O jornalismo e o rádio

Escolher um curso na faculdade é uma tarefa complicada demais. E quando se tem algo em mente, mas a incerteza toma conta, fica mais difícil ainda. Muitas pessoas já vieram me perguntar sobre o curso de Jornalismo, mas eu não tenho uma experiência bacana para contar e dar aquele impulso de que tanto precisam. Então, esses dias, fazendo um trabalho para a faculdade, entrevistei uma radialista aqui de Florianópolis que é apaixonada pela profissão. A Fernanda é uma querida e me respondeu algumas perguntas sobre a vivência de um comunicador. Assim, para tentar ajudar e inspirar quem está nessa fase de não saber direito o que quer, pedi a permissão dela para publicar aqui no blog um trechinho da entrevista e compartilhar um pouquinho desse amor pelo Jornalismo.
Nome: Fernanda Marinho
Idade: 34 e há quatro na melhor década da sua vida.
Onde se esconde: Facebook, Instagram, Rádio Jovem Pan Floripa.
Naturalidade: São Paulo, zona norte.
Cinco coisas: música, café na primeira hora, mar, cachorros, família.
Tempo de profissão: há dez anos, oito no rádio.

Quando foi que você teve aquele “estalo” de saber que queria fazer jornalismo?  
Acho que o estalo veio junto com a palmada no bumbum que o médico me deu quando nasci. Não me lembro de ter pensado em outra profissão. Sempre, de um jeito ou de outro, estava envolvida com alguma atividade que, mais tarde, me direcionaria ao jornalismo.

Alguém te influenciou na hora de escolher a profissão?
Meu pai trabalhava na área administrativa de um grande jornal. Então, me lembro de frequentar a redação naquelas visitas abertas às famílias dos funcionários desde criança. Esse contato pode ter sido minha maior influência. 

Você gosta de trabalhar com isso?
Amo. Amor mesmo, sabe? 

O que ficou marcado na sua memória da época da faculdade?
Os grandes amigos que fiz. 

Geralmente um comunicador não pode misturar o pessoal com o profissional, mas todo mundo tem aqueles dias ruins em que tudo sai errado. Como é separar esses dois lados e fingir que está tudo bem para não contagiar o ouvinte?
Ah, essa é ótima! Tem dias ruins, sim, de cólica, de gente mal-educada no trânsito, de saúde frágil e de levar um pé na bunda do namorado. Já passei por tudo isso e, sinceramente, ao abrir o microfone, uma força do além toma conta da gente e, naquela hora, o único pensamento que tenho é que ninguém tem nada a ver com isso. Penso também que a minha voz é, em muitas vezes, a primeira ouvida por alguém do outro lado, e o tom dessa voz pode ser responsável, também, pelo primeiro sorriso do dia de uma pessoa. E isso é muita responsabilidade. É essa motivação que me faz esquecer qualquer problema.  

Há diferença entre o lado Fernanda pessoal e o lado Fernanda jornalista?
Ao mesmo tempo em que digo: sim, muita, eu mesmo me pergunto se há muita mesmo rsrs.. Mas acho que a principal diferença da Fernanda do rádio e da Fernanda que está aqui respondendo para você é que sou muito tímida.  

Como se sente com esse carinho de quem te ouve?
O carinho que recebo deles, que demonstram de maneiras diferentes, e sensacionais, é único e inexplicável de tão boa que é a sensação. Tem gente que sobe o Morro da Cruz para me levar café quando falo no ar que estou com fome rsrsrs. Assim como já fiz grandes amigos que conheci como ouvintes. Mas vou te confessar que eu mesma não me dou conta do número de pessoas que atinjo falando no rádio. Não tem sensação melhor para o ser humano do que se sentir querido. 

Já teve algum momento em que você estava entrevistando alguém, ou até mesmo conversando com um ouvinte, e ficou indignada com a resposta mas precisou respirar fundo e seguir em frente? Como conseguiu manter o controle?
Sim, a gente ouve de tudo, conversa com todo tipo de gente. O controle talvez venha do meu anjo da guarda, que está sempre do meu lado com o extrato de contas para pagar no final do mês.  

Você daria algum conselho para quem pensa em exercer o jornalismo?
Ser jornalista é pedreira, não tem glamour, não tem feriado, não tem salário tão bom assim em início (meio ou fim) de carreira. Mas tem histórias que te fazem crescer como ser humano, tem luz que te guia em dias nublados, tem textos que te forçam inteligência que, às vezes, vive preguiçosa aí dentro. E tem palavras que te emocionam, demonstrando, ou não, te fazendo baixar a guarda. E se der vontade de chorar, chore. Mas sempre, mesmo, deixem o coração os guiar. 

