29 maio 2018

Mutável

De acordo com o dicionário da minha estante, "mutável" é tudo aquilo passível de mudanças, que se adapta ao novo. A verdade é que todos nós somos mutáveis. Nossos pensamentos duram tanto quanto aquela ideia de "qual roupa vou usar hoje?". Isso porque não somos mais fixos. Eu, por exemplo, mudei muito de dois anos para cá. Se, naquela época, me perguntassem como estaria minha vida hoje, provavelmente a resposta não chegaria nem perto da realidade. E não digo isso somente com relação ao ser, mas, também, quanto a forma como tenho levado a vida. Hoje, tempo é um artigo de luxo no meu vocabulário. Não porque não tenho tempo para nada, mas porque aprendi a priorizar o que realmente ele vale.
Quando estou em casa, qualquer coisa é mais importante para mim do que estar na frente do computador. Eu leio um livro, assisto filmes, maratono seriados, pratico meus desenhos, pratico fotografia e escrevo em meu caderninho que não largo por nada. Saio com os amigos quando surge a oportunidade, vou ver um filme no cinema quando a grana coopera, me perco em uma livraria quando vou ao shopping e até aprendi a tomar café quando o frio fala mais alto. Faço doces em datas especiais, falo besteira em meio a um almoço de família e também tô aprendendo a gostar de coisas diferentes. Enquanto escrevo isto aqui, minha cabeça está em todas as coisas que poderia estar fazendo nesse mundão a fora. 

Eu não tenho uma rotina coerente. Para falar a verdade, se tivesse o mínimo de sanidade, nem a teria, de fato. Mas tenho, e amo cada coisinha, mesmo que reclame de vez em sempre (porque a gente ama reclamar de tudo, não é?). Gosto do fato de sair cedo de casa e ir ganhar o mundo. Gosto de saber que tenho um intervalo no meio disso para colocar a cabeça no lugar e conversar com pessoas que sentem as mesmas frustrações. Gosto de comer a mesma comida horrível todos os dias, e gosto mais ainda de comer comidinha de mãe nos finais de semana. Aliás, a gente passa a valorizar as miudezas da vida quando ela não é mais tão pequena assim.

E, com tudo isso, por mais que não queira admitir, o blog, em si, não é mais parte de mim. O Caligrafando-te sim, mas a plataforma me faz ficar presa a um cronograma de postagens, com data e hora marcadas, layout clean, domínio pago, hospedagem e tantos outros artefatos indispensáveis para se ter um lugar na internet. A real é que não quero surpreender empresa nenhuma, ganhar milhares de mimos e ser cobrada insistentemente por eles ficarem em evidência. Quero ser livre, sabe? Escrever um texto bacana quando realmente tiver inspiração, resenhar aquele livro novo que encontrei perdido na estante do quarto, falar meias verdades sem me preocupar se isso será bem visto. 

Mas, vejam bem, não estou matando o Caligra, apenas quero adaptá-lo a minha rotina, justamente para ficar mais próxima. Por isso, a partir de hoje, o blog entra em hiatus. Contudo, criei um perfil no Instagram para ele, assim como já existe a página no Facebook, onde vou continuar publicando textos e resenhas. É uma coisa nova da qual tenho medo, só que, no momento, é a mais viável para não largar mão de uma coisa que gosto tanto. E como vivo nas redes sociais (apesar de elas estarem morrendo aos poucos), nada mais válido do que juntar o útil ao agradável, não é? Espero que continuem acompanhando o Caligra por lá com o mesmo carinho que acompanham aqui, pois nada além do meio irá mudar. Será a mesma pessoa antiquada escrevendo sobre sentimentos que vos escreve, só que em um lugar diferente, com uma roupagem diferente, quem sabe até sem tanta vergonha, publicando vídeos de vez em quando.

