04 maio 2018

É estranho ter vinte e poucos anos

Quando eu era mais nova, chegar aos 18 anos era uma realidade distante. Acho que todo mundo passa por essa fase, não é? A gente acha que nunca vai ter independência, liberdade, coragem para ser dono do próprio nariz e das escolhas que faz. Mas aí, quando a hora chega, nos damos conta de que não é nada disso. Ter 18 não significa nada. Você continua morando com os pais, ainda precisa deles até conseguir um emprego estável, ainda pede permissão para fazer o que quer e, provavelmente, vai correr para o colo mais próximo quando a vida resolver pregar uma peça. A única coisa que se transforma são os números. Digo isso porque a expectativa x realidade é muito diferente do que imaginamos. Olha só para mim, estou com 20 e poucos anos e só agora resolvi que era hora de sair da zona de conforto.
A verdade é que demora até conquistarmos o mínimo que seja de confiança para ser cada um por si. Demora até concluirmos o que realmente queremos da vida ou o que ela quer da gente. Quando essa conclusão chegar, talvez você já tenha 40 anos. Ou, quem sabe, você viva sua vida inteira sem saber a resposta para isso. Vai saber, né? O fato é que todo mundo cobra, mas, quando realmente chega o momento de fazer as coisas acontecerem, não existe uma única pessoa que não recue. Isso porque, como bem diz Bauman, vivemos tempos líquidos em que tudo muda, o tempo todo.

Aos 15 anos, pensava que com 21 estaria formada, com 24 estaria casada, com 27 publicaria meu primeiro livro, e, quem sabe, com 30 teria um filho. Bom, fiz 22 e ainda não me formei, não sei mais se quero casar e pretendo publicar um livro ano que vem. Complexo? Não, porque nossas prioridades mudam. Sempre. Talvez meus planos mudem até o final do dia. Talvez aconteça alguma coisa nesse meio tempo que me faça repensar sobre meus objetivos. No fim, a pressão da idade é maior do que o fluxo da vida.

E que clichê falar disso, não é?

É que fiquei pensando: é muito estranho ter vinte e poucos anos, assim, por extenso mesmo. É estranho porque não me sinto mais velha, ainda que as responsabilidades tenham dobrado de tamanho. É estranho porque ainda acordo cedo e vejo desenho animado. É estranho porque, quando tinha 18, queria fazer 30; agora que tenho 20, só quero voltar a ter 15. Não porque não me orgulho do que conquistei até aqui, mas porque tem dias que minha única vontade é de sentar e colocar a cabeça no lugar, só que a vida não para e os dias se atropelam.

É estranho porque as pessoas esperam muito de alguém que faz 18, assim como esperam mais ainda daqueles que fazem 30. Estar no meio disso é não esperar nada. É ser surpreendido o tempo inteiro. É ter uma infinidade de possibilidades e não fazer ideia de para onde correr. É se perder e se encontrar na esquina de casa.

23 abril 2018

Resenha: Um de Nós Está Mentindo

Eu pensei que o último semestre da faculdade seria tranquilo, mas quem disse? Com trabalhos absurdos e um prazo curtíssimo para entrega, dia desses, cansada de tudo isso, resolvi me dar ao luxo de pegar um livro e me desligar da realidade. Para ser sincera, foi a melhor escolha que fiz. Um de Nós Está Mentindo foi minha leitura da vez. Com uma linguagem acessível e muito próxima dos diálogos que estamos acostumados a ouvir por aí, a obra é uma mistura de romance, suspense e investigação policial.
Simon é um jovem como qualquer outro, mas, sejamos sinceros, um tanto complexo de entender. Depois de perceber que as fofocas dão vida ao colegial, o garoto resolveu criar um aplicativo para contá-las com exatidão, mas deixando um ar misterioso para que as pessoas tirem suas próprias conclusões. É claro que, nisso, fez muitos inimigos, e a fila de pessoas o odiando cresceu a cada dia. Bronwyn, Addy, Nate e Cooper, inclusive, fazem parte desse grupo. Assim como todos que possuem um segredo, eles também não querem ser expostos, mas, quando Simon passa mal durante a detenção e os quatro são os únicos que podem ajudá-lo, as coisas começam a complicar.

