18 janeiro 2017

Tudo bem não estar on-line

A minha curiosidade sempre foi um grande problema. Aquela mania boba de criança de perguntar o porquê de tudo me persegue desde que me conheço por gente. Eu não sei ouvir um não sem ficar ansiosa para as explicações que vêm a seguir. E quando elas não são ditas, sinto que o vazio me pega em cheio. É mais ou menos assim que estar on-line funciona para a maioria das pessoas, incluindo eu. É como ter um universo inteiro para ser descoberto nas entrelinhas. Ninguém quer ficar longe. Somos dependentes. Ou, pelo menos, eu achava que era até alguns dias atrás, quando fui parar no fim do mundo e resolvi deixar a internet guardada juntamente com meu celular no bidê do quarto da qual não conhecia. Me desliguei por quatro dias.
Não foi um inferno. É mais complicado manter a mente ocupada quando não temos uma enxurrada de informações que nos atingem a todo momento, mas não chega nem perto de ser difícil. Consegui conter minha curiosidade com livros, palavras cruzadas e algumas tardes deitada na rede olhando para o nada. Provavelmente minha cabeça parou durante esses dias. Foi como praticar yoga sem necessariamente me movimentar. 

Mas agora fico aqui me perguntando: por que somos tão apegados ao mundo virtual? Tudo bem que a maioria das pessoas da qual tenho contato só lembram de mim por conta de uma mensagem ou outra em alguma rede social. Tudo bem que meu maior refúgio é escrever em uma tela em branco e publicar um texto repleto de sentimentalismo. Mas tudo bem também não estar on-line. Eu não sou um dos maiores exemplos a serem seguidos, na verdade, nem de longe posso ser algo parecido, mas já ouviu aquela frase: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço? Funciona assim.

Deixar de lado, nem que seja por um único dia, toda essa avalanche de fotografias bonitas, reportagens mal feitas, notícias trágicas, filmes incoerentes, sociedades impulsivas e sensacionalismos faz muito bem. Só assim a gente consegue enxergar o outro, abrir a boca para conversar um pouco, dar chance a um livro que está parado na estante há séculos, ouvir aquela música que você não lembra o nome nem de longe. Temos uma mania esquisita de querer mostrar uma vida perfeita para os outros, só que esquecemos que a perfeição não é tão empolgante. O que faz todas as coisas valerem a pena é justamente os erros bobos e sem nexo que cometemos de vez em quando. 

Sei lá.

Há momentos em que precisamos dar uma pausa, desligar a câmera, os fones de ouvido, a televisão. E recomeçar. Talvez seja por isso que tudo me parece meio errado agora. Foi como se eu tivesse apertado o reset. Provavelmente minha programação vai além da tela do celular, mas eu nunca tinha parado para pensar sobre isso. 

16 janeiro 2017

DUFF, de Kody Keplinger

Desde que vi o filme pela primeira vez, senti uma simpatia imensa pelos personagens e pela história em si. Acabei ficando curiosa quanto ao livro, ainda mais quando me falaram sobre as diferenças entre um e outro. De fato, ambos não são nada parecidos. Tirando o nome dos personagens e suas personalidades marcantes, a história segue outro caminho. Um caminho mais atrativo, mais quente, mais pesado. De certeza que se tornou um dos meus favoritos, não por tudo que acontece, mas pelas entrelinhas que incentivam o amor próprio e que fazem você sentir orgulho do que é. O filme continua sendo um dos meus queridinhos, mas o exemplar me conquistou.
DUFF retrata a história de uma garota que tem duas amigas bem populares, notas altas na escola e uma personalidade única. Ela é feliz do seu próprio jeito, não gosta muito de músicas alternativas e pessoas que fazem de tudo para chamar atenção, apesar de suas melhores amigas serem assim, não por intenção, mas por estarem entre as líderes de torcida e conquistarem qualquer garoto com um simples olhar. No entanto, ao ser chamada de D.U.F.F. por seu maior inimigo, Wesley, a adolescente passa a enxergar sua vida de outra forma, usando o sexo como uma válvula de escape da realidade.

