23 abril 2017

Caraval, de Stephanie Garber

Imaginem a seguinte situação: semana de provas, mil textos para entender, trabalhos para fazer, livros de outras editoras para ler, e o que a Novo Conceito propõe? Um desafio, é claro. Até pensei em deixar de lado o convite e focar nas coisas que realmente precisava fazer, mas um convite regado à mágica nunca é fácil de recusar. Resultado: consegui cumprir o desafio. A ideia era fazer com que todos os parceiros lessem Caraval, um lançamento da editora de junho, e que déssemos a nossa opinião até quarta-feira. Considerando que estou escrevendo este post na segunda, acho que deu tudo certo. Quanto ao livro, admito que foi uma experiência bastante peculiar e, porque não, mágica e inesquecível.
Scarlett tinha 10 anos quando começou a escrever cartas ao grande Lenda do Caraval. Ela esperava ansiosamente que ele a respondesse ao menos uma vez, mas enquanto os anos passavam e as suas cartas não recebiam qualquer atenção, a garota cresceu e se submeteu a um casamento arranjado como forma de fugir dos maus-tratos do pai e proteger sua irmã das crueldades que ainda poderiam acontecer. No entanto, quando ela escreve uma carta de despedida ao Lenda, ele a responde com três convites: um para ela, um para a irmã e um para o noivo. Mas os portões fecham a meia-noite e eles precisam estar no lugar indicado para participar do jogo e ganhar o grande prêmio: um desejo. Só que Lenda sabe brincar com as pessoas, e somente aquelas que tiverem coragem e fé poderão chegar ao final.

Título: Caraval
Autor: Stephanie Garber
Páginas: 352 páginas
Editora: Novo Conceito
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Scarlett nunca saiu da pequena ilha onde ela e a irmã, Donatella, vivem com seu cruel e poderoso pai, o Governador Dragna. Desde criança, Scarlett sonha em conhecer o Mestre Lenda, do Caraval, por isso escreveu inúmeras cartas para ele, mas nunca obtivera resposta. Agora, já crescida, ela está de casamento marcado com um misterioso conde, e certamente não terá mais a chance de encontrar Lenda, mas isso não a impede de escrever uma carta de despedida. No entanto, o convite para participar do Caraval finalmente chega para ela, mas aceitá-lo está fora de cogitação.
Trisda é sua casa, e Scarlett sabe bem disso, mas sua maior vontade desde então é poder sair dali, deixando para trás as palavras rudes e as atitudes sanguinárias do pai, o Governador Dragna, assim como a mãe fez alguns anos antes quando desapareceu sem nenhuma intenção de voltar. Donatella, entretanto, não faz ideia do quanto o pai é capaz. No dia em que Scar recebe os convites e corre para contar para a irmã sobre a carta, encontra-a com Julian, um marinheiro que está de passagem por Trisda, mas que conquista corações por onde passa. Ao contar para Tella sobre o que recebera, ela agarra a possibilidade com força, enquanto Julian se oferece para levá-las, mas Scar sabe o quanto o casamento vai salvá-las e o quanto fugir para o Caraval seria perigoso. No entanto, Tella não tem o mesmo pensamento.
Assim, Scarlett acaba sendo persuadida e sequestrada pela própria irmã para a Isla de Los Sueños, o lugar particular de Lenda. Segundo a avó, Caraval é pura magia, e Scarlett sempre gostou dessa ideia porque a faz acreditar na possibilidade de ser feliz para sempre. Quando acorda, está em um barco com Julian, enquanto Donatella já está na ilha esperando por eles. O barco atraca exatamente no décimo terceiro dia, pouco antes dos portões se fecharem, sinal de que o jogo ainda está para começar. Mas Donatella simplesmente desapareceu, e ela e Julian precisam encontrar uma forma de entrar no jogo.

