02 dezembro 2016

A vida é um sopro

Às vezes, diante de um acontecimento e outro, paro pra pensar que talvez a vida seja ingrata, mas que nós também somos. A gente esquece de dizer para os outros o quanto eles são importantes no mundo, o quanto alegram corações partidos com um simples sorriso desajeitado. Quando era pequena, tinha o costume de rezar em voz alta e agradecer por todas as coisas. Hoje, tenho medo de falar além da minha consciência e sentir que aquilo na qual acredito seja retirado de mim em algum momento. Nós temos o costume de ligar o automático e levar a vida como acha que pode, sem grandes aventuras ou conquistas aparentes. Somos reféns do tempo.
Esses dias, quando nosso animalzinho de estimação resolveu ir embora, sem ao menos se despedir, eu parei para analisar toda a trajetória dela. Dela, porque era uma fêmea, tinha um porte pequeno e se chamava Megg. Não era um ser humano, mas era um ser vivo da qual convivi por quase dez anos. Era parte da família. E escrever sobre isso já me deixa com um nó na garganta. Fico pensando nas pessoas da qual convivo a minha vida inteira. Aquelas que compartilharam cada momento comigo e que, por sorte, também pude compartilhar com elas. Paro pra pensar nos buracos que vão surgindo com o passar do tempo e na saudade que fica depois que a ficha finalmente cai.

Dias depois, um time inteiro sofreu um acidente de avião. Foi impossível não chorar. Eram pessoas como eu, que tinham sonhos, que estavam conquistando um lugar no mundo, que tinham uma família torcendo por cada passo dado. Eram pessoas comuns, com interesses em comum. Eram sobreviventes.

A vida é um sopro.

Não sei mais que outra palavra poderia utilizar para resumir esse efeito. É estranho pensar que talvez amanhã eu não esteja mais aqui, mas que a vida vai continuar. É estranho tentar compreender essa loucura. Talvez seja por isso que a frase "apenas viva bem, apenas viva", tenha um significado imenso pra mim. A gente passa muito tempo reclamando da vida, sem nos darmos conta de que nada nunca vai ser do jeito que esperamos. Temos tanto medo da morte que nos reservamos ao direito de apenas existir. Mas a vida é um sopro. Você fez tudo o que gostaria? Falou tudo o que está guardado no peito? Talvez, amanhã, possa ser tarde demais.

30 novembro 2016

Serena, de Ron Rash

Sabe aquele livro que foi lançado há um tempo, já tem até uma adaptação para os cinemas, mas você não faz ideia sobre o que se trata? Foi essa a sensação que tive quando me deparei com Serena em promoção e corri para descobrir um pouco mais sobre a escrita do autor, que, por acaso, não era familiar. Eu não esperava muito da obra e até fiquei um tanto travada no começo da leitura, afinal, a história é um tanto confusa no começo e o desenrolar dos acontecimentos é muito rápido, mas confesso que depois de algumas páginas e um afinidade um pouco maior com os personagens, cada momento se encaixava perfeitamente com o anterior, o que me fez agradecer imensamente o escritor por ter feito com que a leitura fluísse sem grandes confusões.
Serena, na verdade, é o nome da esposa de Pemberton, um rico madeireiro que acredita ter se casado com a pessoa mais incrível do mundo. Além da personalidade forte e uma inteligência altíssima, a mulher de cabelos louros e curtos consegue encantar até a pessoa mais introvertida, tendo total controle de suas técnicas de sedução e indução. Apesar do homem ser o responsável pelos negócios, é ela quem comanda as atitudes do marido e o faz ficar sempre à frente de qualquer negócio. Sonhadora e misteriosa, Serena guarda segredos do passado, mas nem mesmo isso é capaz de fazer com que Pemberton perca seu fascínio pela mulher que tem ao lado.

