15 agosto 2017

Time Humanos, de Justine e Sarah Rees

Eu não tenho certeza se vocês sabem sobre minha paixão em histórias vampíricas, mas sim, sou apaixonada por tudo que envolve o assunto, e Crepúsculo foi o grande responsável por esse meu amor. Por mais que hoje eu considere os primeiros filmes verdadeiras relíquias mal feitas, ainda não largo mão de acompanhar maratonas. É justamente por conta disso que adoro descobrir histórias novas que tratam do tema, principalmente no quesito romance. Sendo assim, quando a editora me mandou a listinha de lançamentos e vi a sinopse de Time Humanos, corri para solicitar o livro e fiquei na expectativa de uma obra incrível. É claro que não foi bem isso que aconteceu, mas sabe quando mesmo não gostando do livro você tem empatia pelo enredo? Então.
Mel é uma garota independente que sabe das coisas. Geralmente é ela que resolve o problema de todos os amigos, mesmo quando eles não estão dispostos a serem ajudados, só não a peça para que goste de um vampiro, porque ela é totalmente a favor dos humanos. Mesmo morando em um local que divide a sociedade humana da sociedade de vampiros e Shades (clãs), Mel ainda não sabe como as pessoas conseguem ser tão apaixonadas por essas criaturas. Eles são mortos-vivos que não sorriem, estão sempre em temperatura ambiente e possuem uma formalidade de dar nos nervos. No entanto, Cathy, sua melhor amiga, pensa exatamente o contrário.

Título: Time Humanos
Autores: Justine Larbalestier e Sarah Rees
Páginas: 352 páginas
Editora: Galera Record

❤ Livro cedido em parceria com a editora
Mel nunca gostou de vampiros. Eles perdem a capacidade de sorrir, param de ter sentimentos, isso sem falar que, durante a transformação, se as coisas derem errado, você se torna um zumbi e eles matam você. É um risco grande demais! No entanto, quando Cathy e Francis Duvaney, um vampiro de séculos atrás, se apaixonam, Mel fica apavorada. Ele é arrogante, formal e esplêndido demais. Assim, quando ela começa a suspeitar de que Francis está usando Cathy num plano que não tem nada a ver com amor, Mel passa a dedicar seus dias a desvendar a verdade por trás do vampiro para fazer sua melhor amiga enxergar que aquele é um amor sem futuro. Mas, talvez, ela esteja sendo um pouco preconceituosa.
Francis é novato na escola e não tem problema algum em revelar sua verdadeira essência, ou sua verdadeira idade, para ser mais exata. Ele tem olhos incríveis e um corpo escultural, o que faz todas as garotas suspirarem e dividirem o tempo entre admirá-lo e seduzi-lo. Cathy, por outro lado, é tímida o suficiente para se conter, mas isso não significa que Mel não precise se preocupar, já que a garota fica com os olhos brilhando pelo vampiro. Ela só precisa fazer a melhor amiga mudar de ideia.

No entanto, quando o ex-namorado-agora-melhor-amigo resolve chamar o rapaz para uma apresentação amigável enquanto Mel está ocupada, as coisas acabam saindo do controle. Francis se enturma com o grupo e nem mesmo palavras grosseiras e irônicas são capazes de afastá-lo de Cathy. Mel, então, acaba com dois problemas: Ana, sua segunda melhor amiga, está passando por uma fase complicada depois que o pai fugiu com uma vampira e precisa de ajuda para descobrir o que está acontecendo com a mãe, que anda se comportando estranho; enquanto que Cathy está apaixonada por um vampiro e precisa descobrir as consequências disso.
Com o objetivo de afastar a melhor amiga do sugador de sangue, Mel e Ana desenrolam um plano e invadem a escola durante a noite em busca da ficha de Francis. Elas descobrem algumas coisas a respeito do garoto: sua verdadeira idade, sua não formação e um livro da qual está escrevendo sobre os sentimentos humanos serem a chave para que vampiros também tenham sentimentos. Com a certeza de que esse é o motivo para Francis estar tão próximo de Cathy, ela coloca em prática cada pensamento possível para livrar a amiga de uma decepção amorosa. No entanto, o que Mel não sabe é como lidar com as incertezas do jogo que escolheu jogar. Além disso, ainda há as atitudes suspeitas da mãe de Ana, mas por quê? Por que ela está tão estranha? Por que o pai dela fugiu com uma vampira e se despediu por mensagem de texto?

