30 junho 2016

Ela é de amores, sem ascendentes

Meu bem, ela cansou de ler esses textos astrológicos que determinam características. Já ficou chato. E se ela for uma mistura de tudo isso? E se ela for de áries? Sempre se livrando de controles abusivos e mantendo as coisas como bem entende? E se for teimosa como um touro e extremamente difícil de lidar, mas com um coração tão grande que caberia o mundo inteiro e ainda sobraria espaço para o universo? E se for de gêmeos e se encantar por novas pessoas, novos lugares e novas histórias o tempo inteiro? E se tiver uma alegria só dela que contagia qualquer pessoa? E se ela for de câncer, com uma sensibilidade a flor da pele e um lado doce inconfundível?
Já parou pra pensar se ela for de leão e tiver fama de menina mimada, sempre querendo atenção? Mas e se ela for de virgem? E se perceber detalhes mínimos que nenhuma outra pessoa tem a capacidade de perceber? E se for de libra, sempre em busca de equilíbrio, mas com uma indecisão absurda? E se ela for de escorpião? É oito ou oitenta e não tem um meio termo. Mas seus sentimentos compensam qualquer coisa ruim, vai por mim. Ela também pode ser de sagitário, falante e divertida como ninguém. Ou talvez seja de capricórnio, discreta e singela. Ela também pode ser de aquário, com a mente aberta e ideias borbulhando o tempo inteiro. E ainda sobra o signo de peixes, com muitos sonhos acumulados, simpatia e doçura para distribuir.

Meu bem, e se ela for tudo isso? Analisando-a assim de longe, talvez perceba que pende mais para um lado, mas nunca vai deixar de ser esse complexo de sentimentos e sensações estampados nos olhos. Me arrisco em dizer que talvez ela seja de amores, sem ascendentes ou combinações, mas só quem tiver a ousadia de conhecê-la por completo irá entender o quão intensa pode ser. Talvez ela seja de sorrisos.

Talvez exista um mapa astrológico ainda não descoberto. Com toda certeza ela vai se encaixar perfeitamente, ou ainda falte uma coisa ou outra que nunca vai estar escrito nas estrelas. Essa é a parte boa de ser indecifrável. Ela é um segredo, meu caro. Ninguém nunca vai conseguir entendê-la por completo. Se um dia cruzar com ela pelo meio do caminho, não abaixe a cabeça, olhe nos olhos. Talvez ela seja do universo, e isso jamais poderá ser questionado. Então, caso ela queria ser tudo isso, deixe-a ser. Talvez ela seja de detalhes. Talvez seja de amores, mas sem ascendentes.

28 junho 2016

Lettering: A arte de desenhar letras

Faz um tempo que ando pensando em escrever sobre minha paixão pelo lettering. Tive um pouco de receio, admito, já que não conheço muito bem a técnica e ainda estou aprendendo sobre ela. Também não posso dizer que é uma coisa simples, porque, na verdade, requer um tantinho de paciência, muita imaginação e um certo conhecimento em design. Mas ela é inspiradora e me encantou de forma muito rápida. Eu a conheci por acaso, quando encontrei um perfil que compartilhava seu trabalho e explicava um pouco sobre isso. Tentei fazer e deu certo. Hoje em dia virou uma espécie de passatempo para mim. Ainda quero melhorar os traços e fazer alguns estudos mais sérios, mas já fico super feliz quando vejo o trabalho prontinho.
Para quem não conhece, o lettering pode ser definido como a arte de desenhar letras. Vou dar um exemplo: todo mundo já deve ter visto por aí algumas frases com letras diferentes e bem trabalhadas. Ele é justamente isso. Uma combinação de fontes que forma um trabalho lindo e bastante detalhado. Muitas vezes a técnica é até confundida com a tipografia ou com a caligrafia, mas são coisas totalmente diferentes, uma vez que a tipografia é o estudo das fontes, a caligrafia é a forma como escrevemos as letras e o lettering é saber desenhá-las. Um tanto chatinho, mas importante para quem quer entender melhor.

