21 novembro 2017

A Menina que Não Acredita em Milagres

Vou confessar que já fazem alguns meses desde que finalizei a leitura deste livro, mas ainda não tinha conseguido tempo para processar a história e escrever uma resenha bacana sobre ela, o que me levou a esperar um momento oportuno. É claro que esse momento nunca chegou e provavelmente nem vai, e como o livro é uma coisinha que me encantou desde as primeiras páginas, não poderia deixar de indicar, não é? Apesar dos pesares, a obra aqueceu meu coração e me fez acreditar em muitas coisas impossíveis, ainda que seja um clichê do mundo dos sick-lits.
Campbell é uma garota comum, se não fosse por sua doença incorrigível que lhe toma todo o corpo. Mesmo com o diagnóstico de quanto tempo ainda teria pela frente, sua forma de encarar a vida não muda, mas a de sua família sim. A mãe de Cam é bastante ligada em promessas, e quer fazer de tudo para ver a filha bem novamente, ainda que isso esteja a quilômetros de distância de onde moram. É assim que Cam, sua mãe e sua irmã vão parar em Promise, uma cidade do interior com a fama de milagrosa.

Título: A Menina que Não Acredita em Milagres
Autor: Wendy Wunder
Páginas: 327 páginas
Editora: Novo Conceito
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Campbell tem 17 anos. Ela não acredita em Deus. Muito menos em milagres. Cam sabe que tem pouco tempo de vida, por isso quer viver intensamente e fazer tudo o que nunca fez, no tempo que lhe resta. Mas sua mãe não aceita o fato de perder a filha, assim, ela a convence a fazer uma viagem para Promise, um lugar conhecido por seus acontecimentos miraculosos. Lá, Cam se depara com eventos inacreditáveis e com o primeiro amor. Ela encontra, finalmente, o que estava procurando mesmo sem saber. Mas será que mudará de ideia em relação à probabilidade de milagres?
Ainda que as esperanças de Cam não estejam nas alturas (na verdade, talvez elas nem existam mais), a garota sabe que não pode se deixar levar por algo que já esperava. É com esse pensamento que ela se recordar de uma lista de coisas que fez com a melhor amiga, a qual deram o nome de Lista do Flamingo. Cada ponto citado deveria ser levado a sério, como fazer uma tatuagem aos 16 anos e beijar um garoto em uma roda-gigante. Coisas simples ou complexas que seria a chave para a felicidade.
Assim, mesmo que não acredite em milagres, Cam faz de tudo para se dar bem com a irmã mais nova e devolver um sorriso no rosto da mãe. Aliás, em Promise, Cam também conhece alguém: Asher, que se torna uma grande companhia. Nessa relação, que beira amizade e amor, ambos aprendem um com o outro sobre a necessidade de fazer valer a pena, e o quanto é essencial que deixar os medos de lado para tentar novas possibilidades. Enquanto que Cam carrega uma personalidade forte e, às vezes, bem ácida; Asher revida com toques de bom-humor e paciência.
 
A Menina que Não Acredita em Milagres é uma leitura leve na forma como foi escrita, mas intensa na maneira como os sentimentos da personagem são descritos. Me vi por diversas vezes na pele da Cam e sim, foi um nível de identificação que não imaginei acontecer com este livro em si. A personalidade da personagem principal tem muito de mim descrito nas entrelinhas, e isso me fez gostar ainda mais de todo o contexto. É claro que, assim como todos os livros de literatura enferma, temos um final de quebrar o coração, mas em nada isso interfere na qualidade da obra.

Uma coisa que me incomodou foi a alternância entre primeira e terceira pessoa. Em alguns momentos a autora escrever como se o leitor fosse uma terceira pessoa, analisando as atitudes da personagem. No entanto, na maioria das vezes, a narrativa é feita pela própria Cam, o que deixa a leitura meio confusa, um pouco sem nexo até. Faltou um pouco de cuidado, tanto por parte da revisão quanto da escrita em si.
Não posso reclamar da diagramação, porque a capa é linda e tem tudo a ver com a história, principalmente no que diz respeito a lista do flamingo. As folhas também são amareladas, os capítulos são pequenos e as cores escolhidas combinam plenamente. Aliás, mesmo tendo 300 e pouquinhas páginas, a leitura flui muito bem. Não lembro ao certo quanto tempo demorei para ler o livro, mas juro que não passou de dois dias. Acredito que a Novo Conceito mandou super bem com a publicação do livro e a autora tem tudo para ser um sucesso por aí.

