15 fevereiro 2017

Querido Will,

É tão estranho pensar que já passou tanto tempo desde que você foi embora. São 4 horas da manhã e eu me pego sentada na beirada da janela. Aquele apartamento da qual tanto sonhei mais se parece com uma caixa de sapatos. Sinceramente? Eu não me importo muito com isso, sempre gostei de coisas pequenas. Você sabe que não sou boa com grandiosidades, é como se as coisas fugissem do meu controle. Mas eu detesto olhar para fora e dar de cara com o parque central. Ainda lembro quando sentávamos debaixo da árvore e ficávamos fazendo comentários sarcásticos sobre o que as pessoas poderiam estar conversando. Nunca soube se nossas teorias estavam certas, mas a gente rolava de rir. Era leve, divertido, mesmo sabendo que alguma coisa estava errada.
Nunca guardávamos segredos um do outro, mas você fez seu trabalho com perfeição. É claro que você tinha certeza de que as coisas mudariam caso falasse sobre o assunto. Eu sempre tive um desequilíbrio emocional e psicológico gritante.

Nada mudou desde então. Eu continuo a mesma perfeccionista de sempre. Minhas doses de café aumentaram com o passar do tempo, não sei exatamente se é por conta da insonia ou para tentar afogar a saudade, mas tem dado certo. Os dias parecem se arrastar e as demais conversas não são como as nossas. As pessoas estão cada dia mais rasas, mais cheias de si e vazias de conteúdo. Acho que me lembro de ouvir você resmungando algo sobre isso. Você parava por um tempo, como se tivesse levado um soco no estômago, semicerrava os olhos e criava conspirações malucas. 

Eu adorava ouvir suas histórias e é disso que mais sinto falta.

Quando era pequena, acreditava que perder alguém era simples e a dor só aparecia nos primeiros momentos. Mas hoje sinto que não. Esse vazio aqui dentro não melhora. Será que ainda vai doer por muito tempo? Queria que estivesse aqui e que me dissesse que vai ficar tudo bem. Mas você não está. Queria que tivesse me preparado para isso. Que tivesse me contado, mandado um sinal ou até mesmo uma mensagem de texto.

Como as pessoas conseguem continuar vivendo? 

Agora são 5:30 da manhã. Eu passei meia hora tentando arranjar forças para ir trabalhar. Também precisei de meia hora para terminar de escrever esta carta. Sei que nunca vai recebê-la, mas espero que esteja lendo ao mesmo tempo em que as palavras me parecem fazer sentido. Acreditar nisso está me fazendo bem, mesmo que seja paranoia e que queiram me levar a um psiquiatra.

Estou bem.

É só saudade.

13 fevereiro 2017

A Sorte do Agora, de Matthew Quick

A primeira ver que li um livro do Matthew foi há alguns anos atrás. A escrita dele era leve e sincera, quase como se o personagem fosse uma pessoa qualquer que estava do meu lado, vivendo sua vida da melhor forma possível. Isso me fez ficar curiosa sobre algumas de suas obras, como O Lado Bom da Vida, que me ensinou melhor do que nunca sobre gentileza e esperança. Mas então eu me deparei com este livro. Ele me cativou em um primeiro momento e a história tinha tudo para ser incrível, mas senti como se estivesse lendo um livro infantil, com pensamentos extremamente puros até para um homem de 39 anos que morou a vida inteira com a mãe. É como se o autor não tivesse se conectado com o personagem, elaborando uma vida aleatória para ele. Foi decepcionante.
Bartholomew é um homem simples que deixou de lado a sua própria vida para cuidar da mãe em estado terminal. Um câncer no cérebro, parecido com os tentáculos de um polvo, tomaram a vitalidade da mulher. Ela era apaixonada por Richard Gere. Seus últimos dias foram regados a presença constante do astro lhe fazendo mimos, já que sua mente estava fraca demais para distinguir o próprio filho de um ator reconhecido. Bartholomew não se importava com a ideia de ser esquecido, afinal, sua mãe estava feliz. Quando ela morreu, ele encontrou uma carta secreta em meio as calcinhas da mãe e resolveu dar o primeiro passo para sair do luto: escrever para o astro de Hollywood. 

Título: A Sorte do Agora
Autor: Matthew Quick
Páginas: 224 páginas
Editora: Intrínseca
Bartholomew Neil passou todos os seus quase 40 anos morando com a mãe. Depois que ela fica doente e morre, ele não faz ideia de como viver sozinho. Wendy, sua conselheira de luto, diz que ele precisa abandonar o ninho e fazer amigos. Mas como um homem que ficou a vida toda ao lado da mãe pode aprender a voar sozinho? Bartholomew então descobre uma carta de Richard Gere na gaveta de calcinhas da mãe e acredita ter encontrado uma pista de por quê, afinal, em seus últimos dias, ela o chamava de Richard... Só pode haver alguma conexão cósmica. Convencido de que Richard Gere vai ajudá-lo, o homem começa uma nova vida escrevendo uma série de cartas altamente íntimas para o ator. De Jung a Dalai Lama, de filosofia a fé, de abdução alienígena a telepatia com gatos, tudo é explorado na escrita que não só expõe a alma de Bartholomew, mas, acima de tudo, revela sua tentativa dolorosamente sincera de se integrar à sociedade.
Sem ideia de como viver sua nova vida, o homem encontra nas cartas que escreve uma forma de ter contato com alguém além de Wendy e o padre Mcnamee, afinal, seu pai fora assassinado por ser muito religioso e de uma fé inabalável. Wendy é uma garota incrível e de uma energia sem igual, mas o homenzinho que vive no estômago de Bartholomew não é muito fã das palavras de apoio da conselheira. O padre, por outro lado, acaba enlouquecendo, ou, pelo menos, é o que as outras pessoas falam. Ele larga a igreja e vai morar com Bartholomew dizendo ter uma missão. Mcnamee espera que Deus fale com os dois e que algo extraordinário aconteça, mas ele não está mais conseguindo ouvir o Senhor e passa boa parte dos dias rezando. 
Para fugir da realidade, o homem solitário costuma ir à biblioteca e analisar as pessoas, principalmente a meninatecária, como gosta de chamar a mulher que trabalha no local. Ela é sempre reservada e cuida dos livros como se fossem joias preciosas. Bartholomew sonha com o dia em que vai ter coragem de chamá-la para sair e pede ajuda a sua conselheira de luto, o que a anima, já que ela quer que o rapaz trace objetivos. Mas há uma condição: ele precisa frequentar o grupo de apoio. O homenzinho no estômago de Bartholomew não gosta nada da ideia, mas a proposta acaba sendo aceita. Lá, ele conhece Max, um sujeito estranho e bastante revoltado com a vida que é apaixonado por gatos e que acredita no poder alienígena.