Minhas primeiras tentativas foram feitas com caneta preta comum, por isso não ficou tão bonito, mas com o tempo fui entendendo que precisava de uma caneta mais delicada e específica. Então, passei a usar duas nanquins, uma de 0.6 e outra de 0.05, que, apesar de serem mais caras, deixam o contorno mais certinho. Para pintar as letras tenho uma caneta mais simples, já que gasta bastante tinta. É aconselhável usar aquelas aquarelas, mas como ainda não tenho habilidades suficientes para usá-las, me contento com uma caneta preta de escritório com a ponta macia e a tinta molhada.
Muita gente me pergunta se as letras que uso são criadas na hora ou se são fontes comuns, e eu sempre me enrolo para responder, porque é uma mistura das duas coisas. Fico observando trabalhos prontos e como as letras foram desenhadas, assim, me inspiro na hora de fazer alguma coisa bacana. Nem sempre sai como esperado. Às vezes fica feio, dá tudo errado, tenho que apagar mil vezes até realmente gostar do resultado final, mas é só uma questão de costume e de afinidade com as formas. Por isso, é sempre bom estudar a composição primeiro e fazer um rascunho para não deixar a folha toda marcada.

Para quem quer começar, sugiro que dê uma pesquisada sobre o assunto e assista alguns vídeos que vão ajudar nesse comecinho de projeto. Aos apressadinhos, como eu, que já querem tentar sem ajuda, basta ter uma frase em mente, folha, lápis, borracha, caneta e muita criatividade. A composição acaba surgindo quando menos se espera, portanto, vale tentar de tudo. Buscar inspirações também é muito bom, mas vale lembrar que se inspirar é bem diferente de copiar, viu? Ando pensando em relatar aqui no blog a evolução de quem vos escreve com essa técnica. Talvez me inspire.

26 junho 2016

Quero ser tudo que dizem que sou

Sejamos sinceros, eu não tenho o peso de uma supermodelo, não tenho uma cintura fina, meus quadris são largos demais para o número da minha calça, minha pele é muito branca, meu olho ainda não se decidiu se quer ser castanho ou verde. Aliás, sempre disse com minhas escritas de que sou um excesso, e talvez eu realmente seja, literalmente. Mas de um tempo para cá, perdi a vontade de ser o mínimo. Eu quero ser esse excesso que as pessoas enxergam e, às vezes, até criticam por não entenderem. Quero ser isso tudo que dizem que sou, mas que não enxergo quando me olho no espelho.
Quero ser até mesmo as coisas ruins. Quero ter orgulho de saber exatamente quem me tornei, até mesmo quando se trata de imperfeições, porque é exatamente isso que me faz ser diferente. E se for parar pra pensar, o excesso é sempre o ponto mais importante em um julgamento. As pessoas sempre são demais. Ou são muito baixas ou são muito altas. Ou são muito magras ou são muito gordas. Então que sejamos um grande excesso no mundo, já que não existe um meio termo e ninguém nunca está satisfeito.

Quero ter confiança para afirmar com convicção de que o batom vermelho fica chamativo demais em mim, mas sem me importar de fato, porque gosto assim. E dizer claramente que meu cabelo desgrenhado é uma mistura de sucesso com fracasso. E que meu corpo não tão escultural assim é porque eu gosto de comer besteira de vez em quando. E que minha unha por fazer é a falta de tempo. E que minha altura é um meio termo, porque amadureci cedo demais. E que minha pele branca é por não gostar de tomar sol. E que a cor do meu olho sem definição é uma mistura de etnia complicada.

E eu quero ter orgulho disso tudo, sem medo de estar errada. 

Quero me tornar esse excesso que tanto insistem em dizer que sou. Só espero que, depois disso, eu possa sair por aí transbordando as outras pessoas, e o mundo, e os dias cinzas, e os desamores, e a mim mesma. Porque conheço cada pedacinho do meu corpo e da minha alma. Algumas coisas ainda estão bastante bagunçadas, mas é só a falta de jeito. Não me importo. O que eu tenho de torta, tenho de feliz.
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