Eu sou imensamente grata por tudo que conquistei aqui, pelas pessoas incríveis que pude conhecer e que também se abriram para me desvendar. Sou grata pelos comentários, pela troca de sentimentos e por toda palavra de carinho que recebi. Fico torcendo para que isso também seja mutável, e que possa ter a mesma experiência positiva lá pelo Insta. Aliás, não irei desativar o blog, até porque, mês que vem, temos o sorteio do livro. Sendo assim, se alguém tiver um conselho ou qualquer outra coisa para ser dita, tô aqui de braços e coração abertos ♥.

24 maio 2018

Quando a vida requer paz

Sabe aquele sentimentozinho de quando nada de ruim acontece, mas nada de grandioso também dá as caras? É como se estivéssemos em perfeito equilíbrio, tentando entender o por quê de tudo ser tão 8 ou 80. Hoje acordei assim, no sossego. Sei que, mesmo se o dia for um inferno, meu bom humor ainda vai prevalecer, minha paciência vai me guiar e, se duvidar, abro um sorriso para os tropeços. Não que eu esteja plena ou feliz demais da conta, mas estou em paz comigo mesma e com o mundo. Tô em trégua com a vida.
A verdade é que a gente perde muito tempo se preocupando com coisas de menos, enquanto que o importante passa despercebido, quase como um vulto em dias nublados. E, pior do que isso, é saber que deixamos passar. Não notamos. Ficamos, em vez disso, reclamando de barriga cheia, porque "aquela droga daquele negócio deveria ter dado certo", mas, veja bem, não deu. Não era para dar. Vida que segue, sabe? E, aliás, falo isso para mim mesma também, que erro tanto quanto todo mundo. Talvez até mais.

Uma coisa que aprendi com o tempo é a escutar, mas não levar tudo que ouço para a vida, e isso inclui até mesmo conselhos alheios. Tem coisas que, simplesmente, não valem a pena. Não valem a tristeza, o estresse, a cara amarrada ou o mau humor. Não valem o tempo. Não valem, principalmente, as noites mal dormidas e as olheiras no outro dia logo cedo. Cada um sabe de si e do que carrega por aí. Se me orgulho do que sou e de como deixo minha marca no mundo, palavrão, roupa, cabelo ou luxúria não me tirarão a beleza de continuar sendo. 

A vida não é sobre isso.

A vida é sobre dias assim, em que a gente simplesmente não se importa com as adversidades, com os problemas ou com as dores de cabeça. É quando o café tá forte demais, mas isso nos acalma. É quando aquele abraço sufocante se torna um abrigo reconfortante. É quando o olhar torto daquele indivíduo mal-humorado vira graça. É quando o "bom dia, flor do dia" vira um carinho. É quando tudo vira de ponta cabeça, mas continua tudo bem, tudo em paz.

22 maio 2018

O Colecionador de Memórias + Sorteio

Sabe aquela história de que quando ficamos mais velhos, a responsabilidade também tende a aumentar? Pois, no meu caso, o estresse falou mais alto e me pegou de jeito. Foram semanas exaustivas, em que chegava em casa e não tinha vontade de fazer absolutamente nada além de ver um filminho e dormir. Mas como tudo na vida passa, essa fase também foi embora e, com ela, meu mau humor. Foi aí que aproveitei para colocar algumas leituras em dia e trazer essa surpresinha para quem me lê. O Colecionador de Memórias veio em uma caixinha brinde da Novo Conceito, juntamente com um exemplar extra para que eu possa sortear aqui no blog. Claro que finalizei a leitura primeiro e cá estou trazendo um pouquinho da obra.
Sabrina Boggs tem a via que sempre quis, ainda que, em alguns momentos, veja essa felicidade como um fardo, não tão concreto, não exatamente maleável. Para ela, a vida simplesmente está seguindo. No entanto, ao visitar seu pai na reabilitação — visto que ele sofreu um derrame e perdeu boa parte da memória —, Sabrina se depara com algumas caixas. Estas não lhe são familiares, ainda mais por conter diversos modelos de bolinhas de gude. Uma coleção impecável de que não faz ideia de onde veio.