E para finalizar, o que é o jornalismo para você?
Paixão com todos os lados: os bons e os efeitos colaterais. Não vou dizer que pelo jornalismo é amor porque este tem que ser incondicional, e pode ser unilateral também. Mas entre a gente, eu e o jornalismo, precisam haver trocas entre as dores e as delícias de viver uma grande paixão.   

[642 coisas] Biscoito da sorte

De vez em quando me pego olhando para a janela com o pensamento longe demais para perceber aquilo que está do meu lado. Vago pelo tempo como se ainda não tivesse consciência do presente. O passado não me pertence mais e o futuro não vem descrito em um manual de instruções. É que os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem. A vida me dá alguns puxões de orelha quando me perco divagando pelo pretérito imperfeito. Ela faz questão de me ensinar cada coisinha que ainda não tive a oportunidade de vivenciar. Dói um pouco, mas aprendi que a vida é para quem topa qualquer parada e não para quem para em qualquer topada. Então tudo bem, eu continuo a caminhar, mas com a cabeça um tanto baixa que é para não tropeçar.
A gente tem mais é que aprender a olhar adiante. Enxergar aquilo que nem mesmo está no nosso campo de visão. Somos um tanto cegos nesse quesito, mas sempre vai existir uma nova oportunidade de ver o mundo. São tantos ângulos para serem explorados. Tantos sonhos. Tantas conquistas que ainda nem conseguimos imaginar que existem. Só que eu aprendi que nós somos do tamanho dos nossos sonhos, então por mais que a minha altura não seja lá grande coisa, o coração é enorme. É como casa de mãe que sempre cabe mais um. Dizem que quem olha para fora tem o poder de sonhar, mas quem olha para dentro vive acordado. Não somos o centro do universo. Alguém já lhe disse isso?

Então deixa de besteira, porque a vida sempre dá um jeito de recompensar quem tem paciência. Eu sei que é complicado ir sobrevivendo, mas tentar viver é muito mais divertido. Deixar de lado, nem que seja por um único dia, todos os problemas cabíveis e parar em um portal paralelo. Um dia a gente aprende que tudo é muito difícil antes de ser tornar fácil. E que lamentar pelo que não temos é desvalorizar aquilo que já conquistamos. E que o sorriso é a melhor distância entre duas pessoas. E que construir muros ao nosso redor é muito solitário. E que cada momento é único. E que a infinidade de possibilidades para esse texto nunca vai chegar ao ponto em que queremos, porque nosso pensamento está longe demais. Era isso que dizia no meu biscoito da sorte.

Tá frio, não é?

Então vem cá, meu bem. Te cubro de afeto, de carinho, de inconstantes borboletas no estômago. Te cubro de amor, de saudade, de café quentinho e um abraço apertado que é pro meu coração ficar pertinho do teu. Te cuido como quem não sabe o quanto já derreteu por dentro. Te cuido como quem não quer nada e quer o mundo. É que essa bobagem sentimental não tem nada de inocente, ela pega a gente de jeito e faz um buraco enorme no peito que é pra caber esse sentimento todo. Ela maltrata de vez em quando, faz festa em dia de chuva. Ela sabe cada detalhe de mim, de você. Da gente.
Vê se olha com carinho pra essa coisa bonita que nasceu de repente, moreno. Não prometo te dar a eternidade, e talvez ainda nos reste alguma coisa pra contar no futuro, mas se não existir, teus momentos de insensatez vão ser mais coloridos com as minhas loucuras diárias. Então vem cá. Me deixa te envolver com esse sentimento gostoso que anda tão escasso por aí. Com um olho no olho e um cafuné de fim de tarde pra esquecer do mundo lá fora. Todo mundo precisa de um pontinho de paz nessa turbulência do dia a dia. Teu beijo na testa é minha proteção diária. Espero poder retribuir isso um dia.

Então faz a mala. Se aconchega aqui pertinho que é pra eu não te perder de vista. Deixa de lado essa correria que te impede de parar um segundo. Tá tão frio. Aproveita o tempo ruim e usa como desculpa pra ficar me namorando por mais cinco minutinhos. Aproveita a chuva pra realizar aquele velho sonho de dar um beijo molhado. De cinema. 

Ah, moreno. Finge que o tempo parou por um segundo e faz morada aqui dentro. Do peito. Do coração. É que eu sei que já tem um lugarzinho todo especial te esperando. Te guardando. E eu fico aqui te mimando, porque sei também que o amor é essa coisa meio brega e antiquada. Ele é cheio de bonitezas, mas tem lá seus truquezinhos. Felizmente aprendi alguns deles à tempo de te mostrar o quanto ele é incrível. Então vem cá, meu bem. Deixa que te aqueço com muito afeto. Porque isso nunca vai faltar. Te prometo.