Em meio a segredos sem respostas, clãs e um humano criado por vampiros, Mel se vê divida entre o que acha certo e o que as pessoas ao redor sentem. Ela não é capaz de alterar o curso das escolhas alheias, mas pode ficar por perto e fazer parte de uma história que nunca imaginou ser real, ou se afastar para sempre das pessoas que ama. 

Time Humanos é um livro complicado de ser resenhado. Apesar da história ser clichê e envolver tudo aquilo que já sabemos sobre os vampiros, ela possui três fatos acontecendo ao mesmo tempo, o que faz a personagem principal se tornar uma verdadeira confusão ambulante. Mel quer resolver tudo o que está ao seu alcance, mas não tem maturidade para resolver seus próprios problemas. Confesso que no meio da narrativa eu só pensava no quanto ela era insuportável. As ideias, os planos, a função de querer afastar Cathy e Francis. Era tudo muito imaturo, muito pessoal e egoísta de certa forma. Ela estava pensando no melhor para a amiga, mas também estava pensando no melhor para si mesma, que não teria de conviver com um vampiro.
Além disso, as autoras criaram um estereótipo tão ridículo para os vampiros que eu simplesmente terminei a leitura querendo não ler mais nada sobre o assunto por um bom tempo. Foi como um bloqueio. E não é só isso, tem mais: Francis, o vampiro bonitão, é o personagem mais chato da história dos vampiros. Ele é antiquado ao extremo e não se adapta ao momento em que vive, sempre lidando com as coisas de forma indiferente. Eu esperava um Edward da vida, confesso.

A narrativa é feita pela própria Mel, com seus inúmeros pensamentos e ideais fora de contexto, mas admito que a leitura flui com leveza, sendo que terminei o livro em dois dias. Quanto a diagramação, só tenho elogios, pois a capa é muito bonitinha, as folhas são amareladas e a forma compacta da obra ajuda bastante o leitor. Percebi alguns erros de revisão bobos, mas sem grandes problemas. Aliás, acredito que a história em si é boa de acompanhar e o final proporciona um quentinho no peito do leitor, mas é uma pena que alguns pontos tenham inferiorizado a qualidade da obra como um todo.

08 agosto 2017

6 curtas fofos sobre o amor

Outro dia, naqueles momentos pré-sono em que a gente fica deitado de barriga para cima refletindo sobre a vida, comecei a pensar no quanto somos maleáveis ao amor. A gente se pega fazendo coisas bobas quando o coração está batendo mais rápido por alguém, ou, simplesmente quando estamos felizes por ter determinadas pessoas ao nosso lado. Então, por ordem do destino ou coisa parecida, no dia seguinte me deparei com uma postagem sobre um curta-metragem que falava justamente sobre as sutilezas do amor. Aí me lembrei de quando compartilhava com vocês ensaios fotográficos ou projetos bacanas que me inspiravam, e não perdi tempo para pesquisar alguns curtas bonitinhos que transparecem sentimentos. Separei, então, seis deles que me encantaram logo de cara. São produções mais singelas, porém ricas em detalhes.

Alike


O amor não é somente ser feliz, certo? A gente também precisa se colocar no lugar do outro. Neste curta, temos um pai e um filho que estão vivendo suas rotinas. O pai perde sua cor depois de um longo dia de trabalho, mas o abraço e a alegria do filho são como recargas automáticas. No entanto, o garotinho precisa ser além do esperado para continuar colorindo a vida do pai, assim como o pai também precisa abrir mão de algumas coisas para colorir a vida do filho.

Extinguished


O que seria do amor se não fosse aquela chama que se acende de repente do nosso peito, não é? Neste curta, temos um rapaz que acabou desiludido com relação ao sentimento e está completamente frio por dentro. Só que isso muda quando ele conhece uma moça que está de visita no apartamento ao lado do seu. Mesmo não querendo acreditar nas possibilidades, sua chama se comporta extremamente mal na frente na garota. Ele sabe que precisa fazer alguma coisa para não deixá-la ir embora.