Diferentemente de como Scar havia imaginado a ilha, tudo estava incrivelmente gelado, desde a água ao redor até a floresta que antecede o pátio central. Apenas com um corpete e congelando de frio, ela e Julian se deparam com casas bastante peculiares de chapéus, encantamento e até uma relojoaria repleta de relógios que marcam o tempo ao contrário. Mas é dentro da loja que ela encontra um bilhete do Lenda, juntamente com roupas secas e comida. Pouco depois, eles estão nos portões do Caraval, um lugar onde tudo acontece e somente aqueles que passarem pelo jogo poderão beber magia em uma taça ou comprar sonhos engarrafados. Só que os dois precisam estar atentos, pois os sonhos que se realizam podem ser belos, mas podem se tornar pesadelos quando as pessoas não acordam. Além disso, Lenda adquire uma personalidade diferente conforme sua reputação. Se ele é visto como um vilão, então ele será um vilão.
Caraval, apesar de ter sido criticado em alguns momentos por remeter ao circo e ao teatro e não fazer exatamente uma relação com isso, na verdade tem, sim, um pouco dos dois. A mistura do histórico do Lenda e a ideia principal do jogo é extremamente ligada à magia e ao encantamento, o que me fez ficar atenta a todos os detalhes desde o começo. Mesmo soando como algo infantil e repleto de referências aos contos de fada, o livro não tem nada de ingênuo. Os personagens são bem construídos e todos sabem trabalhar extremamente bem com a manipulação e com as mentiras. É como se a própria história estivesse envolvida em uma grande nuvem cor-de-rosa repleta de ácido. Minhas primeiras impressões sobre a obra não permaneceram e mudaram a cada instante. Eu mesma me senti usada, mas essa é a parte positiva.
 
Enquanto algum leitores se perderam entre personagens mal construídos, eu me vi fascinada por cada um deles, cada qual com suas características únicas e misteriosas que não podem ser decifradas até o jogo terminar. Apesar de certa repulsa no começo por Julian e a própria Scarlett, ambos se mostraram dignos de atenção. Eu comecei a leitura achando que a história não me convenceria, mas passei de desacreditada a afetada por toda descrição mágica. Confesso que pude ver o cenário por completo enquanto a narração se construía.
O fluxo de leitura se tornou natural e a cada novo desafio eu me senti ainda mais vidrada. Como não tenho a obra física, não sei exatamente como ficou a diagramação, mas gostei do que vi no e-book. Além disso, a escrita da autora é fantástica e adorei poder conhecê-la. Eu não sei se o livro faz parte de uma trilogia ou de uma saga, mas sei que é o primeiro volume e estou ansiosa pela continuação, mas também arrisco dizer que quem sofre de ansiedade quando se trata disso, pode se contentar com o final, porque ele foi muito bem produzido.

Caraval se parece um pouco com Jogos Vorazes, mas tem uma pegada de fantasia que muda o enredo por completo. Também percebi algumas referências sobre suicídio que me fizeram ficar perplexa, mas o fato que mais me incomodou certamente tem relação com a agressão física, que são detalhadas com intensidade, de forma explícita. No entanto, não vi nenhum motivo para retirar classificações. Eu simplesmente adorei a história.

19 abril 2017

Receita: bolinho de banana com aveia

Desde que comecei a fazer academia, vivo em busca de receitas gostosinhas que não envolvam tanta besteira misturada. Os famigerados cupcakes recheados de brigadeiro acabaram ficando para trás, afinal, de nada adianta querer ter uma saúde melhor e continuar comendo um punhado de gordura e açúcar. Ainda me rendo ao chocolate e aquelas besteirinhas comuns de padaria de vez em quando, mas felizmente estou aprendendo a viver sem tudo isso. E tem sido mais fácil do que imaginava. O bolinho de banana com aveia, por exemplo, caiu do céu. Peguei a receita com uma tia e fui testar. Como não gosto muito da fruta em si, minha primeira experiência foi com morango e deu super certo, mas por motivos maiores que citarei no post, preferi compartilhar a receita original.
O muffin é todo feito com ingredientes integrais, mas não tem gosto de integral. Parece mais aqueles bolinhos deliciosos de vó. Além disso, é fácil e muito rápido de fazer, então qualquer pessoa pode experimentar. A massinha rende em torno de 24 bolinhos, mas tive uma experiência não muito boa quando fiz pela primeira vez: eles logo estragaram. O morango não dura muito tempo, principalmente em ambientes muito abafados, então o melhor a se fazer é guardar na geladeira, assim ele se mantêm saudáveis e ninguém corre o risco de ter uma intoxicação. É exatamente por conta da durabilidade que trouxe a receita com banana, mas irei explicar as duas. Portanto, como sei que vale a pena repassar, vim compartilhar como se faz essa preciosidade.

