24 maio 2018

Quando a vida requer paz

Sabe aquele sentimentozinho de quando nada de ruim acontece, mas nada de grandioso também dá as caras? É como se estivéssemos em perfeito equilíbrio, tentando entender o por quê de tudo ser tão 8 ou 80. Hoje acordei assim, no sossego. Sei que, mesmo se o dia for um inferno, meu bom humor ainda vai prevalecer, minha paciência vai me guiar e, se duvidar, abro um sorriso para os tropeços. Não que eu esteja plena ou feliz demais da conta, mas estou em paz comigo mesma e com o mundo. Tô em trégua com a vida.
A verdade é que a gente perde muito tempo se preocupando com coisas de menos, enquanto que o importante passa despercebido, quase como um vulto em dias nublados. E, pior do que isso, é saber que deixamos passar. Não notamos. Ficamos, em vez disso, reclamando de barriga cheia, porque "aquela droga daquele negócio deveria ter dado certo", mas, veja bem, não deu. Não era para dar. Vida que segue, sabe? E, aliás, falo isso para mim mesma também, que erro tanto quanto todo mundo. Talvez até mais.

Uma coisa que aprendi com o tempo é a escutar, mas não levar tudo que ouço para a vida, e isso inclui até mesmo conselhos alheios. Tem coisas que, simplesmente, não valem a pena. Não valem a tristeza, o estresse, a cara amarrada ou o mau humor. Não valem o tempo. Não valem, principalmente, as noites mal dormidas e as olheiras no outro dia logo cedo. Cada um sabe de si e do que carrega por aí. Se me orgulho do que sou e de como deixo minha marca no mundo, palavrão, roupa, cabelo ou luxúria não me tirarão a beleza de continuar sendo. 

A vida não é sobre isso.

A vida é sobre dias assim, em que a gente simplesmente não se importa com as adversidades, com os problemas ou com as dores de cabeça. É quando o café tá forte demais, mas isso nos acalma. É quando aquele abraço sufocante se torna um abrigo reconfortante. É quando o olhar torto daquele indivíduo mal-humorado vira graça. É quando o "bom dia, flor do dia" vira um carinho. É quando tudo vira de ponta cabeça, mas continua tudo bem, tudo em paz.

22 maio 2018

O Colecionador de Memórias + Sorteio

Sabe aquela história de que quando ficamos mais velhos, a responsabilidade também tende a aumentar? Pois, no meu caso, o estresse falou mais alto e me pegou de jeito. Foram semanas exaustivas, em que chegava em casa e não tinha vontade de fazer absolutamente nada além de ver um filminho e dormir. Mas como tudo na vida passa, essa fase também foi embora e, com ela, meu mau humor. Foi aí que aproveitei para colocar algumas leituras em dia e trazer essa surpresinha para quem me lê. O Colecionador de Memórias veio em uma caixinha brinde da Novo Conceito, juntamente com um exemplar extra para que eu possa sortear aqui no blog. Claro que finalizei a leitura primeiro e cá estou trazendo um pouquinho da obra.
Sabrina Boggs tem a via que sempre quis, ainda que, em alguns momentos, veja essa felicidade como um fardo, não tão concreto, não exatamente maleável. Para ela, a vida simplesmente está seguindo. No entanto, ao visitar seu pai na reabilitação — visto que ele sofreu um derrame e perdeu boa parte da memória —, Sabrina se depara com algumas caixas. Estas não lhe são familiares, ainda mais por conter diversos modelos de bolinhas de gude. Uma coleção impecável de que não faz ideia de onde veio.

Título: O Colecionador de Memórias
Autor: Cecelia Ahern
Páginas: 272 páginas
Editora: Novo Conceito
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Quando Sabrina Boggs tropeça em uma misteriosa coleção de bolinhas de gude que pertencia ao seu pai, percebe que não sabe nada sobre o homem com quem cresceu. É uma coleção valiosa e incomum — incomum se ela pensar no homem que sempre conheceu. No entanto, há algo real lá dentro, muito verdadeiro sobre seu pai, ou sobre a criança que ele fora. Sabrina só tem vinte e quatro horas para descobrir os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para exumar memórias, histórias e pessoas que não sabia existirem. Um dia que a mudará para sempre. Fazendo uma busca pelas memórias de seu pai, Sabrina persegue uma busca de identidade; os segredos que ela trará à tona irão mudar tudo o que dava por certo em sua vida
Ao mencionar vagamente sobre a coleção com seu pai, Fergus, Sabrina se dá conta de que talvez ele ainda saiba alguma coisa sobre ela. Assim, querendo descobrir de onde veio a coleção de bolinhas de gude e o motivo de ela ter parado na clínica depois de tanto tempo, a mulher resolve ir mais a fundo para encontrar alguém que saiba algo —  mínimo que seja — sobre as caixas. Afinal, por que ela não sabe sobre aquelas bolinhas? Por que seu pai nunca falou sobre elas? E quanto a sua mãe? Será que ela também não sabia sobre a coleção ou simplesmente não ousa tocar no assunto?
Em meio a tantas perguntas, Sabrina se vê perdida: se ela não sabe nada sobre seu pai, quem, de fato, ela é? Ela sabe algo sobre si mesma? Por que tudo isso aconteceu logo agora? Por que essa coleção é tão importante? E, por fim, por que seu pai, que recorda de poucos acontecimentos, ainda guarda uma fagulha no olhar quando se refere a essas bolinhas? São esses questionamentos que a mulher leva para cada pessoa com quem encontra. Estas, então, com suas histórias, lhe dão um vislumbre de quem era o Fergus que colecionava bolinhas de gude.