No mais, é uma obra muito bonita, com uma mensagem de esperança, fé e crença. Ela não tem aquela vibe de tristeza que talvez pudesse ter por conta do enredo. Na verdade, é uma história bem positiva e cheia de aprendizados para quem estiver disposto a entendê-los. E se você não acredita mais na vida, pode ter certeza de que sempre vai existir alguém disposto a fazer isso por você. Espero encontrar mais histórias assim nas livrarias. Ah, e se querem saber, também montei minha lista do flamingo.

09 novembro 2017

Grumpy Cat: Um Livro Azedo

Quando fechei parceria com a Belas Letras, fiquei imaginando todos os livros bacanas que compartilharia aqui no blog. E não é que a editora tem se mostrado surpreendente? Sempre que chega um pacotinho azul cheio de cuidados aqui em casa, tenho a certeza de que vou esquecer do mundo por alguns dias. Grumpy Cat foi um dos primeiros livros que solicitei, mas acabou atrasando a entrega e resolvi priorizar outras resenhas, só que agora que ele chegou, não consigo mais me conter. Com um toque de bom-humor incrível e muito bem pensado, nosso felino que quebrou a internet algum tempo atrás também me fez amá-lo com todo o seu azedume.
Se você, leitor, for o tipo de pessoa de risada fácil, pois saiba que esse livro vai ocasionar reações adversas. Na primeira passada de olho pelas páginas logo senti que a obra me ganharia em instantes, e foi exatamente isso que aconteceu. Sem mais nem menos, lá estava eu, plena, dando gargalhada de piadas singelas. É claro que, em alguns momentos, o toque do humor se torna mais pesado, com aquele quê de piada forçada ou desnecessária, afinal, estamos lidando com um livro típico do gênero, mas isso não me incomodou e acredito que também não atrapalhe a obra como um todo.

Título: Grumpy Cat: Um Livro Azedo
Páginas: 96 páginas
Editora: Belas Letras
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Já vivi sete vidas... Esta é a pior de todas.
Grumpy Cat é o gato mais mal-humorado que você já viu. Neste livro, o fenômeno mundial da internet vai mostrar que ser azedo não é um talento que vem de berço; qualquer um, com muito treino e determinação, pode desenvolver. Aqui, podemos conhecer a breve história do Grumpy Cat (incluindo todos os sonhos que ele já arruinou), descubrir bons motivos para odiar cachorros (e pessoas) e praticar o mau humor em jogos criados especialmente para você se sentir frustrado. Com todas essas dicas, o Grumpy Cat finalmente espera que você o deixe em paz. E, por favor, não se divirta ao ler este livro. Porque se divertir é horrível!
Para quem espera histórias e mais histórias, melhor esquecer a ideia, pois o livro é interativo e se encaixa em uma espécie de álbum com anotações. Ao longo das páginas, temos fotografias intercaladas a pequenas citações, além de atividades para fazer o mau-humor reinar. Eu, particularmente, não tenho palavras para descrever com exatidão meus sentimentos pelo livro. Ao mesmo tempo em que odiava os conselhos do gato, também me identificava claramente com eles. Não sei se deveria me preocupar com isso, mas, por enquanto, vou fingir que está tudo sob controle.
Certamente que a ideia de não se divertir com a obra foi por água abaixo, afinal, é só ler a introdução para se ter uma ideia do nível de azedume. A editora Belas Letras fez um trabalho impecável na diagramação e construção do livro, principalmente por ser em capa dura e as folhas não serem aquelas comuns que, depois de um tempo, começam a amarelar. As atividades montadas também foram bem pensadas, sendo que até as pessoas mais centradas conseguem se irritar com a solução (ou não solução).
Para aqueles que querem sair um pouco da rotina e se divertirem com um livro bacana, esta com toda certeza é uma indicação e tanto. Eu, que sou apaixonada por um bom romance e passo um pouco longe dos outros gêneros literários, me fascinei pelo livro. Quando terminei a leitura (se é que posso chamar assim), queria que todo mundo ao redor lesse também. Não tenho nem ideia de quantas vezes já o indiquei pessoalmente, mas posso dizer que não teve um só indivíduo que não tenha gostado ou simpatizado com a obra. Aliás, é muito difícil resistir a técnica de se tornar azedo. Acho que finalmente dominei essa habilidade.