Ingredientes e outras coisas necessárias
- Forma de muffin antiaderente 
- Liquidificador
- 5 bananas ou 2 bandejas de morango
- 1 xícara de açúcar mascavo
- 3/8 xícara de óleo
- 1/2 xícara de água
- 1 ovo
- 1 + 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 1 + 1/2 xícara de aveia em flocos finos
- 2 colheres de fermento

Como fazer
A primeira coisa a se fazer é arrumar os morangos bonitinhos, afinal, nem sempre eles estão bons. Depois, precisamos colocá-los dentro do liquidificador e adicionar o açúcar mascavo. O ideal é que os morangos sejam picados e misturados no açúcar. A água vem logo em seguida. Deixe, então, os três ingredientes dentro do liquidificador por um tempinho, só para o gosto ficar acentuado. Não é necessário ligar o aparelho por enquanto, isso serve apenas para fazer com que o açúcar penetre no morango. Quando feito com banana, basta tirar a casca de 5 bananas maduras e picá-las em rodinhas, colocando dentro do liquidificador, no mesmo processo de como é feito com morango.
Enquanto isso, separe em um recipiente a farinha e a aveia, misturando. Reserve. Depois, pegue a forma e passe um pouco de margarina nos furinhos, isso vai ajudar a não deixar a massa grudar. Feito isso, adicione o ovo e o óleo junto aos outros ingredientes do liquidificador, e deixe bater por alguns minutos, até perceber que está bem misturado. Após, desligue o aparelho e misture o conteúdo no recipiente reservado, junto a farinha e a aveia. Quando estiver tudo homogêneo, coloque o fermento.

Agora, basta separar a massa nos furinhos da forma e colocar no forno. Aqui em casa, eu costumo deixar a temperatura no máximo, mas vou abaixando aos pouquinhos quando percebo que os bolinhos já estão ficando moreninhos. Para saber o momento de tirá-los do forno, basta espetar um palitinho desses de churrasco no centro de um deles. Caso o palito saia sequinho, está pronto para sair do forno. Lembre-se de que é preciso ter cuidado na hora de desinformá-los, já que estarão bastante quentes, mas eles saem facilmente, então não é preciso se desesperar. Deixe esfriar um pouco e logo poderá servi-los, ou comê-los.
A receita é simples, basta ter paciência e colocar muito amor no preparo. A massa fica fofinha e muito saborosa. Tenho feito de vez em quando por aqui e já estou pensando em trocar o morango e a banana por outras frutas para testar, mas, por enquanto, me contento com eles assim mesmo. De qualquer forma, espero que tenham gostado e que tentem fazer em casa também. Qualquer dúvida podem deixar nos comentários que terei o maior prazer em ajudar, ou até mesmo saber a opinião de cada um.

17 abril 2017

Vermelho Como O Sangue, de Salla Simukka

Eu tenho um problema imenso com trilogias ou sagas, não por não gostar, mas porque acabo ficando mais ansiosa do que o normal com a continuação da história. Quando peguei este livro para ler, fiquei com medo de sentir exatamente essa sensação, mas felizmente não foi bem isso que aconteceu. Apesar do livro fazer parte de uma trilogia, ele termina de forma coerente, assim como o segundo livro começa em outro ambiente, focando em outras situações. Também fiquei com receio por ser inspirado no clássico de A Branca de Neve, mas gostei de como a autora fez a adaptação e recriou cenários e personagens. No entanto, a história é tão fraca que mal consegue conduzir o leitor até o final. Sabe quando você está no começo do livro, mas já sabe o final? É isso.
Limikki é uma garota fora do comum. Aos 17 anos e morando longe da família, ela aprendeu a se acostumar com a caixinha de fósforos que chama de casa. Mas isso não é exatamente um problema, afinal, seu principal objetivo é se concentrar nos estudos da conceituada escola de arte da qual integra. Mas seus planos vão por água abaixo quando ela resolve tomar um ar fresco durante o intervalo das aulas e entra na sala escura de fotografia. Ela acredita estar sã e salva das pessoas perfeitas ali dentro, mas ao sentir algo em seu braço, Lumikki liga as luzes e se depara com inúmeras notas manchadas de vermelho penduradas no varal do laboratório.