O Colecionador de Memórias é um livro intenso, porém com pouco conteúdo. Eu aprendi a amar a escrita da Cecelia Ahern, mas confesso que me decepcionei bastante com essa obra em particular. Os acontecimentos, que poderiam ser facilmente descobertos em 100 páginas, acabam se estendendo mais do que deveriam. Aliás, a própria narrativa se dá de forma lenta e detalhista, ora pelos olhos de Fergus, ora pela visão de Sabrina. Além disso, o motivo de todo o problema — a caixa de bolinhas de gude —, em dado momento, torna-se uma tempestade em copo d'água, sendo que os questionamentos de Sabrina poderiam ser respondidos com facilidade caso a personagem optasse por caminhos alternativos.
Apesar de tudo isso, vejo que a história tem potencial. Os personagens são cativantes e carregam uma visão de mundo particular, cada um à sua maneira, deixando claro seus objetivos. A história, em si, também é rica em detalhes que fazem toda a diferença, mas que, por descuido da autora, foram além do necessário. Isso também fica registrado na forma como o leitor a entende. Li resenhas que elogiavam muito o livro, enquanto que li outras de pessoas que nem chegaram ao fim da história. No fim, acredito que seja uma daquelas obras em que as opiniões sempre serão aleatórias. Portanto, resta aos que ainda não leram dar uma chance à história, e, quem sabe, deliciar-se ou não com ela.

Sorteio de um exemplar

Como mencionei no comecinho deste post, a editora me enviou de presente um exemplar do livro para que eu sorteasse por aqui. Por isso, dei minha opinião sobre a leitura e, agora, deixo em aberto para o ganhador também dar pitaco sobre a história. As regrinhas são aquelas básicas de sempre:
- Curtir a página do blog
- Marcar 3 amigos na fotinho oficial lá do Facebook
- Clicar em "Participar" neste link.
- Residir em território nacional

O sorteio será realizado dia 23/06. O ganhador terá um prazo de 48 horas para me responder e precisa ter seguido as regras bonitinho, do contrário, outra pessoa será sorteada. Portanto, boa sorte aos envolvidos!

04 maio 2018

É estranho ter vinte e poucos anos

Quando eu era mais nova, chegar aos 18 anos era uma realidade distante. Acho que todo mundo passa por essa fase, não é? A gente acha que nunca vai ter independência, liberdade, coragem para ser dono do próprio nariz e das escolhas que faz. Mas aí, quando a hora chega, nos damos conta de que não é nada disso. Ter 18 não significa nada. Você continua morando com os pais, ainda precisa deles até conseguir um emprego estável, ainda pede permissão para fazer o que quer e, provavelmente, vai correr para o colo mais próximo quando a vida resolver pregar uma peça. A única coisa que se transforma são os números. Digo isso porque a expectativa x realidade é muito diferente do que imaginamos. Olha só para mim, estou com 20 e poucos anos e só agora resolvi que era hora de sair da zona de conforto.
A verdade é que demora até conquistarmos o mínimo que seja de confiança para ser cada um por si. Demora até concluirmos o que realmente queremos da vida ou o que ela quer da gente. Quando essa conclusão chegar, talvez você já tenha 40 anos. Ou, quem sabe, você viva sua vida inteira sem saber a resposta para isso. Vai saber, né? O fato é que todo mundo cobra, mas, quando realmente chega o momento de fazer as coisas acontecerem, não existe uma única pessoa que não recue. Isso porque, como bem diz Bauman, vivemos tempos líquidos em que tudo muda, o tempo todo.

Aos 15 anos, pensava que com 21 estaria formada, com 24 estaria casada, com 27 publicaria meu primeiro livro, e, quem sabe, com 30 teria um filho. Bom, fiz 22 e ainda não me formei, não sei mais se quero casar e pretendo publicar um livro ano que vem. Complexo? Não, porque nossas prioridades mudam. Sempre. Talvez meus planos mudem até o final do dia. Talvez aconteça alguma coisa nesse meio tempo que me faça repensar sobre meus objetivos. No fim, a pressão da idade é maior do que o fluxo da vida.

E que clichê falar disso, não é?

É que fiquei pensando: é muito estranho ter vinte e poucos anos, assim, por extenso mesmo. É estranho porque não me sinto mais velha, ainda que as responsabilidades tenham dobrado de tamanho. É estranho porque ainda acordo cedo e vejo desenho animado. É estranho porque, quando tinha 18, queria fazer 30; agora que tenho 20, só quero voltar a ter 15. Não porque não me orgulho do que conquistei até aqui, mas porque tem dias que minha única vontade é de sentar e colocar a cabeça no lugar, só que a vida não para e os dias se atropelam.

É estranho porque as pessoas esperam muito de alguém que faz 18, assim como esperam mais ainda daqueles que fazem 30. Estar no meio disso é não esperar nada. É ser surpreendido o tempo inteiro. É ter uma infinidade de possibilidades e não fazer ideia de para onde correr. É se perder e se encontrar na esquina de casa.
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