In a Heartbeat


É válida toda espécie de amor, certo? Nesta história, um garoto tímido tenta esconder ao máximo os sentimentos que alimenta por um menino da sua escola, no entanto, seu coração não pensa da mesma forma. Assim, na primeira batida mais forte, o coração do garoto saí do peito e faz de tudo para se deparar com o amor da sua vida. Este curta acabou ganhando a atenção de muitas pessoas nos últimos dias e está sendo compartilhado nas redes sociais como uma forma de combater o ódio gratuito com relação a qualquer tipo de afeição.

The Wishgranter


Em tempos de redes sociais, quem diria que uma simples fonte poderia juntar dois corações solitários? Enquanto muitas pessoas querem dinheiro e uma vida luxuosa, dois seres querem o amor. No entanto, quando eles jogam suas moedas na fonte dos desejos, elas acabam presas no tubo secreto e o pedido não se realiza, mas é justamente para isso que serve o ser místico por trás das realização. Só que há um detalhe: ele vai precisar correr para que tudo dê certo.

Little Darling


Nem sempre temos consciência do que somos capazes de fazer por amor, mas jamais deixamos de lado a oportunidade de fazer a diferença. Aqui, dois personagens apaixonados que moram dentro de um relógio cuco querem encontrar um jeito de se libertarem, mas a única forma de serem livres vai além de mecanismos e chaves escondidas. Talvez eles estejam mais do que ligados um ao outro e precisarão pensar rápido para que a situação não saia do controle.

Lucky You 


Às vezes, dois seres completamente diferentes se encaixam, não é? Neste curta, temos duas pessoas completamente diferentes, com almas e cores distintas. No entanto, eles se cruzam por acaso e acabam descobrindo mundos diferentes do seus, passando a enxergar as possibilidades que a vida proporciona. Assim, um aprende com o outro e ambos conseguem ver o lado oposto daquilo que sempre sentiram, mas nunca ousaram ir contra.

Vocês já conheciam algum desses curtas? Havia uma época em que eu era bastante apegada a produções assim, mas acabei deixando de lado e focando somente nos filmes mais elaborados. Agora, enquanto escrevia este post e revia os vídeos, fiquei tentada a procurar outros interessantes que abordem temas diferentes. Aliás, todos os mencionados aqui foram feitos por alunos de Design. É incrível como um pouco de delicadeza e habilidade podem se transformar em algo sensacional.

03 agosto 2017

Dos laços líquidos que criamos

Às vezes, é estranho pensar no quanto somos rasos e breves. Criamos laços tão frouxos que ninguém mais se importa de verdade. Mas então me lembro das palavras de Bauman, em que ele fala sobre os tempos líquidos, quando nada é para durar. Na verdade, para ser sincera, não sei ao certo se um dia vou aprender a conviver com isso. Eu não sei ser um meio termo quando se trata de sentimentos intensos. Acho que sou um tanto quanto antiquada nesse quesito. Sabe o porquê de eu amar tantos os romances de época? Eles carregam esse descontrole que só um sentimento é capaz de fazer com o ser humano. E como é gostoso vivenciar isso.
A gente tem essa mania boba de querer estar livre o tempo inteiro, sem se prender a algo que possa virar uma consequência desastrosa. Em contrapartida, também queremos amparo, colo e atenção constantes, considerando que somos seres de afetos e precisamos nos sentir protegidos e amados a todo momento. É muito complicado, não é? Quem em sã consciência vai, um dia, entender essa complexidade da vida? O fato é que nos apegamos, sim. Nos apegamos a quem nos convém, assim como praticamos o desamor quando o outro não vai muito bem.

Vivemos tempos líquidos, e até o coração se tornou flexível.

Já pensou em tentar manter uma amizade mesmo que à distância? Já tentou continuar conversando com aquela pessoa que era o grande amor da sua vida, mas, no fim das contas, não deu certo? Já pensou na possibilidade de construir relações mais intensas, talvez com pessoas inimagináveis? De vez em quando encontro algumas histórias engraçadas, como a de um cara que conheceu o melhor amigo no ponto de ônibus, ou de uma garota mal humorada que deu de cara com sua alma gêmea quando pediu um café na cafeteria preferida.

Precisamos aprender a dar uma chance aos laços humanos.

Talvez algum nos surpreenda.
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