07 novembro 2017

Recomece sempre que precisar

Quando era pequena, descobri nos livros infantis que a gente precisa fazer de tudo pelos nossos sonhos. Sempre levei isso como um mantra, o qual repetia incansavelmente enquanto crescia. Se a vida cooperava, lá estava eu, com um sorriso de ponta a ponta; caso contrário, me via em um beco sem saída. Talvez em meio a pensamentos, ou, quem sabe, no meio do caminho. A verdade é que ninguém nos fala que não há problema em algo dar errado. Ora! A vida têm momentos únicos que nem sempre condizem com nossas expectativas, mas isso não significa que estamos fazendo tudo o que deveríamos não fazer. Significa apenas que não deu certo. Não tinha que dar. Tá tudo bem abrir mão de vez em quando, mas não da gente. Não do que somos.
Nunca fui o tipo de pessoa que deixa estar. Eu gosto do desafio, mas tem coisas que simplesmente não funcionam comigo. Indivíduos que não batem com o meu santo, atitudes que não fazem jus ao que acredito, horas que mais parecem dias não pelo fato de passarem devagar ou pela falta do que fazer, mas, sim, porque a companhia não flui, a conversa não se desenvolve, as risadas não são naturais. Só que a gente precisa ter a certeza de que aquilo está certo, de que faz algum sentido. 

E quando não funciona, a gente finge que tá tudo bem.

Não é assim? Porque temos medo do incerto. Temos pavor de sair da zona de conforto e tentar novamente. Entrar em campos inexplorados. É por isso que tem tanta gente no emprego errado, no lugar errado, com a pessoa errada, em conversas ainda mais insanas. Eu, inclusive, faço parte desse grupo, mas juro que tô tentando mudar. Não pelos outros ou pelo que poderiam considerar, mas por mim mesma.

Se eu não gosto de onde trabalho, se sei que posso ir além, por que não tento? Por que ainda tô aqui parada, lidando com pessoas com as quais não simpatizo? Talvez eu tenha inúmeras respostas para essas perguntas, mas esse é o nosso problema: sempre arranjamos uma desculpa. Se formos analisar, passamos mais tempo com pessoas, situações e lugares dos quais não gostamos pelo simples fato de que é mais fácil assim. Não dá trabalho. Não gera revolta. O pensamento é universal: não precisamos encarar o novo para encontrar tudo aquilo que já temos, ainda que o que temos não seja necessariamente algo de que temos afeto. 

Só que não há nada de errado em desistirmos de coisas que não nos agregam. Se o relacionamento tá ruim, é porque tá ruim. Poxa! É porque não tem que dar certo. É porque vocês não se entendem como deveriam se entender. É porque, no fundo, é só amizade. Porém insistimos e levamos a coisa em banho maria. Ainda que descontentes, é o que temos. Mas será que o que temos é suficiente para o que, de fato, sonhamos?

Se a resposta para essa pergunta for "não", é melhor tentar novamente, meu bem. Fecha os olhos, conta até dez e pontua mentalmente todos os momentos únicos da vida. Talvez os sonhos precisem de algumas mudanças, assim como inúmeros outros surgirão com o tempo, mas a gente nunca sabe o que vai acontecer no outro dia. Eu não sei você, mas quando meu último dia bom chegar, a única certeza de que quero ter é que fiz tudo que pude para ser feliz. E se for preciso desistir de algumas coisas ao longo do percurso, tudo bem. A vida tem dessas. Espero perder o medo de recomeçar.
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