Título: Vermelho Como O Sangue
Autor: Salla Simukka
Páginas: 240 páginas
Editora: Novo Conceito
No congelante inverno do Ártico, Lumikki Andersson encontra uma incrível quantidade de notas respigadas de sangue, ainda úmidas, penduradas para secar no laboratório de fotografia da escola. Aos 17 anos, Lumikki vive sozinha, longe de seus pais e do passado que deixou para trás. Em uma conceituada escola de arte, ela se concentra nos estudos, alheia aos flashes, à fofoca e às festinhas dominadas pelos garotos e garotas perfeitos. Depois que se envolve sem querer no caso das cédulas sujas de sangue, Lumikki é arrastada por um turbilhão de eventos. Eventos que se mostram cada vez mais ameaçadores quando as provas apontam para policiais corruptos e para um traficante perigoso, conhecido pela brutalidade com que conduz os seus negócios. Ela perde o controle sobre o mundo em que vive e descobre que esteve cega diante das forças que a puxavam para o fundo. Quando o sangue mancha a neve, talvez seja tarde demais para salvar seus amigos. Ou a si mesma.
Ninguém notaria caso ela saísse de lá com as notas dentro da mochila, no entanto, seria errado e estranho, afinal, o dinheiro está, literalmente, sujo de sangue. Alguém se deu ao trabalho de lavar nota por nota, mas infelizmente não foi bem sucedido com sua intenção. Ela não poderia simplesmente roubar aquilo, tinha certeza de que era de algum estudante, só não sabia quem. Assim, ela decidiu que, quando a aula terminasse, checaria novamente, e, se o dinheiro ainda estivesse lá, levaria para a polícia ou pensaria em outra opção para solucionar o caso. Só que quem ela menos espera é o principal responsável por todo aquele dinheiro. Ela já está mais do que envolvida.
Quando os três responsáveis (dois garotos e uma garota) ficam sabendo que Lumikki havia os seguido, eles a intimidam, colocando-a como parte do grupo. Elisa, uma das garotas perfeitas que descobriu o saco de dinheiro no quintal de casa, acaba fazendo de Lumikki sua melhor amiga e confidente. Dessa forma, as duas se envolvem no mistério das notas e precisam descobrir de onde veio o saco com sangue, mas outros acontecimentos tiram o rumo do grupo, colocando-os em perigo e trazendo à tona o grande "Urso Polar", o mestre dos traficantes.

Vermelho Como O Sangue é um livro que você pega para ler quando está com tédio e precisa fazer alguma coisa interessante para passar o tempo. A história em si não é ruim, mas é fraca e com personagens extremamente rasos, típicos clichês. A protagonista principal, por exemplo, segue a linha Girl Boss, que consegue se safar de todos os problemas com habilidades ninjas incríveis. Elisa, em contrapartida, é uma patricinha rica que descobre ser inteligente a medida em que a narração flui. Já os outros dois garotos, são inúteis. Aparecem ao longo da história uma vez ou outra e até fazem seus papéis se tornarem importantes em alguns momentos, mas é só.
A leitura é rápida, mas em alguns momentos acaba se tornando arrastada. Eu, particularmente, não entendi o motivo da autora separar a história em três livros, sendo que todos eles possuem pouquíssimas páginas, com um conteúdo mal trabalhado. Acho que se ela tivesse juntado tudo em um único livro, focando melhor nos personagens e no contexto da narrativa, algo incrível teria sido criado. Mas quem sou eu para dizer isso, não é? Eu comecei a ler com expectativas positivas, mas me decepcionou um pouco. E por um pouco quero dizer exatamente isso, porque já imaginava que seria uma história água com açúcar, só não esperava que fosse tanto.

Quanto a diagramação, também achei bem fraca. Não consegui me conectar com o projeto gráfico do livro. As folhas são amareladas e os capítulos são pequenos, mas achei que a imagem do livro no geral ficou feia. Portanto, concluindo minha opinião, acredito que é uma obra bacana, mas não chega a ser sensacional. Na verdade, está bem longe disso. Aliás, também já conclui a leitura do segundo livro e trarei uma resenha sobre ele em breve, mas já adianto que segue a mesma linha, talvez até mais fraca ainda. E sobre o terceiro livro, não quero nem esperar nada dele.
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