Título: D.U.F.F
Autor: Kody Keplinger
Páginas: 328 páginas
Editora: Globo Alt
Bianca Piper não é a garota mais bonita da escola, mas tem um grupo leal de amigas, é inteligente e não se importa com o que os outros pensam dela. Ela também é muito esperta para cair na conversa mole de Wesley Rush, que a apelida de DUFF, sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, a menos atraente do seu grupo de amigas. Porém a vida de Bianca fora da escola não vai bem e, desesperada por uma distração, ela acaba beijando Wesley. Pior de tudo: ela gosta. Como válvula de escape, Bianca se envolve em uma relação de inimizade colorida com ele enquanto o mundo ao seu redor desmorona.
Mas o que é um D.U.F.F.? A sigla significa, em poucas palavras, alguém desengonçado que não leva jeito para ser popular, que é fora do padrão e que, acima de qualquer outra coisa, é um ótimo amigo usado para fazer os outros parecem mais bonitos. Durante o Ensino Médio, as pessoas se perdem em meio aos estereótipos, que foi o que aconteceu com Bianca. Chateada e sem saber como se tornar mais atraente, ela busca por uma distração o mais rápido possível, encontrando o foco no próprio inimigo, um garoto rico e muito popular que não liga para o que os outros pensam e está sempre com uma garota por perto, usando-a como o prêmio mais recente.
A vida pessoal de Bianca também não está nada interessante. Sua mãe, na tentativa de ficar o mais longe possível de seu pai, principalmente por conta das brigas recentes, está viajando pelo mundo em uma turnê. O pai, mesmo tendo controle, acaba caindo algumas vezes nas garras da bebida e se torna uma pessoa agressiva, o que faz com que a garota fique preocupada com o estado de saúde dele. Tentando esquecer desses problemas e fugir da denominação que recebeu de Wesley Rush, Bianca se envolve com o garoto, mas mantém em segredo os seus momentos íntimos com o inimigo. 

A relação colorida dos dois personagens principais é bastante intensa, mas não explícita. A história é um tanto improvável, porém esperada. Os acontecimentos ao longo da narração fazem o leitor entender o que está acontecendo e o que virá a seguir, no entanto, por diversas vezes tive a surpresa de não ser aquilo que estava imaginando. A Bianca é uma adolescente fácil de lidar e de se identificar, principalmente pelas questões psicológicas e emocionais que a envolvem. Wesley, por outro lado, é um garoto mais complicado e cheio de mistérios que se mostra aos poucos.
A linguagem, por ser comum e muito prática, facilita a leitura e faz com que as cenas fluam naturalmente. Este é um daqueles livros que você vai lendo e comenta "só mais um capítulo, depois faço outra coisa" e, no fim, já leu mais cinco e não tem vontade alguma de parar. É tudo muito envolvente, mexe com o lado sentimental da vida, ao mesmo tempo em que retrata o sexo, as pressões sociais e outros assuntos da adolescência de forma cativante e reflexiva. O leitor, ainda que não se veja no papel principal, acaba se identificando com as questões existenciais dos personagens.

A diagramação do livro é um amor e não reparei erros de revisão, o que é ótimo. Já o vi com outras capas, mas essa foi a que mais me chamou atenção. Ele realmente acabou se tornando um dos meus preferidos, justamente por fazer com que eu me identificasse com determinados momentos que me fizeram pensar a respeito de mim mesmo. Não consegui encontrar um único ponto negativo. Aliás, quem quiser conhecer um pouquinho mais sobre a história, mesmo que seja contada de forma diferente, vale a pena conferir o filme e se apaixonar pelos personagens.