Título: Serena
Autor: Ron Rash
Páginas: 320 páginas
Editora: Intrínseca 
Pemberton, um rico madeireiro, e sua esposa, Serena, são um casal ambicioso que pretende derrubar todas as árvores das montanhas da Carolina do Norte para aumentar sua fortuna durante a Grande Depressão, mas um projeto de parque nacional ameaça esses planos. Pemberton, então, passa a subornar as pessoas mais influentes para manter sua propriedade e seu poder. Já Serena, sem escrúpulos, recorre a outros argumentos: força, armas e crueldade. Para sustentar o grande império e conseguir o que ambicionam, os dois vão passar por cima de tudo. Até deles próprios. A violência e a beleza do ser humano em uma trama magistral, que narra a honra e a traição que cercam o amor. 
Após um período distante das montanhas da Carolina do Norte, George Pemberton retorna acompanhado de uma mulher forte e determinada, com curvas exatas, cabelos curtos e dourados, particularmente diferente das outras mulheres da época, sempre com calças e botas de couro, além da habilidade inabalável com os negócios. Além dos sócios, a moça da qual Pemberton teve um caso também o espera na estação de trem, grávida de um filho do rapaz. O pai da garota, furioso, exige alguma atitude, mas Serena controla a situação com destreza, fazendo com que os dois homens se enfrentem. No entanto, a falta de sorte do pai muda completamente a vida de Rachel e do casal.
O livro é dividido em partes, hora com a visão de Rachel, hora contando sobre os operários, hora narrando a história do casal. Serena e Pemberton são indestrutíveis juntos, ministrando um império sem árvores, muitas mortes e uma paixão intensa. Apesar do passado tenebroso, Serena é extremamente focada e não gosta de tocar no assunto, passando seus dias na madeireira em função das negociações e da águia da qual tem tanto afeto. Rachel, por outro lado, está à beira da miséria, recebendo ajuda de uma viúva e fazendo de tudo para conseguir um bom emprego. Sem muitas opções, ela volta à cozinha da madeireira, despertando a preocupação de Pemberton com relação ao filho, da qual guarda uma fotografia secretamente. No momento em que Serena descobre os sentimentos do marido, sua melhor companhia acaba se tornando um capanga capaz de acabar com qualquer ser humano.

A narrativa, repleta de detalhes sórdidos, é cativante do começo ao fim, mas algumas partes da história acabam se sobrepondo, fazendo com que o leitor se perca entre um acontecimento e outro. Apesar do nome, em nenhum momento a visão de Serena é colocada como ponto principal, no entanto, quase todos os pensamentos de Pemberton são referentes à esposa e suas atitudes. O romance intenso conduz boa parte do livro, tirando de foco as tragédias que surgem em cada parágrafo.
Mesmo com todos os pontos positivos, alguma coisa na história fez com que eu não conseguisse me prender aos acontecimentos, pulando diversas partes que falavam exclusivamente das negociações e da visão dos operários sobre os Pemberton. A escrita do autor é muito boa, mas com descrições em excesso que tiram a atenção do leitor. As cenas de assassinatos e perseguições também acabam sendo muito maiores do que deveriam, deixando claro que os contratos profissionais são banhados à sangue. Por outro lado, também temos os sentimentos extremos de Pemberton e da esposa, dando lugar ao amor em meio a tanto caos. Não é um livro para qualquer momento, mas, caso seja apreciado com atenção, pode se tornar incrível e bem estruturado.

28 novembro 2016

10 fontes fofíssimas para usar no blog

Quando comecei a saga de mexer no layout do blog, vivia caçando fontes bacanas que poderiam ser utilizadas em algum momento. Revirava sites procurando indicações e não encontrava nada que fosse útil ou que fugisse do comum. No entanto, para a minha sorte, entrei por acaso em um link e me deparei com fontes lindas, principalmente para quem gosta dessas que remetem ao lettering, como a que está no nome do blog atualmente. A melhor parte disso tudo é que você pode fazer o download gratuito e se divertir utilizando-as para uso próprio. Grande parte das opções também podem ser compradas, mas nada melhor do que ter um repertório de fontes guardadinho para emergências. É claro que entrando no site é possível escolher entre várias das disponíveis, mas optei por selecionar algumas que me encantaram logo de cara para compartilhar por aqui e fazer a felicidade de quem está procurando.
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Espero que tenham gostado e que elas sejam bastante úteis, talvez até para fazer trabalhos mais elaborados e dar aquela sensação de cuidado. Algumas fontes acabam dando erro depois de feito o download, mas é por conta do próprio arquivo, por isso, caso alguma dessas citadas fique cortada, vale testar a versão em ttf e em otf, caso nenhuma das duas fique correta, é porque realmente não há o que fazer. Como não tenho controle quanto a isso, apenas aviso que é algo que pode vir a ocorrer. Caso queiram entrar no site e procurarem alguma outra fonte, também vale a pena.
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