Mas a vida não é um conto de fadas. Acontecimentos pesados fazem com que o padre e Bartholomew se envolvam no relacionamento de Wendy e planejem uma viagem inesperada. O homem passa a acreditar em forças cósmicas e alienígenas. Todas as suas certezas são colocadas em dúvida e aquilo da qual tanto tem fé se esvai. Ele vai seguindo a vida com a ajuda de Dalai Lama e filosofias da qual Richard Gere o apresentou, mas são seus novos amigos que o fazem enxergar a realidade.
A escrita é bastante leve e ingênua, trazendo questões sobre amizade, fé, amor, gentileza e perdão. A história vai fundo nos sentimentos mais sinceros e faz o leitor refletir a todo instante. A diagramação, apesar de todos os pontos ruins, está impecável. A capa é linda, não há erros de revisão, as folhas são amareladas e mais grossinhas. Quanto a leitura, eu entendo que a falta de contato com o mundo e com a sociedade façam de Bartholomew um homem sem muitos aprendizados e com a mente incompatível para alguém da sua idade, mas me senti completamente fora de contexto. O livro me pareceu pouco trabalhado e os personagens soam aleatórios, como se não fizessem parte. A ideia do autor é genial e eu daria tudo para ver um novo enredo para esta história. 

Assim como em O Lado Bom da Vida, a obra também me trouxe um punhado de aprendizados que provavelmente levarei comigo para o resto da vida, mas não o lerei novamente. Tive tanta dificuldade em terminar a leitura que até me sinto mal por interpretar a história dessa forma. Sei que muitas pessoas são apaixonadas pela obra e pelo autor, não tiro seus motivos, mas eu realmente não me senti conectada. O grande problema, aqui, não é o livro ser ruim. Ao meu ver, o autor imaginou uma história sensacional, mas não soube como colocá-la no papel. 

10 fevereiro 2017

Manual da Autoestima: terceiro desafio

E chegamos ao terceiro desafio (que deveria ser o quarto, mas por ordem do destino acabei não participando do terceiro) do projeto Manual da Autoestima. Depois de ter compartilhado um objeto que faz eu me sentir importante e listado cinco coisas que admiro em mim mesma, chegou a hora de dizer sim ao novo. Eu sou uma pessoa extremamente previsível, isto é, são raras as vezes em que saio da rotina e as coisas ficam fora de controle, mas admito que adoro tentar novas opções, principalmente quando se trata de preencher o tempo vago. Este ano eu decidi que literalmente me jogaria nas possibilidades e admito que estou empolgada, colocando em prática a ideia de não pensar muito. Isso me fez dizer "sim" para três opções.

Comecei a fazer academia

Eu sou muito sedentária desde que me conheço por gente. Já fiz natação por dois anos por causa da minha coluna, mas acabei parando por não curtir a intenção. Desde então, não faço nada além de sair da sala e ir para a cozinha. Pensando nas consequências que já começaram a aparecer, resolvi tentar a academia. Apesar de fazer somente uma vez na semana por conta da faculdade, que, por sinal, vai ocupar toda a minha semana durante esse semestre, sei que os resultados serão positivos e que isso vai ajudar muito na minha saúde. A ideia é ganhar massa magra e eliminar aquilo que me incomoda, mas ao mesmo tempo me exercitar e sair um pouco do mesmo.

Cortei o cabelo curtinho

Ano retrasado tive a primeira oportunidade de coragem. Cortei meu cabelo em um chanel de bico mais longo, que ficou entre o médio e o curto. No entanto, desta vez, eu queria mesmo que o corte ficasse mais marcadinho e pedi para tirar mais alguns dedos. Isso já faz duas semanas e está um pouco complicado de lidar, mas aos pouquinhos estou gostando de como ficou. Sempre fui muito apegada ao meu cabelão e foi um choque ver que quase um palmo e meio de cabelo estava no chão, mas é libertador mudar.

Comecei a comer comidas mais saudáveis

Nunca tive neuroses sobre comidas saudáveis ou não, afinal, tenho o costume de comer o que gosto sem ficar me preocupando com isso ou com aquilo, mas passei a perceber que boa parte das coisas que comia me faziam mal. Eu tinha intoxicação alimentar de vez em quando e nem todas as opções eram aceitas pelo meu organismo, ou seja, minha saúde estava péssima. Por isso, esta semana comecei a cuidar um pouco mais, comendo de três em três horas, em pouca quantidade e incluindo mais frutas do que o costume. Aliás, até os biscoitos integrais estão se tornando saborosos, por incrível que pareça. Só não me peça para tomar iogurte sem açúcar ou gordura, esse eu recuso de certeza.
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