Título original: One of Us is Lying
Autor: Karen McManus
Páginas: 383 páginas
Editora: Galera Record
❤ Livro cedido pela editora
Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder. Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras; Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera; Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas; Cooper, o atleta, astro do time de beisebol; e Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta? Todo mundo tem segredos, certo?
Com a morte de Simon e a polícia investigando os quatro estudantes, eles acabam tendo algo em comum: precisam entender o que aconteceu naquele dia. Como Simon morreu? De acordo com os laudos médicos, ele ingeriu uma grande quantidade de óleo de amendoim, e, como era alérgico, teve uma reação grave. Contudo, quem colocou óleo de amendoim na água de Simon? Será que um dos quatro está mentindo? Ou será que, diante de todos os acontecimentos do dia, acabaram deixando passar algum detalhe importante? E se alguém armou para eles? O que ganharia com isso?
Em meio a tantas perguntas, Bronwyn, Addy, Nate e Cooper acabam tendo de juntar suas forças para encontrar pistas e se safarem das acusações da polícia. Só que, além disso, eles precisarão entender exatamente quem são para lidarem com seus próprios problemas e guardarem seus segredos até o momento certo. Afinal, todos possuem sonhos que dependem daquilo que guardam somente para si mesmos, e, caso algo dê errado, nada mais será como antes.

Um de Nós Está Mentindo foi uma leitura surpreendente, mas clichê. Eu sou muito fácil de conquistar quando se trata de histórias clichês, então, confesso, esta me pegou em cheio. Só que, diferente do que geralmente acontece, em que tudo acaba com um final feliz, me vi frustrada pelo roteiro não ter seguido o que eu imaginava, mas com o coração quentinho por compreender as possibilidades. Acredito que isso tenha me feito gostar ainda mais do contexto, mesmo eu não sendo muito fã de histórias policiais. Aliás, a autora ligou os pontos de cada detalhe tão bem que me vi tentando descobrir como seria o desfecho do caso. É claro que há indícios do suspeito logo no meio da narrativa, mas, ainda assim, você permanece até o fim com a pulga atrás da orelha.
A escrita de Karen é leve e familiar, sem palavras complexas ou situações fora de ordem. Tudo se encaixa perfeitamente bem, fazendo com que cada personagem seja um ponto essencial em meio a história. Mesmo sendo um livro denso — de conteúdo e de páginas —, é daqueles enredos que você consegue ler em um dia de tédio sem problemas, com curiosidade de animação. Por outro lado, a obra perde alguns pontos pela similaridade com tantas outras histórias por conta da temática, mas isso não me incomodou, de fato, porém sei que vai atrapalhar a leitura de muita gente.

Encontrei um ou dois erros de revisão, mas nada mais. Não vi motivos aparentes para retirar qualquer classificação do livro, mesmo ele tendo suas particularidades. Talvez pelo meu momento ou pela escrita da autora, mas foi uma leitura leve e agradável. Eu, com meu costume em romances históricos e intensidade de sobra nas palavras, senti falta disso no decorrer da narrativa, mas é um ponto particular que não posso exigir, não é? Então, se quer saber, o livro está mais do que recomendado.

09 abril 2018

Queria ter feito o que queria fazer

É engraçado pensar que tudo acontece na vida por algum motivo, não é? A gente se descabela, chora, desaba, se arrepende, pensa milhões de vezes o que poderia ter feito de diferente. Mas, se tivesse mesmo sido diferente, não estaríamos onde estamos agora. Não seríamos o que somos. Não teríamos aprendido aquela lição dura, porém necessária. E acho que isso vale por qualquer chateação. Vale pelas lágrimas. Vale pelos machucados internos. Vale pelos pensamentos confusos. A verdade é que nem escrevo isso para alguém, mas para mim mesmo. Para lembrar que a vida prega umas peças doloridas, mas que elas nos mostram para que vivemos.
Confesso que tenho tido dias complicados. Tenho estado perdida. Olho para trás e penso "caramba, onde foi que eu errei?". Só que é aí que a vida, o destino ou o que quer que você chame, aparece com algo novo. E esse algo novo nem sempre é positivo, mas ele acaba nos fazendo cair na real. Entender que nunca vamos estar preparados. Seja para decepções, seja para perdas. E para aqueles que sentem demais... Caralho, como é difícil.

Mas tá tudo bem, sabe?

De uma forma ou de outra entendi que a gente não precisa encarar os imprevistos de cara feia. Eles acontecem porque precisávamos entender alguma coisa naquele fatídico momento. Porque precisávamos olhar com carinho para nós mesmos. Porque precisávamos enxergar o outro.

Porque precisávamos sentir alguma coisa.

E nisso fico pensando que todas as lições aprendidas vieram de momentos assim. Momentos complicados que eu não fazia ideia do que fazer na época, mas que, hoje, vejo como uma bagagem complexa que carrego por aí. E eu amo essa bagagem, porque nenhum desses aprendizados me fizeram pensar "droga, não deveria ter feito isso". É claro que a gente fala isso na hora, se descontrola, mas é só. Depois passa, e então me dou conta de que deveria ter feito, sim. E, se possível, deveria ter feito com mais intensidade.

Deveria ter arriscado mais.
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