorrisos sinceros e olhares ameaçadores, deixam Briana ainda mais confusa. O guerreiro dos sonhos é idêntico ao seu chefe, desde as características externas, o tom da voz até uma cicatriz específica no ombro. Tudo em Gael lembra o homem de seus sonhos. Cada dia que passa, e quando mais Briana conhece Gael, mais ela tem certeza de que ele não passa de um personagem que se tornou realidade.
Quando a Noite Cai mistura ficção e romance com exatidão. Intercalando entre a narrativa de Briana e os sonhos que a garota tem quando dorme, a história traz uma atmosfera leve e cheia de dúvidas que vão sendo respondidas ao longo da leitura, mas que só se tornam concretas por completo no final. Todos os personagens foram bem pensados e possuem papéis específicos que moldam o contexto, cada um a sua maneira. A irmã de Briana, por exemplo, é a chave para que Gael aconteça. Dona Lola, por sua vez, sem seus conselhos e visão de mundo, não teria chamado atenção para a pensão da família. E, é claro, temos Gael e Briana, que possuem particularidades impecáveis. Principalmente Briana, que, com todo desastre, consegue fazer o leito se identificar com suas trapalhadas na maioria das vezes (no meu caso foi sempre!).

Uma coisa que me incomodou na obra foi a narrativa dos sonhos de Bri. A linguagem remota à tempos distantes e os diálogos dos personagens se tornam brutos, crus, sem ligação. O leitor precisa estar muito empolgado com a história para acompanhar todas as cenas, só que é aí que entra o problema: toda a teoria da ligação de Gael com o homem da imaginação de Briana está no meio desses sonhos. Acho que a autora pecou um pouco nesse ponto, talvez a narrativa desses capítulos pudessem ser mais simples, mais agradáveis de ler. Entretanto, acho que o conjunto como um todo ficou muito bom, pois o leitor consegue relacionar os fatos aos poucos, até chegar a uma conclusão, sem, de fato, já imaginar o que vai acontecer.
Quanto a diagramação, acredito que a capa poderia ter sido melhor trabalhada, mas é um gosto pessoal meu. As folhas são amareladas, a fonte escolhida é agradável aos olhos e a separação dos capítulos é curta, o que também me agradou. Por vezes senti que a narrativa ficou cortada para entrar em um novo capítulo, mas não sei se isso é hábito meu ou realmente não cuidaram com a sequência lógica. De qualquer forma, não vi grandes problemas nesse quesito.

No mais, só tenho a elogiar a escrita da Carina e a forma como ela consegue brincar com as palavras e prender o leitor com sutilezas. O livro ficou mesmo na minha lista de favoritos e acredito que ainda vai tomar o coração de muita gente. Para quem gosta de um bom romance, desses mais água com açúcar, certamente vai se encantar pela obra e pelos protagonistas. Já quero um Gael na minha vida, ou, quem sabe, o guerreiro dos sonhos da Bri. Não custa sonhar, não é?
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