13 janeiro 2017

The Book Jar e metas literárias

Esses dias vi um blog comentando sobre um projeto literário que ajuda o leitor a escolher sua próxima aventura. No começo, achei um tanto confuso e não me animei para colocá-lo em prática, mas fui dar uma olhada nos livros que ainda não consegui ler até hoje e me decepcionei com alguns títulos que não me chamam atenção quase nunca entre todos que tenho na estante. Isso me fez pensar que provavelmente não vou ter vontade de pegá-los para ler, no entanto, também não quero deixar de conhecer as histórias contidas neles. Ou seja, estou em um beco sem saída. Fui, então, pesquisar sobre o tal jarro de livros e encontrei algumas instruções e dicas bem valiosas.
O Book Jar é, sem muitas complicações, um jarro de livros para ler. Eu não sei ao certo quem criou a ideia, mas já li em muitos blogs literários sobre possíveis fontes reais. Como não tenho certeza sobre nenhuma delas, prefiro ficar somente com sua utilidade. Ele nada mais é do que um pote, seja ele qual for, em que colocamos papéis dobrados dentro com todos os títulos da estante que ainda não foram lidos. Mas não pense que é só isso. Há regras que devem ser seguidas e que vão fazer o projeto dar certo.

Não colocar livros que não possui

A ideia é diminuir a lista de livros que ainda não foram lidos por algum motivo. Quando você coloca aqueles que ainda não tem na estante, a tendência é aumentar cada vez mais essa pilha. Já pensou pegar o nome de um deles e ter que sair para comprá-lo, mesmo sem estar em época de promoções? De certeza que vai gerar prejuízo.

Não colocar livros de amigos

Se a sua intenção é diminuir a pilha de livros acumulados que não foram lidos, por que as obras do seu coleguinha deveriam estar dentro do seu jarro? Não faz muito sentido.

Atualizar o pote sempre que comprar um novo livro

Afinal, de que adianta riscar inúmeros livros da lista de não lidos e acrescentar cada vez mais novos títulos na pilha? Por isso, quem é adepto a ideia precisa ter em mente que todo livro novo colocado na estante deve ser sinalizado no pote também.

Não incluir livros com prazos de leitura

Se você tem parceria com editoras ou autores independentes, vale lembrar que esses livros possuem um prazo para leitura, portanto, não vale a pena colocá-los dentro do pote. Sempre que uma nova cortesia chegar, coloque como prioridade, dessa forma não terá resultados negativos e a sua responsabilidade será prezada.

Nada de trapacear

Se você pegou um livro, é aquele que deverá ser lido. Não tente enganar a si mesmo, isso só prejudicará suas leituras e metas literárias. Algumas pessoas optam por separar os gêneros com papéis coloridos, assim fica mais fácil de pegar um título que realmente queira ler. Aliás, caso tenha uma série na estante, coloque sempre o primeiro livro, afinal, não dá para começar pelo último, certo?
O meu jarro não ficou bem um jarro. No fim das contas, acabei fazendo uma caixinha (aqui tem o molde caso alguém queria fazer) e listei os livros que ainda não li. Há menos do que imaginava, mas sei que vai me ajudar muito em termos de organização. As opções são infinitas. Os gêneros podem ser separados por cores, por exemplo, azul para livros policiais e vermelho para livros de ação; o jarro pode ser um copinho decorado, uma caixa de papel, um pote de vidro ou até mesmo aqueles copinhos de café. Soltar a imaginação e fazer o jarro ser parte da decoração não é difícil.
A intenção é que o leitor pegue um dos papeis do jarro sem ficar escolhendo muito e leia o livro que foi sorteado. Não vale ficar tirando vários papeis até finalmente escolher um que agrade, é trapaça, viu? O projeto também pode ser bem útil para quem quer estipular metas literárias. Sortear um papel por mês pode ser pouco para quem já está acostumado, mas é uma desafio e tanto para quem não tem o hábito de ler sempre. Eu, por exemplo, quero bater minha meta literária do ano passado, que foram 30 livros. Se conseguir chegar pelo menos aos 50 já vou ficar bem feliz com o resultado. Aliás, quem quiser pode me acompanhar lá no Skoob também e ver os livros que ando lendo.

O que vale realmente é a intenção. Para quem gosta e fica animado com esses projetos, é muito bacana poder participar e se desafiar com novos livros. A gente tem o costume de ler aquilo que já está acostumado, mas fugir um pouco dessa realidade é como abrir um novo horizonte. Precisamos ter novas experiências literárias.
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