Título: O Colecionador de Memórias
Autor: Cecelia Ahern
Páginas: 272 páginas
Editora: Novo Conceito
❤ Livro cedido em parceria com a editora
Quando Sabrina Boggs tropeça em uma misteriosa coleção de bolinhas de gude que pertencia ao seu pai, percebe que não sabe nada sobre o homem com quem cresceu. É uma coleção valiosa e incomum — incomum se ela pensar no homem que sempre conheceu. No entanto, há algo real lá dentro, muito verdadeiro sobre seu pai, ou sobre a criança que ele fora. Sabrina só tem vinte e quatro horas para descobrir os segredos do homem que ela pensava conhecer. Um dia para exumar memórias, histórias e pessoas que não sabia existirem. Um dia que a mudará para sempre. Fazendo uma busca pelas memórias de seu pai, Sabrina persegue uma busca de identidade; os segredos que ela trará à tona irão mudar tudo o que dava por certo em sua vida
Ao mencionar vagamente sobre a coleção com seu pai, Fergus, Sabrina se dá conta de que talvez ele ainda saiba alguma coisa sobre ela. Assim, querendo descobrir de onde veio a coleção de bolinhas de gude e o motivo de ela ter parado na clínica depois de tanto tempo, a mulher resolve ir mais a fundo para encontrar alguém que saiba algo —  mínimo que seja — sobre as caixas. Afinal, por que ela não sabe sobre aquelas bolinhas? Por que seu pai nunca falou sobre elas? E quanto a sua mãe? Será que ela também não sabia sobre a coleção ou simplesmente não ousa tocar no assunto?
Em meio a tantas perguntas, Sabrina se vê perdida: se ela não sabe nada sobre seu pai, quem, de fato, ela é? Ela sabe algo sobre si mesma? Por que tudo isso aconteceu logo agora? Por que essa coleção é tão importante? E, por fim, por que seu pai, que recorda de poucos acontecimentos, ainda guarda uma fagulha no olhar quando se refere a essas bolinhas? São esses questionamentos que a mulher leva para cada pessoa com quem encontra. Estas, então, com suas histórias, lhe dão um vislumbre de quem era o Fergus que colecionava bolinhas de gude.

O Colecionador de Memórias é um livro intenso, porém com pouco conteúdo. Eu aprendi a amar a escrita da Cecelia Ahern, mas confesso que me decepcionei bastante com essa obra em particular. Os acontecimentos, que poderiam ser facilmente descobertos em 100 páginas, acabam se estendendo mais do que deveriam. Aliás, a própria narrativa se dá de forma lenta e detalhista, ora pelos olhos de Fergus, ora pela visão de Sabrina. Além disso, o motivo de todo o problema — a caixa de bolinhas de gude —, em dado momento, torna-se uma tempestade em copo d'água, sendo que os questionamentos de Sabrina poderiam ser respondidos com facilidade caso a personagem optasse por caminhos alternativos.
Apesar de tudo isso, vejo que a história tem potencial. Os personagens são cativantes e carregam uma visão de mundo particular, cada um à sua maneira, deixando claro seus objetivos. A história, em si, também é rica em detalhes que fazem toda a diferença, mas que, por descuido da autora, foram além do necessário. Isso também fica registrado na forma como o leitor a entende. Li resenhas que elogiavam muito o livro, enquanto que li outras de pessoas que nem chegaram ao fim da história. No fim, acredito que seja uma daquelas obras em que as opiniões sempre serão aleatórias. Portanto, resta aos que ainda não leram dar uma chance à história, e, quem sabe, deliciar-se ou não com ela.

Sorteio de um exemplar

Como mencionei no comecinho deste post, a editora me enviou de presente um exemplar do livro para que eu sorteasse por aqui. Por isso, dei minha opinião sobre a leitura e, agora, deixo em aberto para o ganhador também dar pitaco sobre a história. As regrinhas são aquelas básicas de sempre:
- Curtir a página do blog
- Marcar 3 amigos na fotinho oficial lá do Facebook
- Clicar em "Participar" neste link.
- Residir em território nacional

O sorteio será realizado dia 23/06. O ganhador terá um prazo de 48 horas para me responder e precisa ter seguido as regras bonitinho, do contrário, outra pessoa será sorteada. Portanto, boa sorte aos envolvidos!
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