20 abril 2018

Acho que sou uma pessoa tóxica

Li um texto sobre ódio. Fiquei pensando em todas as vezes que falei claramente o quanto odiava diversas coisas, mesmo sabendo que, de fato, não as odeio, apenas não me permiti gostar delas. E, nisso, também me dei conta de todas as vezes em que plantei aquela sementinha da discórdia com algumas pessoas. A gente faz isso sem perceber, não é? Achamos que, se alguém nos trata com desprezo, precisamos fazer exatamente a mesma coisa. E isso vira uma bola de neve. Ele prega o ódio. Você prega o ódio. Há uma troca de indelicadezas implícita por aí. E por quê? Por que fazemos isso? Por que eu faço isso? Por que não posso simplesmente aceitar o outro como ele é e transformar minha incomodação em algo bom? Por quê?
Eu não sei responder essas perguntas. Não sei o motivo. Talvez porque crescemos acreditando que precisamos sentir pelo outro exatamente o que ele merece. Mas e se o outro só precisar de mais amor? Alguém, em algum momento, não é merecedor disso? Será que aquela pessoa que você tanto desgosta precisa mesmo ser tratada com desprezo? Você já tentou mudar de atitude?

Sempre fui aquela guria quieta que não fala muito. Fico no meu canto. Não sou só sorrisos e raramente cumprimento com dois beijinhos quando encontro um conhecido na rua. Isso, pra mim, é só meu jeito. Para os outros, antipatia. Já ouvi falar de muita gente que me odeia. Gente, inclusive, que não parou um segundo pra falar comigo, mas, ainda assim, "não vai com a minha cara". Eu, aliás, também não vou com a cara de muita gente, e é isso que mais me incomoda. No fim, sou exatamente aquilo que não quero ser. Sou uma pessoa tóxica que prega — assim como todo mundo — o ódio.

Caramba! Eu não odeio ninguém. Não gosto do temperamento de um, assim como não apoio o pensamento do outro, mas essas coisas não definem pessoas. Não define o que elas carregam consigo. Não significa que não tenham algo de bom por trás das coisas ruins. Todo mundo tem seu lado negro, né? Reclamamos, julgamos, criticamos o tempo todo. E ainda tem aquele ditado de que gente feliz não enche o saco. Então, se isso realmente é verdade, talvez fulano não seja feliz. Por que eu o odeio? Por que ciclano me odeia? Será que eu mesma sou feliz?

Queria saber responder todas essas interrogações. Queria ter algo de útil para finalizar este texto, mas não tenho. Sou só dúvidas. Talvez um dia venha a entender o sentido. Ou, quem sabe, a vida me bate de frente e aprendo com um tapa na cara. De qualquer modo, sigo tentando não ser assim. Sigo tentando ser mais amor do que ódio.

18 abril 2018

Eu sou mar aberto

Gostaria de dizer por aí que meu coração é trancado a sete chaves, mas a verdade é que ele não é. E aí, no calor do momento, as pessoas me perguntam meus segredos, questionam meus sentimentos e querem entender o que se passa pela minha cabeça. Eu sou transparente. Sou mar aberto que chega sem previsão e afoga os que não estão preparados. E se quer saber, eu odeio essa metáfora, mas ela é real. Nunca aprendi a ficar na beirinha e me precaver de qualquer problema, eu vou mesmo é para o fundo e mergulho de cabeça, sem pensar na possibilidade de algo dar errado.
Não me interessa se uma situação levou um dia ou um ano para se desenrolar, o sentimento de intensidade sempre vai ser o mesmo. Acho que por isso nunca fui de brincar com os sentimentos alheios também. Aquele clichê que a gente leva como conselho na adolescência do "pega, mas não se apega" nunca me serviu, de fato. E não digo isso só para os romances, digo, também, para qualquer que seja o caso. Amizades que se quebraram, atitudes que não deveria ter sido tomadas, pessoas que foram embora. Tudo me baqueia na mesma proporção que me faz crescer, amadurecer.

Eu sou mar aberto.

Quando alguém me conhece, percebe um muro de incompatibilidades, e, então, desiste. Para se ter uma ideia, grande parte dos desconhecidos que passaram por mim não tiveram a mínima coragem de ir para o fundo. Eles ficaram na areia, esperando uma ondinha para ver até onde iria. Foi só isso. Mal molharam os pés.

Outros, no entanto, já se afogaram. Não esperavam as reviravoltas. E acredito que seja esse o problema, sabe? É que não tem um equilíbrio nessa história. Talvez eu goste tanto do 8 ou 80 que minha vida se tornou um espelho disso. Ou vai, ou fica.

Por um lado, deveria ser grata. Por outro, fico pensando no quanto isso me afeta. Há dias, por exemplo, que finjo não existir. Saio de casa no automático e volto no mesmo ritmo. Não olho nos olhos de ninguém, assim como a maioria das pessoas já faz por costume. Deixo estar, entende?

Por vezes, penso que só gostaria de conhecer alguém que tivesse essa mesma profundeza, e que não recuasse no primeiro sinal de tempestade.

16 abril 2018

Playlist da semana: saudade

Até hoje não encontrei um único hobby que me acalmasse e me entendesse tão bem quanto ouvir música. Eu tenho total fascínio por melodias, ritmos, vozes diferentes. Às vezes, até, nem me importo tanto com a qualidade da letra ou em que ano fez parte das paradas de sucesso. Tem dias que a gente só quer ouvir alguma coisa bacana, pensar na vida e tentar fazer uma ligação daquilo que vivemos com o que o cantor repete no refrão. Não é isso? Tenho a impressão de que, assim como na semana passada, a semana que começa hoje também me reserva algumas surpresas, então tenho me preparado musicalmente para lidar com as adversidades.
Outro dia, quando pedi indicação de uma música para um colega, ele logo me falou em Nickelback e Bon Jovi. Procurei algumas canções que conhecia e montei uma playlist inteira só com eles. Nisso, me dei conta de que tenho tido muita saudade, de muita coisa e de muitas pessoas. Então, como naquelas situações em que a gente está na pior e escuta músicas que nos fazem pensar ainda mais nas coisas ruins, montei outra playlist com músicas que me lembravam pessoas, casos ou sensações. Ela me acompanhou durante a semana passada, e provavelmente vai me acompanhar durante esta semana também, por isso, resolvi trazê-la para cá e torcer para que gostem tanto das faixas quanto me peguei gostando.

É engraçado como uma batida qualquer ou um refrão mais animado pode remeter a tantos sentimentos, não é? Mas admito que gosto disso, de colocar o dedo na ferida e cutucar até finalmente sentir que parou de doer. Assim as coisas se ajeitam, o coração se aquieta e a gente fica mais leve, mais de bem com a vida.
Design e conteúdo por Kelly Mathies | Tecnologia do Blogger | Com amor ❤